Amor de mãe

Certa vez ouvi uma explicação sobre o fato de que nunca sentiremos o outro. As terminações nervosas levam os sinais para o cérebro, de forma individual, logo o que sentimos do outro é o sentimento nosso, refletido ao tocar o outro, nunca o outro em sua plenitude. Isso se alinha com frases que já ouvi como "você nunca saberá o sabor da maça que eu comi" ou "ninguém pode viver a minha morte".

Dito isto, deixo claro que, como homem, não tenho como opinar ou testemunhar sobre o "amor de mãe". Mas, como então, escrever sobre ele, de forma a não parecer leviano ou repetidor de palavras alheias? Deixemos que o interior se expresse ao exterior, e vejamos o resultado que se forma!

Diante dessa restrição deveras importante, posso afirmar que fui usuário e beneficiário do "amor de mãe" e, com consciência plena, de várias mães. Primeiro, e natural, daquela que me concebeu em seu ventre, que me carregou no interior primeiro, e depois em seu colo, em seus braços e, sobretudo, em seu coração.

A essa, sem sombra de dúvidas, o ensinamento mais importante, mais significativo, mais expressivo. Posso afirmar, hoje como pai, que orienta seus filhos sobre o fato irrefutável de que nunca serei, e nem tenho intenção, de ser mãe, que o amor, o cuidado, a sublime missão assumida pela mãe genitora, é única, e de importância fundamental para o desenvolvimento do ser.

E aqui poderiam me colocar as críticas, como é normal daqueles que só olham para fora, sobre ausência, sobre rejeição, sobre inúmeros argumentos, mais ou menos consideráveis, que, em certos contextos, possam até representar algo a ser realmente considerado. Afirmo, contudo, no entendimento daquele que tem como filhos um empréstimo do Pai maior, que nossa caminhada nunca foi, nunca é, e nunca será livre de tropeços, de degraus a serem transpassados, de obstáculos a serem superados.

Engana-se quem supõe real a idéia de que a grama do vizinho é sempre mais verde. Antes disso, procure entender o labor que o vizinho realizou, para garantir o tom vivo que lhe brilha os olhos.

A mãe é a nossa origem, realidade biológica irrefutável, sem a qual não temos direito ao primeiro brilho de luz. Entendo, por filho bem amado e bem cuidado, o valor primário dessa missão assumida, consciente ou inconsciente, porque o "seja feita a Tua vontade", muita vezes não nos deixa entendimento completo sobre os caminhos pelos quais nos esforçaremos um passo após o outro.

E, com essa compreensão inicial do amor como missão, vieram as outras que, muitas vezes sem entendimento pleno, atuaram como formação, lapidação, zelo, ensinamento.

Vocês talvez não percebam, mas, ao assumirem a missão de mãe, primeiramente com os seus, receberam uma transformação que as faz especiais. O "amor de mãe", que repito, não posso afirmar pleno entendimento interno, mas para o qual me sinto grato em ter sido alvo, em diversas ocasiões, trás real a frase popular de que "uma mãe nunca deixa de ser mãe".

O "amor de mãe", logo, é assim..... incompreensível para os que dele não beberam na fonte, mágico para aqueles que se fazem beneficiários dele, fundamental e necessário, caso, realmente, queiramos uma sociedade saudável.

Àquelas que assumiram essa missão, através do ventre ou do coração, deixo aqui meus sinceros agradecimentos.  

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