Crenças

Somos um país de multi coisas. Raças, culturas, cenários e, principalmente, crenças. Dentre elas podemos destacar as religiões, mesmo que este tema seja por demais polêmico. Mas qual o importante das religiões? A sua forma ou o seu conteúdo? Em um discurso sobre algum assunto, mesmo que sejam cometidos erros de linguagem pelo orador, tendo este se preparado quando ao assunto a ser exposto, a essência do tema não será prejudicada por completo.

Vejamos, pois, um mesmo assunto em crenças diferentes:

Bramanismo - Esta é a súmula do dever: Não faças nada a outrem que te causaria dor se fosse feito a ti. Mahabharata 5,1517.

Budismo – Não ofendas os outros por formas que julgarias ofensivas a ti mesmo. Udanavarga 5,18.

Confucionismo – Existe máxima pela qual devemos reger-nos durante toda a nossa vida? Sem dúvida, é a máxima da bondade e do amor: Não faças a outrem o que não quererias que eles fizessem a ti. Anacleto 15,23.

Taoísmo – Considera o ganho do próximo como teu próprio ganho e a perda do próximo como a tua própria perda. Tai-Shang Kan-Ing Pten.

Judaísmo – O que é odioso para ti não o faças ao teu próximo. Essa é toda a Lei; todo o resto é comentário. Talmud, Shabbat 31a.

Cristianismo – Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam fazei-lho também vós, porque esta é a Lei e os Profetas. Mateus 7,12

Islamismo – Nenhum de vós será crente enquanto não desejar para seu irmão o que deseja para si mesmo. Sunan.


Mesmo tema, palavras diferentes! Não faça ao teu próximo o que não gostaria que te fizessem. Assim sendo, porque tomar uma única crença como verdade ou uma como melhor que as outras? Em períodos como a Inquisição várias atrocidades foram cometidas em nome da preservação do pensamento de Deus. Nada muito diferente do que fez Hitler, quando tomou sua raça como superior, ou como é feito ainda hoje, quando eventualmente nos colocamos a criticar as práticas alheias.

Vivemos em um país que deve dispensar o preconceito, pela simples razão de que esta prática é ignorante. Carregada de falta de conhecimento, se dissipa ao menor esforço de esclarecimento. Não critique o outro sem o conhecer, porque quando a sabedoria alheia lhe penetrar a mente, perceberá que não há mais motivos. A liberdade de credo, garantida em nossa Constituição, não deve ser tomada como apenas mais um artigo, mas como um exemplo a ser seguido em outros níveis de nossos relacionamentos sociais.

Conheça, aprenda, olhe para o lado e perceba que por mais defeitos aparentes que uma crença tenha, ela provê o bem estar, bastando isto para ser considerada boa. Não há verdades absolutas, porque todos os credos têm influência humana. Se todas as religiões pregam a imperfeição temporária humana, como poderia o fruto de seu trabalho, independente do nome a que se exponha, ser considerado perfeito?

Sejamos sensatos, quando nos faltar o esclarecimento. Tenhamos a conduta de respeito, quando nos faltar a compreensão sobre as práticas alheias. E, por fim, quando nos julgarmos profundos conhecedores do nosso objeto de crítica, procedamos à comparação com o nosso próprio pensamento e credo, e acharemos muito mais em comum do que possamos imaginar. O livro não pode ser tomado pela capa, assim como a essência nem sempre se espelha no exterior. Como diria Platão: "Só sei que nada sei".

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