segunda-feira, 25 de junho de 2018

A arte de manter a calma

Nem sempre as coisas dão certo nas 24 horas do dia. Nem sempre as coisas parecem estar dando certo durante a nossa trajetória. Nem sempre os caminhos parecem surgir lindos e maravilhosos, cheios de lugares para descanso, água limpa, pessoas agradáveis e muita auto disposição para uma caminhada ao ar livre. Dizem que a única certeza é que algo pode dar errado e aí inventaram um termo bonito: gerenciamento de risco. Nada mais é do que prever todas as falhas possíveis e se preparar para elas. Como ganho, prever também tudo o que pode dar certo, para poder maximizar as coisas boas.

Quem nunca se preparou para uma prova e na hora teve o famoso "branco", não sabe o que é desespero! Antes que me condenem, sim, tem muita coisa que gera desespero e esse exemplo foi apenas ilustrativo; voltemos ao pensamento. Você estudou, se preparou, se alimentou direito, fez exercícios (físicos e sobre a matéria), mas na hora de colocar em prática ficou tão nervoso que tudo foi por água abaixo. Já me perguntaram, em situações difíceis, como eu estava dando conta. A resposta foi simples: não tenho outra opção. Nas horas em que não vemos opção, senão a de seguir em frente, é que as coisas ficam mais claras e a calma nos toma o ser, tornando simples tomar uma decisão que para todas as outras pessoas parece impossível.

Não me lembro de ver casos de sucesso em que o ator do problema tenha se descabelado a ponto de não saber o que fazer. Na grande maioria dos casos, para não dizer na totalidade, os relatos são de serenidade, mesmo diante de pressão. Lembro-se de um professor de faculdade que nos recomendou "espanarmos a rosca". Explicou ele, diante da perplexidade da turma, que quando se aperta um parafuso, em um determinado momento não dá mais aperto, mas se continuarmos apertando ele espanará a rosca, girando em falso e, mesmo após aumentar a pressão, ele permanecerá do mesmo jeito. Ou seja, temos que aprender a lidar com as situações de pressão, sem nos alterarmos, para que possamos tomar as decisões com inteligência, razão, ou sei lá, só com calma mesmo.

Mas como desenvolver isso? Acho que não há mágicas, pois cada um somos de um jeito. Mas há recomendações populares, que acho que podem nos ajudar; pelo menos algumas eu já consegui colocar em prática e a melhoria foi significativa. Começo com uma que eu não consegui ainda utilizar, que é a meditação. Ela permite colocar os pensamentos em linha, ver as coisas com mais clareza e acalmar o seu interior. Ter uma alimentação boa, fazer exercícios, ter momentos de lazer, ter um hobbie, sem se esquecer de se preparar (como ter calma com algo que precisa ser feito mas que você não domina?). É preciso estar preparado quando as oportunidades aparecem, e isso sim é ter sorte. Nesse momento ideal, de preparação com oportunidade, a realização acontecerá com naturalidade e as causas do desespero serão bem menores.

Mas há uma recomendação, ou uma observação que me foi feita há um tempo, que carrego como mantra, por assim dizer. Em meio à correria do trabalho, a observação paterna veio de encontro como luz de socorro: "filho, reveja como está lidando com as coisas, porque se você sair da empresa, outro ocupará o seu lugar, mas se você faltar em casa, ninguém o substituirá". Tenho por certo que devemos sempre evoluir os ensinamentos dos nossos pais, e hoje digo que sim, se você faltar será substituído, porque a vida continua. Então o importante na correria do dia a dia, seja ela em que ambiente for, é entender que você precisa aproveitar o agora, realizar suas realizações, e se faltar algo para amanhã, que seja feito amanhã.

Você não vai morrer se deixar de entregar um relatório, se perder um romance, se deixar de ficar rico, se não passar naquela prova ou se deixar de ter alguma posse material. Você não vai ser melhor ou pior se entregar tudo o que precisa ser feito hoje, simplesmente porque amanhã terá mais, e isso é fato! Mas uma coisa é certa: você vai deixar de viver as oportunidades e vai deixar muitas passarem se não tiver a calma e o entendimento do equilíbrio. É preciso cuidar primeiro de si mesmo, e após isso, cuidar do seu hobbie, do seu trabalho, da sua família e dos seus amigos, do seu projeto de vida e do seu aprendizado; tudo um pouco de cada, aproveitando o melhor de cada oportunidade.

