quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tempo

Estamos mal acostumados, muito mesmo! Limitamos o tempo de forma tão drástica que ele cabe em um relógio: doze horas, termináveis ou intermináveis, dependendo das coisas que acontecem durante o dia; melhor, das situações que criamos. Nossa deficiência de percepção é tão grande que não conseguimos ver o antes, nem o durante ou o depois.

Não é o fim do mundo, mas um auto-alerta que se expande, na tentativa de retirar a cegueira coletiva, que nos torna insensíveis quanto a tudo. Gosto de pensar que tudo tem seu tempo e, mais importante ainda, que cada um tem o seu, administrando-o da forma que acha melhor. Pensando assim, apesar do incômodo inicial pela forma como alguns conduzem o passar dos segundos, não me sinto restringido por eles.

Pense, tente perceber que as coisas não acontecem atoa e que os dias, os meses e outras marcações simples não são apenas sucessões de movimentos dos ponteiros do relógio. Procure entender que o que chamamos de hora é apenas uma delimitação precária para que nos orientemos, pois o verdadeiro tempo ficaria inerte, se medido com esta ferramenta. Ele passa, sempre passa, mas o mais importante é o modo como nos utilizamos desta passagem, principalmente para o nosso amadurecimento.

Alguns simplesmente ficam, esperando as horas, os dias, a barba, os cabelos brancos, as ruvas que aparecem inevitavelmente com o perecer da matéria. Outros preferem o dinamismo, mas o fazem de forma tão intensamente mecânica, que pouco diferem dos primeiros. Uns poucos decidem entender que a inteligência não existe atoa, e que tempo casa perfeitamente com a velocidade, mas existe um meio termo adequado para a junção dos dois.

Se neste grupo, começamos a entender que é preciso acelerar às vezes, outras frear, mas que o excesso dos dois pode significar solidão em algum momento de nossa longa existência. Aprende-se que tudo está interligado e que o falar sobre o ser humano ser animal social não é mera referência de estudos sociológicos. Somos e dependemos uns dos outros, de forma que precisamos nos evoluir juntos, de forma conjunta, sob pena de nos tornarmos pontos isolados, desprezados em meio ao senso comum.

O tempo, ao contrário da ferramenta que o marca, não pode ser adiantado. A rapidez ou não com que o conduzimos apenas direciona seu aproveitamento, mas isto já é muito importante, fundamental, e depende de cada um. Então, como exercício de auto-controle, quando alguém não fizer o que você acha certo, entenda que cada um tem um estágio, cada um cresce no seu tempo e que, se realmente o que você pensa é o correto, cedo ou tarde, essa pessoa entenderá. Dê-lhe então a chance de chegar lá, sem julgamentos ou condenações, porque, um dia, você também precisou dessa liberdade.

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