segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dieta do Palhaço

Nos últimos dias temos visto diversas manifestações com focos distintos e pedidos diversos, resumindo-se a um pedido unânime para que o nosso país melhore. Resolvi escrever esse texto para dar a minha contribuição, mesmo que seja apenas para externar o meu ponto de vista sobre parte do problema, sugerindo uma possível solução. Parece que a sociedade percebeu que a Internet não é apenas um mundo paralelo, mas uma ferramenta que pode ser usada para o bem comum, se bem utilizada.

Gostaria de explicar o motivo do título, uma vez que além de estranho, pode gerar múltiplas interpretações. Vi um filme há um tempo cujo título foi traduzido para o nosso idioma como "A dieta do palhaço". É fácil encontrá-lo no Youtube e inclusive o recomendo, para mudança de hábitos alimentares.

Para quem não o viu, resumidamente, o protagonista se propõe a consumir apenas o que esteja disponível no Mac Donalds, para mostrar o efeito do Fastfood na saúde de quem o consome. Como a comida não é das melhores, os efeitos na saúde do ator são os piores. Em paralelo, meu título sugere o mesmo, mas para os nossos candidatos a políticos, dos diversos escalões, que no meu ver nem merecem o conceito de servidores públicos (no entendimento de servirem o povo. Não entro aqui no entendimento legal).

Há um projeto de lei que obriga que os políticos matriculem seus filhos em escola pública, de autoria do Senador Cristovam Buarque. Eu iria além. A exemplo do filme, eu sugiro obrigar que os nossos representantes consumam tudo que o Governo nos provê: educação, saúde, lazer, segurança, impedindo-os de contratar serviços de terceiros, como atendimento privado ou mesmo planos de saúde, segurança e demais serviços que sejam oferecidos pelo Governo. Em acréscimo, que o acesso às posições representativas sejam feitas em etapa de seleção com prova escrita, que antecederia às eleições.

Muitos dos nossos representantes representam-se a si próprios, sem condições de fazer nem isso. Já foi provado que se fosse exigida uma prova básica, a maioria não teria condições de se eleger. Aos que acham burocracia, lembro-lhes de que o acesso aos demais cargos públicos é feito da mesma maneira, com provas escritas e, dependendo da complexidade, inclusive com banca oral, com sindicância de vida pregressa, impedindo acesso a quem não deva ter acesso.

Se eu tenho que me sujeitar a essa igualdade e exigências, garantidas pela nossa Constituição, porque eu iria querer que com as pessoas que me representam fosse diferente? Além disso, reforço, essa seleção seria para contratação temporária, seguindo os parâmetros de avaliação da CLT, com possibilidade de perda do cargo, assim como todos nós brasileiros estamos sujeitos.

Não tenho dúvida de o consumo de produtos ruins pelos nossos representantes, assim como nós os consumimos, os faria nos representar melhor, lutando para que esses produtos tivessem a excelência para atender a todos; eles inclusive. Não tenho dúvida de que a escolha dos nossos partidos é questionável, e não há democracia em se escolher cartas marcadas, já previamente escolhidas segundo parâmetros questionáveis.

Aos adeptos dos direitos iguais, deixo claro que não é imposição em se querer que nossos políticos sejam obrigados a regras, pois eles são livres para não se candidatarem e uma vez aceito o edital, o edital é regra, certo? Quando entrei na empresa em que estou, e em todas as outras em que trabalhei, recebi as "regras da casa" e as aceitei, me sujeitando a elas. Acho justo que se faça o mesmo com quem me representa.

As regalias dos nossos políticos pós eleições começam antes das eleições, então mudemos isso. Se forem cortados os acessos a benefício e quem nos representa tiver que trabalhar de verdade, eles pensaram duas vezes em distribuir bolsas diversas que tem apenas um resultado final: o desmerecimento de quem trabalha para manter o circo em pé.

E para encerrar minhas sugestões, gostaria de deixar um recado para todos nós, que consumimos a dieta do palhaço: Não há mudança sem mudança. Usar a escada, enquanto deixamos o elevador para quem precisa, ceder o lugar para os mais velhos e mulheres, quando temos saúde para ficar em pé, não furar a fila, pagar impostos, e tantos outros comportamentos éticos, foram coisas que aprendi quando criança. Se você fura o sinal, rouba tempo de quem te contrata, mente e ensina seus filhos a mentir, entre tantos atos errados que nossos representantes também fazem, em maior ou menor grandeza, que moral você tem para questioná-los?

Que jogue a primeira pedra, aquele limpo de questionamentos e acusações, e me incluo nesse bolo. Não tenho moral para condenar ninguém, então procuro melhorar onde está ao meu alcance. Faça o mesmo, seja correto, seja justo e verdadeiro e, com o tempo, os errados seguirão o seu exemplo, não por imposição, mas por vergonha de tomar o que não lhe pertence sem ter direito a tê-lo.

Um abraço, bons protestos, e que o #AcordaBrasil sirva para alguma coisa a mais do que matar o tempo e ter assunto para conversar.

Um comentário:

Patrícia disse...

Com certeza com uma dieta dessa, teremos a verdadeira politica sendo executada em nosso país, precisamos fazer pelo menos onde estamos o melhor que pudermos cumprir nossa obrigação como ser humano é também politica humana.