sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Diversão

Da Constituição Federal: "Art. 6o São direitos sociais ...o lazer...". De uma das religiões, "Cristianismo – Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam fazei-lho também vós, porque esta é a Lei e os Profetas. Mateus 7,12", que, conforme post anterior, possui idéia semelhante à de outras crenças. A mesma Carta Magna garante direito ao trabalho e à liberdade quanto à execução deste, desde que respeitados determinados limites previstos.

A diversão é algo necessário, pois nos fornece um tempo útil para que possamos nos confraternizar e exercer atividades que nos proporcionem prazer, convívio social, entre tantas outras coisas que garantem um justo descanso após o trabalho árduo. Permite a admiração do belo em suas diversas formas, garantindo níveis aceitáveis de paz nos diversos ciclos sociais que o homem se insere ao longo da vida. Mas qual o limite entre o divertir-se e o extrapolar o limites?

Uma campanha recente do Ministério da Saúde mostra "o outro lado da bebida"; lado este conhecido por quase todos, devido ao fato de esta ser uma droga socialmente aceita. Tudo precisa de um equilíbrio e, ironicamente, a bebida nos tira o equilíbrio, entre outras coisas. Mas não sejamos carrascos de um só problema. Interpretemos os excessos.

O descanso só o pode ser assim desde que haja o cansaço causado por alguma atividade. Em um sistema social orientado pelo capital, é necessário que tenhamos a produção e a transformação deste, possibilitando, inclusive, a criação e manutenção de estruturas de lazer. O que seria da sociedade se todos resolvessem apenas desfrutar dos "prazeres da vida"? Talvez por isto a idéia relativa de prazer mude tanto de um indivíduo a outro, garantindo um equilíbrio.

É preciso que tenhamos a razão das conseqüências advindas de nossos atos, independente de em quais instâncias do nosso convívio diário e contínuo eles aconteçam. Além das drogas, o excesso de comportamentos garantem malefícios dispensáveis, como a queima do próximo como ato de descontração. Sem falso moralismo, a existência de valores morais é algo imperativo para a sobrevivência de um conglomerado de seres humanos a que denominamos sociedade. Fora de princípios que garantam sua sustentabilidade, não há o que esperar, senão o caos em que, hoje, nos encontramos.

As causas de problemas mostrados diariamente nas diversas mídias não podem ser restritas à corrupção política, pois esta mesma é uma conseqüência. A educação, associada a valores como ética, moral, respeito e tantos outros, precisa ser encarada não como algo estatístico, de orgãos fiscalizadores sem ação prática de transformação, mas sim como o impulso necessário para que possamos desfrutar das benéfices sociais até então criadas e prover outras.

A diversão é algo individual, único, com efeitos também muito peculiares. Deve ser exercida como nosso direito constitucional, sem a perda da noção de nosso dever para com o próximo. Embriaguemo-nos nos excessos de sentimentos bons, trazendo conosco nossos queridos. Com certeza isto nos permitirá uma qualidade de lazer muito melhor do que a que muitos hoje utilizam, e que apenas garante a saudade e as lágrimas.

Um comentário:

Sarah disse...

Gostei muito desse texto!!! Se todos fizessem pelo menos um pouquinho da sua parte, como vc o fez na reflexão de hj, esse mundo seria muito diferente, pra melhor, é claro!!!