Estimule o erro

 Eu não fui ensinado a errar; você foi? Ontem estava dialogando com a minha esposa e citei uma constatação minha, após anos de estudo da minha própria vida e da observação da sociedade: Somos ensinados a não errar, a fazer uma escolha única e certeira, principalmente para a nossa carreira profissional, que, considerando esse mundo no qual muitas coisas são compradas, em geral norteia todo o resto. Mas quem escolhe certo da primeira vez? Eu digo, sem medo de errar (já provocando o título), que a maioria de nós não apenas erra na primeira escolha, como o faz pelo simples medo de escolher errado.

Imagine a situação, bem comum, por sinal, de um adolescente que se vê compelido a escolher qual profissão seguirá apartir daquele momento. Quais são, em geral, os conselhos de quem está em volta? Escolha algo que dê dinheiro (talvez o mais comum). Escolha algo que tenha mercado (outra ilusão). Escolha uma profissão que seja tradicional (o que isso realmente significa?).

Agora, pense comigo e, se você é o adolescente nessa situação, realmente pare tudo e preste atenção. Mais ainda, eu preciso lhe afirmar que todos somos esse adolescente, em um momento de escolha, independente da idade. Quando você vai escolher a sua profissão, o sapato que vai usar, se vai cortar ou não os cabelos, se vai ou não escolher um parceiro para a sua jornada na terra, o que é importante para você?

Como assim? Questionarão alguns? Mais importante? Mas não posso errar! Preciso escolher algo que me dê dinheiro, preciso escolher alguém que me complete! Preciso, preciso, devo, será? Porque você não busca se completar a si mesmo, antes de tudo?

Vamos por partes. O que é mais importante? Estar certo ou ser feliz? E o que te faz feliz? Talvez ninguém tenha lhe contado, mas não é a profissão, o mercado, a companhia, que lhe trás dinheiro, saciedade, realização. Quem lhe trás isso é você! E só você feliz e realizado pode gerar as coisas boas. Voltemos ao primeiro parágrafo. Quem foi que lhe ensinou que você precisa escolher certo da primeira vez?

Eu vou lhe dizer uma coisa que ainda estou aprendendo: na nossa vida, que pode ter poucos anos ou uma centena deles, precisamos errar, porque sem o erro, não vem o aprendizado. E com o aprendizado, vem a maturidade, sobretudo para fazer escolhas. Quando você martela o dedo, aprende a manejar melhor o martelo e a se proteger. Talvez até lhe venha a inspiração parar criar um martelo imune a martelar o dedo, ou um protetor de dedos.

Mas onde se encaixa aí o ser feliz? Simples. Se você se sente bem fazendo algo, independente do que seja, você vai se dedicar mais, vai estudar sobre como fazer melhor, vai trabalhar com mais afinco, e as realizações, inclusive financeiras, vão aparecer naturalmente, como mágica. "Escolha uma profissão que ame, e não terá que trabalhar um só dia na sua vida".

Estimule o erro, mas não de forma irresponsável. Estude os erros, como a criança aprendendo a andar. Caia, levante, caia de novo, até que possa correr com o vento acariciando seus cabelos e sua pele. Entenda que o processo de aprendizado é um ciclo, onde nem tudo o que é planejado sai como planejado, necessitando de ajustes, correções e, muitas vezes, retorno, para reavaliar os planos.

Mais importante do que acertar de primeira, é ser melhor a cada passo, ficando mais forte para subir a escada da vida. Porque afinal de contas, ninguém tem a certeza absoluta de onde viemos e para onde vamos, mas a maioria das pessoas compreende que precisamos evoluir. Erre, sem medo, ou tenha medo para errar na medida certa, mas não se congele ou trave a sua vida, achando que porque fez uma escolha errada no passado tudo está perdido. Essa escolha foi apenas um começo, para que você pudesse ter as lições necessárias que o trouxeram a esse momento.

Escolha evoluir e entenda que esse processo envolve o desenvolvimento de si mesmo, que nunca será linear. Quer deixar de cometer apenas um erro? Então deixe de cometer o erro, de achar que você não pode errar. Quem lhe ensinou isso, provavelmente também não sabia que podia.

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