O estranho

Já parou para analisar o quanto a gente não se conhece a si mesmo, contrário àquela famosa orientação? Me lembrei de uma frase: "Quer conhecer um homem, dê poder a ele". Pesquisei a origem dessa frase, para não deixar em branco, mas a internet não chegou a um consenso. Vou aproveitar para deixar uma recomendação de um livro importante: independente da origem, procure analisar o conteúdo, para decidir se ele pode ser considerado como um ensinamento de valor. 

Eu diria que, quer conhecer um homem, coloque-o em uma situação em que ele não tenha controle externo (ter poder, de uma certa forma, seria algo assim). Nesse ponto é que me referi no começo, sobre o quanto não nos conhecemos. De forma geral, seja em casa, no trabalho, na sociedade, em quase todos os lugares, existem freios. Existem barreiras para que não sejamos nós mesmos na nossa essência.

Existem momentos, às vezes curtos, outros nem tanto, em que recebemos a carta de alforria para criar, com toda a nossa capacidade. Como você age nessas situações? Muitas vezes fazemos algo e vem o arrependimento, e é nesse ponto que eu quero lhe propor um exercício.

Tente se olhar, como se você não fosse você. Como diz a música "o que você faz quando, ninguém te vê fazendo", e eu aposto que nem você está se vendo fazendo as coisas que tem feito.

Esse texto de hoje é meio filosófico, mas, afinal de contas, o nome do blog é Reflexões, então, se entenda com isso. Meu objetivo aqui não é ser uma TV, com todas as imagens e pensamentos prontos, para lavar o seu cérebro. Quero que você feche os olhos e crie o seu mundo, com todas as suas nuances, boas ou ruins. Sim, ruins, porque não somos perfeitos; pelo menos não hoje, e acredito que ainda precisemos de vários reinícios para isso.

Mas então, quem é o estranho do título? Ele é você, eu, ou nós. O estranho somos nós, pelo fato de não nos conhecermos. E, nessa linha, crianças, e adultos agindo como crianças, ainda dão desculpas como vejo todos os dias vindas dos meus filhos, algo como "eu não vi", "foi sem querer", uma que adoro, "foi sem motivo".

E, repetindo, crianças que somos nós, usamos as mesmas desculpas, independente da nossa idade cronológica. Até quando? Até quando vamos aceitar as barreiras, as proteções, que nos impõem, com a certeza de que são necessárias? Você quer voar, quer ser grande, quer se sobressair e fazer algo realmente importante, ser um exemplo para as pessoas, um formador de opinião? Então, deixe eu lhe contar um segredo: você não pode precisar dessas barreiras como uma obrigação!

Olhe para dentro, se analise, gaste um tempinho, seja com meditação, silêncio, oração, terapia com especialista, se assim for preciso, mas olhe para si e conheça o seu eu estranho, para libertá-lo das diversas amarras que ele com toda a certeza tem, pois que todos temos. Você talvez possa aceitar que, como nasceu, não estava no seu controle. Mas, aceite, que onde você está, e onde estará no dia derradeiro, é sim a sua responsabilidade, e você não pode e nunca poderá delegá-la a outra pessoa!

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