Claro que um milhão de reais à mais pode parecer a solução dos problemas, então vamos correr atrás do trabalho. Mas se você não tiver tempo para as coisas e pessoas que gosta, ou mesmo gastar a sua saúde nisso, será que vale à pena? Eu acho que não e essa opinião é minha. Talvez de mais trabalho, materialmente falando, talvez não. Mas isso lhe dará a calma para tomar decisões e a tranquilidade para entender que se algo está negativo, com um pouco de esforço você com certeza vai dar a volta por cima.

Mantenha a calma! Se você tem um problema e ele tem solução, então não há porque se desesperar. Se ele não tem solução, essa é a solução; porque se desesperar? Mantenha a calma para achar outros caminhos, outros trabalhos, outros amores ou mesmo outra solução que você não tenha visto. Porque mais importante do que conquistar, é curtir a conquista, com a calma e a tranquilidade de uma criança, que brinca sem ter problemas, não porque eles não existam, mas porque para ela, o importante é brincar.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Em quem você confia?

Eu estava escrevendo outra coisa, mas o tema não deslanchou. Voltei pois ao pensamento e me lembrei de uma palestra de ontem, em um ambiente que me traz muita reflexão. Afinal de contas foi a isso que me propus aqui. Alguns vão entender a costumeira recomendação: "confiar nem no papai". Ou então vão se lembrar do comentário: "o seguro morreu de velho e o desconfiado ainda está vivo". Lembrei-me de algumas coisas ditas ontem e me veio a pergunta: Em quem você confia?

É muito fácil encontrar dificuldades, encontrar obstáculos para as mais diversas realizações. Tudo é difícil quando assim intentamos que seja. Vi em um vídeo há um tempo um comentário sobre usarmos desculpa de não alcançarmos os nossos objetivos, enquanto outros alcançam, porque eles não têm filhos, porque eles têm dinheiro, têm tempo e têm tantas outras coisas. Mas e aí? O que eu posso fazer a respeito? Lamentar o menor tempo que tenho ou otimizar a realização do que me sobra? "Eu daria a vida para tocar piano como você". "Pois é, eu dei!"; mais uma história que se ouve.

Os livros, as novelas, os filmes, todos estão repletos de exemplo de realizações e de insucessos, com suas causas e seus caminhos de solução. Às vezes nos passam as idéias à nossa frente, aos nossos olhos, e somos incapazes de percebê-las, porque simplesmente não confiamos em quem dizemos confiar. E, na lista prioritária das pessoas que merecem o nosso respeito e consideração, a nossa mais estimada confiança, quem colocaríamos no topo? Pergunte aos que conquistaram o mundo, e eles lhes dirão que confiaram que eram capazes. Que tiveram medo, que em alguns momentos talvez tenham duvidado, mas confiaram que conseguiriam.

Confie em si mesmo. Se tiver dúvida, leia de novo! Nós temos todas as respostas à nossa volta, bastando um momento de clareza para que consigamos concatenar as peças do quebra-cabeças, juntando os pontos e entendendo que nós podemos. Confie em si, para que possa confiar nos outros. Temos amigos, temos pais, temos gurus, temos guias que nos encaminham para onde queremos, porque a nossa vontade é o que nos move. "O que você quer que eu lhe diga? Não importa o que eu lhe fale, a decisão terá que ser sua". Foi a resposta que recebi há uns anos ao consultar uma pessoa estimada sobre uma tomada de decisão.

Pode parecer confuso misturar confiança com entendimento sobre auto-responsabilidade. Na verdade gostamos de ouvir que tudo vai se resolver sem que precisemos nos preocupar, sem que precisemos nos comprometer, mas infelizmente, ou felizmente, não é assim que funciona. A confiança reside sobre a compreensão de que é possível, do entendimento de que tudo será alcançado, embora muitas coisas demandarão esforço extra e um tempo a mais para se concretizar.

