terça-feira, 27 de novembro de 2007

Atenção

Ontem assisti a uma palestra cujo orador discorreu sobre a atenção. De acordo com sua argumentação, todos os nossos sentidos podem ser substituídos pela atenção e intenção, resumidamente falando, de forma que poderíamos aceitar a existência de um sentido apenas, de forma ampla, dependendo apenas do nosso refinamento para que conseguíssemos aproveitá-lo da forma adequada.

Analisando esta "teoria" livre dos ensinamentos que a sociedade nos dá de herança, o que com certeza não é fácil, me parece ter lógica e racionalidade. Pense nas várias vezes em que o ambiente está lá e não o vemos; existem todos os sentidos, mas falta atenção. Ao contrário, quando nos propomos a perceber algo, que seria a intenção, e aliamos a isto nossa atenção, parece que conseguimos captar todos os detalhes.

Fiquei pensando sobre essas coisas, tentando entender sua importância e extensão, e o resultado foi nos enxergar como verdadeiros captadores de emoções, com uma regulagem melhor ou pior, mas como se o nosso todo fosse responsável por nos dar a medida completa do que nos cerca. Falando assim pode até parecer meio viagem, mas confesso que pensei isto também.

O fato é que a nossa herança, a que a sociedade nos dá como certa, contém muitas coisas definidas pelos outros, pelos que pensaram e pelos que não queriam que nós pensássemos por nós mesmos. Mesmo esta conclusão exige atenção, porque ao logo dos séculos, o que pode ser pesquisado nos livros de História, o ser humano vem repetindo quase sempre os mesmos erros, na doce ilusão de que o passado já passou, mas muitos simplesmente não percebem.

O futuro pode ser previsto, mas não por miraculosos seres de inspiração divina, que inclusive cobram por suas previsões. Pode sim, porque insistimos em tomar por certo as percepções dos outros, ao invés de nos colocarmos na exata medida que nos permita entender o que está à nossa volta, e continuamos repetindo o que já foi. A simples existência de várias teorias relativamente certas para a mesma coisa, durante períodos distintos da caminhada humana, prova que ninguém possui a completa e indiscutível razão.

Entendemos à medida da nossa maturidade, da nossa capacidade intelectual e moral, mas nos é preciso atenção. Atenção, no seu sentido mais amplo, significa nos colocarmos à disposição de qualquer estímulo, interno ou externo, enxergando-nos como algo sem começo e nem fim, que consegue se misturar ao todo, somente por isto tendo acesso a tudo àquilo que ele representa e é.

Ainda nos parece meio conto de fadas, estórias vindas de um momento de lucidez alcoólica ou algo do gênero, pois falta-nos a maturidade e a inteligência, para que consigamos acima de tudo nos entender. Chegará o dia, entretanto, que não precisaremos nos preocupar com o que vem a ser atenção, a não ser quando nos tornarmos oradores, mestres-alunos repassando o doce conhecimento adquirido pelas várias etapas de nosso crescimento e desenvolvimento.

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