quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Jardim

Existe uma teoria de que devemos cuidar do nosso jardim, ao invés de sair correndo atrás de borboletas, porque, desta forma, elas virão naturalmente, junto com sabiás, abelhas e todo o resto de criaturas que em conjunto são responsáveis por uma significação de vida dinâmica à nossa volta.

Geralmente, quando se pensa nessa conotação poética das coisas, naturalmente convertemô-la para o lado físico, preocupando-nos em fazer uma dietazinha, malhar um pouco, escolher uma roupa e um perfume adequados. Desta forma, saímos ao mundo com uma superprodução, e uma cara amarrada em função dos outros problemas que carregamos, estragando todo o preparo prévio.

Um belo jardim não começa a ser preparado pelos botões de rosa, porque eles são o fruto de um bom cuidado. É preciso preparar a terra, fornecer água e nutrientes necessários, retirar as ervas daninhas, entre outras coisas, tudo isto antes mesmo de se proceder à semeadura. Tudo floresce no terreno adequado, sob as condições certas. A mais bela rosa murchará, se colocada apenas em um copo com água e deixada lá.

Se voltarmos nossa análise para nós mesmos, veremos que o sorriso é a mais clara expressão da nossa felicidade sendo, portanto, apenas uma conseqüência. É preciso desenvolver determinadas coisas que o tornem possível, de forma espontânea, fazendo-nos belos mesmo com uma gordurinha a mais. Problemas pessoais, profissionais, familiares e tantos outros nos impedem de sorrir ou, na melhor das hipóteses, nos dão um sorriso incompleto.

Mas não é só. Diz-se também que ter inveja, ciúmes, desejar qualquer mal aos outros é comparável a tomar um veneno desejando a morte alheia. Assim, para garantir as flores do nosso jardim interior, precisamos cuidar dos sentimentos que nos fazem mal; eliminá-los aos poucos, de forma gradativa e duradoura, tal qual alguém que faz regime não apenas perdendo peso, mas transformando hábitos, de forma a garantir a permanência das alterações.

Assim, seguindo tais recomendações, conseguiremos preparar nossa terra. A paz interior virá naturalmente, acompanhada inevitavelmente de uma sensação de bem estar que nos trará uma aparência externa suave, fornecendo-nos, com tudo isto, a base necessária para que consigamos não apenas sorrir de forma completa, mas sentir o sorriso e fazer com que os outros sintam.

As borboletas, os passarinhos, as abelhas em busca do nosso mel? Virão todos naturalmente. Os homens e as mulheres? Encontrarão em nós a paz. As crianças e os velhos? Sorrirão conjuntamente conosco, encontrando em nós o porto seguro para uma renovação energética que só encontra a fonte em sentimentos de partilha social, cuja pureza dispensa descrições, pois precisa ser sentida.

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