Codinome
Tentei pensar em um título, pensar em um nome. Começar de trás pra frente, porque geralmente se nomeia depois da coisa pronta. Aí me lembrei do nome, e do codinome, que sei lá porque motivo tomou o lugar do nome, que sempre achei forte, exótico, diferente de um jeito especial.
O mundo das voltas, mas não volta. E talvez nunca iremos entender suas voltas, quando ele gira nos pregando peças, trazendo à tona lembranças que há muito tempo dormiam em nosso interior, fazendo-se presentes sem notarmos a sua presença.
Não acredito em coincidências, não acredito em acasos. Acho que, quando algo está pronto, Ele mexe os seus pauzinhos para que as pontas se ajustem, favorecendo o nó necessário à costura da vida.
Muitas vezes não entendemos como o entrelaçar de linhas soltas há tanto tempo possa por vezes trazer algum produto que seja útil. Linhas que se soltaram, que se amarraram em outras pontas, mudaram de cor, de forma, e já não são as mesmas.
Mas talvez esteja aí o segredo. Se as mesmas fossem, como poderiam agregar algo diferente? Como haveria observações que pudessem orientar aquela linha antiga, que era cuidada e guardada com zelo, a buscar outra agulha, na certeza de que a ferramenta adequada à obra agora possível não é a sua?
Simples....o tempo trouxe conhecimento, sabedoria, observação. O tempo mostrou os próprios erros, mas não apagou a lembrança doce de lá de trás, talvez uma das poucas, mantendo a brisa suave que lhe causava, como certeza de algo bom. O tempo trouxe a compreensão de que orientar contras os próprios erros cometidos, pode ser um jeito de retribuir as doces lembranças, os sorrisos que jazem na memória que não pesa.
Cometi erros, acertei acertos, e vejo que um codinome, que não mudou com o tempo, permanece na teimosia de não entender que o escuro que insiste em desejar, não combina com a clareza da face que eu vi de perto um dia.
Vi de perto, hoje longe, mas que me parece guardar a mesma inocência infantil que o tempo não levou, porque, no fundo, não deixamos de ser quem somos, apenas, equivocadamente, mascaramos em um codinome o belo nome, a bela pessoa, a bela essência que trazemos do berço, e que, muitas vezes, ocultamos, porque alguém não soube dar valor.
Ao codinome cuja caminhada hoje lhe confunde, codinome que sabe o nome, porque eu contei, deixo somente um conselho: não desista de ser quem é. Não de quem acha que é, mas de quem é. O tempo passou, mas a minha leitura continua boa, capaz de ler ainda a meiguice que o tempo não levou.
Palavras desconexas, talvez, mas que, não tenho dúvidas, encontraram o solo fértil para germinarem e remover de vez a preocupação do genitor, lá atrás, quando ocultou as palavras, porque via além do que provavelmente você mesma fosse capaz de ver.
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