sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Momentos

Existe uma "teoria" que preconiza a inexistência do presente. De forma lógica, existem as coisas que já fizemos e as coisas que estão por vir; entre elas um momento quase instantâneo, se considerarmos que à medida que as coisas são realizadas, passam a se incluir no instante passado. Desta forma, o tempo tido presente não passaria de uma ilusão, ou algo tão efêmero que não pode ser tomado como foco principal.

Pensando assim, fica uma conclusão simples: ou vivemos presos ao passado ou presos ao futuro. Levando-se em consideração a lei de causa e efeito, tem-se que o que vemos hoje é resultado das escolhas e atos passados. Desta forma, focando no que se vê, naquilo que nos parece real e imediato, estamos ancorados a tudo quanto fizemos em nossas atitudes que já se foram.

Olhar à frente implica em acreditar no que ainda não chegou, nas coisas que não foram realizadas e que, somente por isto, são incertas demais. Além disto, pensar no futuro nos leva a necessitar de estímulos contínuos, para que consigamos manter os objetivos em coisas que talvez nem tenham sido criadas.

Parece algo meio fora do comum mas, de forma resumida, resta-nos duas possibilidades: aceitar o que já foi ou criar o nosso próprio destino. Simples, não? Nem tanto! A maioria de nós recebeu uma educação que diz que as coisas sempre foram de um determinado jeito e precisam continuar assim. Alguns poucos foram doutrinados quanto à quebra de barreiras, de forma que o futuro, para eles, se torna um universo de possibilidades ilimitadas.

Preconceito, desigualdade, guerras, desemprego, desilusão amorosa e tantas outras coisas negativas são detalhes que já se passaram. Coisas boas também, porque já se foram e novas precisam ser recriadas. Pense o quanto esta "teoria" é positiva, porque torna o futuro responsabilidade apenas nossa, resultado de nossos próprios esforços e das atitudes que venhamos a tomar.

Assim, acaba-se a predestinação, o carma ou qualquer outra denominação que alguém venha a inventar. Passamos a decidir vivermos focados nas construções que podemos empreender no futuro, ou nas coisas, certas ou erradas, que fizemos antes. Podemos seguir em frente ou lamentar o que se foi, mas uma coisa fica certa nesse caminho, que o presente é apenas um conjunto de momentos, tão rápidos e instantâneos que, quando nos damos conta, eles já passaram, e aí fica a dúvida: olhar para trás ou dar o próximo passo?

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