A chuva

 A chuva não pede permissão... ela chega. Engraçado... ela não perde permissão... ela só vai. Ela não avisa se vai vir, se vai ser intensa, se vai tomar conta de tudo, mas ela vem, se faz presente, e se vai. Ela não avisa se, dessa vez, vai só chegar suave, como chuvisco, mal tirar a poeira do tempo, e sumir de novo, sem nova agenda programada.

E nessas indas e vindas, ela deixa sua marca, deixa seu cheiro, deixa seu toque, e sua presença. Como quem não se importa com o impacto que sua presença, ou sua ausência, causa, ela vem, livre, no seu ritmo, e toma seu caminho sem dar satisfação mas....

Mas ela deixa saudade, e deixa desejo, e deixa um querer de retorno. No começo fica aquela revolva: porque veio? porque não veio? porque não foi mais forte? porque não veio com mais suavidade? Mas ela se vai, e deixa saudade.

Ela poderia ser mais fraca.... mas talvez seja a sua força que limpa de verdade, que tira as ervas e pragas onde e que precisavam ser removidas. Ela poderia ser mais forte, mas é o seu toque suave de carinho que trás a vida, que faz o verde e as cores brotarem, como mágica, como encanto da natureza que se tenta explicar tecnicamente, mas que verdadeiramente não se explica na essência.

A chuva é desses mistérios que algo ou alguém maior criou e nos deu de presente, e que vem na hora certa, não na hora em que desejamos, mas na hora em que precisa vir, faz o seu papel e passa. E também tem as épocas em que vem e perdura, que nos faz companhia durante uma longa caminhada, sem pedir permissão para chegar, indo na hora certa em que precisa ir, mesmo não sendo a da nossa vontade.

A vida tem dessas mágicas, desses encantos, como a chuva. Ela nos trás chuvas, que vêm ocasionalmente, encharcam a nossa alma, e se vão. Ficamos cheios delas por um tempo, o tempo suficiente para que, talvez, chuvas novas tragam novas cores, novas sensações, novas estações.

A vida é feita de chuvas diversas, mas talvez não nos demos conta disso. E, será que, na ânsia de controlarmos o tempo da chuva, aproveitamos o que ela nos trás? Eu lhes afirmo que, na maioria das vezes, não!

A diferença é sempre a presença! E com as chuvas não é diferente! Pois lhe convido a refletir sobre as chuvas que têm lhe visitado a vida e lhe pedir que, ao invés de reclamar da intensidade, do tempo de ida e vinda, só sinta. Sinta o cheiro, o toque, o frescor, aproveite a intensidade, seja leve ou intensa, e brinque, se molhe, porque, inevitavelmente, essa chuva pode se ir, ou você chuva irá, e o que vai ficar são apenas pingos, que secarão com o tempo.

Aproveite as chuvas que alguém acima de nós envia para a sua vida, porque não sabemos o porquê delas, nem quanto virão, mas, com certeza, ela trarão vida para a sua vida, pelo tempo necessário em que precisam se fazer presentes! 

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