Jardim

Existe uma teoria de que devemos cuidar do nosso jardim, ao invés de sair correndo atrás de borboletas, porque, desta forma, elas virão naturalmente, junto com sabiás, abelhas e todo o resto de criaturas que em conjunto são responsáveis por uma significação de vida dinâmica à nossa volta.

Geralmente, quando se pensa nessa conotação poética das coisas, naturalmente convertemô-la para o lado físico, preocupando-nos em fazer uma dietazinha, malhar um pouco, escolher uma roupa e um perfume adequados. Desta forma, saímos ao mundo com uma superprodução, e uma cara amarrada em função dos outros problemas que carregamos, estragando todo o preparo prévio.

Um belo jardim não começa a ser preparado pelos botões de rosa, porque eles são o fruto de um bom cuidado. É preciso preparar a terra, fornecer água e nutrientes necessários, retirar as ervas daninhas, entre outras coisas, tudo isto antes mesmo de se proceder à semeadura. Tudo floresce no terreno adequado, sob as condições certas. A mais bela rosa murchará, se colocada apenas em um copo com água e deixada lá.

Se voltarmos nossa análise para nós mesmos, veremos que o sorriso é a mais clara expressão da nossa felicidade sendo, portanto, apenas uma conseqüência. É preciso desenvolver determinadas coisas que o tornem possível, de forma espontânea, fazendo-nos belos mesmo com uma gordurinha a mais. Problemas pessoais, profissionais, familiares e tantos outros nos impedem de sorrir ou, na melhor das hipóteses, nos dão um sorriso incompleto.

Mas não é só. Diz-se também que ter inveja, ciúmes, desejar qualquer mal aos outros é comparável a tomar um veneno desejando a morte alheia. Assim, para garantir as flores do nosso jardim interior, precisamos cuidar dos sentimentos que nos fazem mal; eliminá-los aos poucos, de forma gradativa e duradoura, tal qual alguém que faz regime não apenas perdendo peso, mas transformando hábitos, de forma a garantir a permanência das alterações.

Assim, seguindo tais recomendações, conseguiremos preparar nossa terra. A paz interior virá naturalmente, acompanhada inevitavelmente de uma sensação de bem estar que nos trará uma aparência externa suave, fornecendo-nos, com tudo isto, a base necessária para que consigamos não apenas sorrir de forma completa, mas sentir o sorriso e fazer com que os outros sintam.

As borboletas, os passarinhos, as abelhas em busca do nosso mel? Virão todos naturalmente. Os homens e as mulheres? Encontrarão em nós a paz. As crianças e os velhos? Sorrirão conjuntamente conosco, encontrando em nós o porto seguro para uma renovação energética que só encontra a fonte em sentimentos de partilha social, cuja pureza dispensa descrições, pois precisa ser sentida.

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