sábado, 24 de novembro de 2007

Escrita

Na era da informática, com informações indo e vindo com uma velocidade impressionante, ainda nos vemos dependentes de uma invenção ainda elitizada, cuja expansão garantiria uma evolução em massa, com benefícios a toda a sociedade: a escrita. Claro que aqui eu já incluo a leitura, pois uma acaba sendo base para a outra.

Desde cedo ouço aquela famosa frase de que "a prática leva à perfeição". Há uns dias li alguns textos que mencionavam sobre a cópia excessiva de informações pela Internet, sobretudo sem a menção da fonte; e não vi esta reclamação em apenas um lugar. As pessoas hoje aprendem a ler, mas apenas o suficiente para discernir se o que foi lido pode ser utilizado, não para edificação de novos conhecimentos, mas para a sua reprodução pura e simples.

Quem já tentou escrever, um texto simples que seja, deve ter se deparado, pelo menos no início, com a dificuldade de como começar. O que dirá escrever vários livros, textos, resenhas, editoriais em jornais e revistas, e tantos outros. Sinceramente tenho verdadeira admiração pelos escritores, notadamente depois que resolvi começar este blog; este, por assim dizer, projeto de exposição de idéias e estímulo de reflexões.

Escrever não é simples, pois implica o raciocínio, algo que temos cada vez mais deixado de lado. A vida moderna nos exige apenas a assinatura do nome muito raramente, a decoração de senhas do banco e disposição para a rotina diária. Mas e depois de seguir esses passos básicos por um determinado tempo, qual o nosso objetivo? Estou sendo por demais simplista no nosso cotidiano, mas isto nos mostra de forma mais enfática o quão vazios estamos nos tornando.

Diz-se que a preguiça é um dos pecados capitais, inclusive presente na abertura de uma das novelas globais. O que deveria deixar a sociedade preocupada, é que a preguiça se alojou no pensamento, extensivo à sua forma de expressão mais conhecida e mais simples: a palavra escrita. Escrever não é apenas cunhar símbolos, digitar caracteres ou algo que imprima desenhos na tela; vai muito além.

Através dos livros foram transmitidas estórias, a História do homem, pensamentos, reflexões, ideais, ensinamentos e toda uma gama de conhecimento que nos trouxe até onde estamos. Imagine como seríamos hoje se ainda precisássemos sentar em praça pública para ouvir poucos sábios de conhecimento questionável discorrendo sobre suas impressões individuais sobre o que os circunda! Até que conseguíssemos reunir informações suficientes para gerar nossos próprios conceitos, estaríamos velhos demais para aplicá-los.

A palavra, o discurso, as letras, a escrita. Enfim, essas coisas simples que o homem inventou e ensinou ao longo do tempo e que muitas pessoas não valorizam, mas são a sutil diferença entre os que sorriem e os que reclamam, em um mundo materialista, cada vez mais dominado por aqueles que sabem se expor, mostrar suas idéias na medida adequada.

Materialismo é algo prejudicial, que eu mesmo procuro colocar desta forma em alguns textos. Mas como entender isto se as letras parecem apenas letras? Escreva, porque isto lhe dará a medida certa do que é criar e ser visto, mas leia depois de um tempo, para que possa se admirar ou apenas comparar com o que então escreve. Somos seres evolutivos, cujos registros podem se perder com o tempo, ou não; só depende de nós mesmos.

Deixei pela Internet meus escritos, seja aqui ou em textos técnicos, e confesso-me surpreso ao lê-los, ou ver meu nome em sites de outros países. Ainda hoje recebo emails advindos deles, com dúvidas de pessoas que os tornaram proveitosos, e com isto sinto que cumpri parte do meu papel não guardando o que sabia apenas para mim. Compartilhemo-nos, pois foi isto o que um filósofo nos ensinou há mais ou menos 2007 anos.

Novas tecnologias virão, novos avanços, novas invenções, mas nada como aprender a base para progredir rumo ao topo. Num país em que ainda se insiste em valorar conhecimento de 0 a 10, como algo que se compra na feira, não seja mais um, mas um, mudando-se para melhor, porque a escrita não foi algo inventado para morrer nos mosteiros, bancos de escola e bibliotecas, mas para ser compartilhado e, graças à nossa evolução, distribuído como outra invenção importante, cuja utilização não se restringiu às elites, aquecendo, provendo calor, iluminando a vida dos seres humanos.

Nenhum comentário: