quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Meus erros seus. Seus erros meus.

Como é fácil criticar! Doce sabor da reclamação, dirigida aos problemas nossos, que vemos nos outros, mesmo que sob coberturas distintas. Não, não é fácil se corrigir das falhas encrustadas após anos de erros, de desentendimentos e de entregas fáceis aos caminhos errados.

Paciência; a falta dela. Orgulho, gula, inveja, e tantos outros nomes que, para alguns, foram colocados com o nome de pecado. O pior deles, o mais reprovável, não por nós, ainda todos imperfeitos, a incapacidade de entender que não podemos cobrar somente, cobrar os outros enquanto temos tanto a nos corrigir.

Sou falho; somos todos. Sou culpado pela fraqueza que me acompanha, que me torna e já me tornou tantas vezes impotente frente aos desvios que tenho! Sou fraco, mas sou forte, pois que venho continuamente melhorando minhas chagas, de forma que já não mais me deixo controlar por elas; não, não o tempo todo.

Ainda falta muito, e disso eu também sei. Sei que uma caminhada não se faz por um passo, mas por vários, e que os tropeços do caminho estragam as sandálias, machucam os pés, mas tornam valoroza a chegada, e comemorativas as conquistas, por menores que sejam. Serão grandes; sim, grandes pois que seremos nós mesmos grandes, mas não agora. Porque o hoje não é o momento da colheita, mas da semeadura, dura tarefa ininterrupta, em que nos carregamos juntos, apoiando-nos quando aparecem os desastres.

Sou assim, errado nos meus erros que existem em vós. Sois assim, errados nos meus erros, pois que viemos, independente da crença e da nossa limitada compreensão, de algum lugar semelhante que nos torna irmãos. Irmãos no espírito, que não se largam mas sim acompanham os passos, apoiando e nunca desistindo um do outro e, em alguns momentos, escolhendo-nos parceiros de jornada.

E assim escolhi você, porque vi um ponto forte, porque me senti um apoio forte para ti. Escolhi sua fortaleza e suas fraquezas, por mais que me machuquem, porque sei que sem elas você não é completa. Escolhi sua dolicidade, mas acabei levando de presente os momentos em que a paciência se esgota, e que a esperança se esvai. Escolhi, e, portanto, é minha a responsabilidade pelo que colho, e a convicção de que, assim como tenho defeitos, tens também, e, portanto, tenho o direito de te apoiar.

Escolha mútua, escolhas individuais. Fardos divididos, tantas outras vezes não, mas de benefícios incalculáveis, pois por isso preciso de você. Preciso da sua força, da docilidade que me encantou e me encanta; os olhos, os lábios, o coração. Preciso da compreensão, e sei que disso também necessitas, e por isso também me ofereço, por completo, para que juntos sejamos mais, melhores, não perfeitos, mas à caminho da perfeição.

As glórias? Sim, elas virão, mas não terão o mesmo sabor se estivermos sós, porque, há tempos, nos propusemos juntos, unos e nossas unicidades, indivisíveis no nosso amor. Meus erros seus. Seus erros meus. Sou todo seu, e você toda minha, e quero-te, por completo, em toda a sua complexidade.

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