Em quem você confia? Espero que a primeira resposta seja: "em mim". Isso é o começo para que as coisas comecem a florescer, de forma que as idéias lhe fervilhem à mente, como se você fosse capaz de mudar o mundo; Pasmém! Você é! Parafraseando o nome dessa página, reflexões, reflexões e mais reflexões. É disso que precisamos em um mundo cada vez mais passivo, em que as crianças não criam mais seus próprios brinquedos.

Não entendo muito sobre meditação, mas espero um dia. Mas em um dos propósitos sempre citados, de conversar consigo mesmo, eu vi o que não tinha visto, e achei um caminho possível. Talvez seja só isso que precisemos para dar o próximo passo: um caminho possível. E saiba que, diante de tantas idéias passando e tantos conselhos passando, eu confio, e agradeço pela sua companhia nesse caminho possível. Nos vemos na caminhada, entre idéias e ações, na confiança da realização.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Respeito, não igualdade!

Dias atrás eu vinha para o trabalho, observando as coisas acontecerem enquanto o ônibus percorria seu habitual caminho. Pensei em escrever no mesmo dia, mas o dia se passou e a escrita não veio. Escrevo, pois, essas letras, na intenção de recuperar um pouco da reflexão feita no dia; no trajeto. Reforço que as opiniões são diversas e inclusive isso é o belo nas reflexões, uma vez que podemos avaliar os ditos alheios e confrontá-los aos nossos próprios, na construção e desconstrução do conhecimento, do autoconhecimento e da criação de novos entendimentos, sejam eles mútuos ou não. Se o leitor, pois, discordar das minhas linhas, sinta-se à vontade para dialogar nos comentários, pois estaremos deixando debate aos futuros leitores, para que então se decidam por si próprios.

O Brasil é um País de diversidades, formado por raízes diferentes desde as culturas ao DNA. É estranho, pelo menos para mim, entender desejos de igualdade, em um ambiente rico devido às suas diferenças. Preto, branco, amarelo, vermelho, homem, mulher, alto e baixo, cabeludo e careca, essa ou aquela religião. Eu poderia passar o dia citando diferenças, e a cada uma delas haveria material para escrever várias enciclopédias (ou páginas do wikipédia, se quiser atualizar o tema). Como, diante de tudo isso, militar pela igualdade?

Meus pais me ensinaram desde cedo a respeitar os mais velhos, a dar lugar às mulheres, a deixar que elas passem na frente, mas se for descer as escadas que o homem tome a frente, pois que se houver desequilíbrio ele poderá sustentá-la. Me ensinou a ver nas pessoas o que elas são, e não o que tem nos bolsos ou como se vestem, e me mostraram que a faxina tem o seu papel na organização social, assim como o tem os médicos. Cresci na compreensão de que tudo tem sua importância e tudo merece respeito, mesmo que por vezes eu tenha me esquecido das lições do berço, pois, usando uma desculpa qualquer "errar é humano".

Seria então o respeito sinônimo de igualdade? Por certo que não. E nessa minha certeza, me incomodo em todas as viagens de ônibus, ao ver marmanjos correndo por cima das mulheres a se sentarem disfarçados olhando para o lado, enquanto as moças e velhas continuam em pé. Por vezes entro no ônibus e vejo poltronas vazias, mas não me permito sentar, pois que pode haver uma mulher a entrar no ônibus, ou uma pessoa idosa que precisará do assento mais do que eu. Estariam eles errados na atitude? Sim e não.

Primeiro gostaria de deixar claro que para mim não estão, pois não entendo as justificativas. Seguindo a ética, o certo será sempre certo e o errado será sempre errado. Essa é a minha razão. Mas na sociedade não é a razão que prevalece, mas a moral, e essa tem parte da sua essência no que é aceito socialmente. E nesse ponto, que me incomoda e deve incomodar a muitos outros, o pedido geral não é de respeito, mas de igualdade. E se somos iguais, não existem mulheres e homens, jovens e velhos, pretos e brancos (se é que isso existe no Brasil diante de tanta mistura). Existe sim um mesmo espaço, em que a disputa é feita de forma selvagem, como se animais fôssemos, sem nos ocuparmos em preocupações "fúteis" do entendimento do que é respeito ou educação básica.

Mas porque a referência ao ônibus? Porque ele é um micro ambiente que se propaga e reflete a nossa sociedade. Uma sociedade que reclama do outro mas se esquece do seu papel. Que aponta o dedo para o Governo, que existe respeito e atenção, mas é incapaz de dar lugar àqueles que precisam mais, que é incapaz de ser gentil, de se cumprimentar no começo do dia e gerar as relações sociais que antes existiam. No ônibus existem pessoas, grande parte conectadas aos seus celulares, alienadas ao que ocorre em volta, somente esperando o tempo passar para descer no próximo ponto, ou no próximo, ou no próximo.

Essa é a minha razão: não acredito que homens e mulheres são iguais, não acredito que a cor nos defina e deva nos garantir cotas ou bolsas, não acredito que o dinheiro seja o recheio do bolo, embora garanta uma cobertura mais bonita. Acredito que devamos buscar o respeito, como era ensinado no passado. Conservadorismo? Sim, mas na sua essência boa. Porque a discriminação, os maus tratos ao sexo oposto, o desrespeito às religiões e tantas outras coisas, não são falta de igualdade, mas de respeito.

Da próxima vez que entrar em algum lugar, podendo ser um ônibus, lembre-se do meu ponto de vista. Se você for homem, lembre-se que não somos iguais às mulheres, que se for jovem você ainda vai ser velho, que se for rico, pode um dia ficar pobre, e vice-versa. Use a empatia, colocando-se no lugar do outro, e se questione como gostaria de ser tratado. Talvez isso não pague suas contas, não resolva todos os seus problemas e, com certeza, não vai resolver todos os problemas sociais hoje. Não tenho dúvida, porém, que é através da educação e do respeito, que ofereceremos aos nossos filhos e netos uma sociedade melhor e, pelo para mim, isso já vale muito à pena.

domingo, 22 de abril de 2018

Desenferrujando

Mais uma vez, tem tempo que não escrevo. Isso aqui passou de um caso da rotina para um colega distante que fez ou outra retorna para batermos um papo. Coisas da pressa da vida, que a vê em si mesma passando sem retorno.

Acabei de ver uma entrevista do Silvio Santos; rever seria o correto. Inspiração ainda viva de que o excesso de dinheiro e bom sucesso não deve ser motivo para deixar as coisas simples de lado. Alguém já construiu uma boa casa sem um bom alicerce? Não são os móveis de luxo que sustentam a casa!

Estou ainda na construção do meu, para conseguir plantar a minha árvore. Vez ou outra mudo o sentido das coisas sem mudar nada, seguindo o caminho tentando não pegar atalhos. Não é fácil entender-se a si mesmo e formar suas próprias conclusões.

Coloquei o nome nesse caderno de reflexões, desde o início, porque era o que eu precisava, o que eu queria fazer e o que acho que faltava nas pessoas na época; ainda falta. Queria deixar minha contribuição porque acho que não falta dinheiro às pessoas, mas refletir, pensar e gerar pensamento, falta muito.

Mas são apenas palavras gerando palavras, pensamentos em busca de pensamentos, que porventura possam trazer clareza ao meu pensamento. Eu já usei muitos ditados nesse blog, e hoje tenho um amigo que gosta deles. Interessante os caminhos traçados.

"Só sei que nada sei"; meu favorito. Reflete sabedoria e humildade, além de, sobretudo, autoconhecimento. "Não li e não lerei"; não é um diatado mas tenho usado muito nos grupos de bate-papo, quando inúmeras mensagens são colocadas ao vento.

"Um homem só é completo quando planta uma árvore, cria um filho homem e escreve um livro". Eu diria que os três projetos estão em andamento, na certeza de que serão concretizados.

Quanto a não ler, eu não costumo voltar e reler as letras acima antes de salvar. Logo, se notar alguma falha, "que jogue a primeira pedra".