terça-feira, 13 de outubro de 2015

Educadores

Em uma pesquisa no dicionário sobre os termos educação e educar, tiro como parte do entendimento a condução do indivíduo ao aperfeiçoamento intelectual e moral. Moral, que no meu entendimento deriva da ética, aplicada à sociedade, e se traduz nos bons costumes, nas atitudes que seriam aceitas como corretas para o comportamento humano em sociedade.

Diante disto, assumo papel de educador, considerando a responsabilidade tripla de pai, responsável por conduzir os filhos a um estágio evolutivo melhor, no que tange ao comportamento em sociedade. Também pelo contato en sociedade, entendo a minha responsabilidade de educador nas várias relações diárias, visto minhas atitudes terem relação direta na vida de várias pessoas.

Acredito sim em educar somente por palavras, mas a fixação é limitada e não é método de aplicação geral. É como educação à distância; tem o público certo. Vejo educação como o ensino pelo exemplo, podendo voltar aos meus três educandos primários, que me assistem e me copiam.

A nossa sociedade de títulos parece ter se esquecido da importância da educação na formação do caráter e na melhoria da própria sociedade. Não se dá conta das implicações dos atos e palavras, jogando exemplos ao vento, sem se preocupar se são positivos ou negativos.

E agora explico a motivação do texto, para que não seja entendido como pensamento dentro do próprio pensamento, sem proveito algum. Nos últimos dias um assunto viralizou (terminologia moderna) nas diversas mídias, com julgamento sobre uma atitude do cotidiano.

Partindo direto ao questionamento, é certo ou errado subtrair o que não lhe pertence? Não questiono o outro lado da moeda, pois que o princípio da razoabilidade em si já qualifica o abuso na utilização da máquina pública para coibir o ato de erro humano. Todavia, e o ensejo à reflexão que vejo desperdiçado?

O que me vem à cabeça ao explicar aos meus filhos que posso pegar um chocolate alheio, com a desculpa do valor insignificante, é que os educarei para seguirem meu exemplo. E dado o conceito subjetivo de valor, como determinar o que é muito ou pouco?

Certo é, que os meus três, assim como os quatro dela, assim como os milhares que viram algo sobre a notícia, entenderão que, diante da aceitação pública, apenas um chocolate não tem problema. Entendendo moral como bons costumes da sociedade, para a atualidade está certo; e isto preocupa.

Não é certo e nunca será, e talvez os organizadores da "operação sonho de valsa" deveriam pensar que se todos estão dispostos a doar um bombom, multiplicando pela nossa população, estaríamos dispostos a doar milhões, no que nos resta a impotência para reclamar dos desvios que afetam saúde, educação e tantas outras áreas sociais.

Não é exagero, mas sim a lógica. Para mim o pouco é um bombom, para você possa ser uma caixa deles e por aí vai. Bom, no que me compete, não estou disposto a doar um bombom, e acho que para o dono qualquer clips faz falta. Se não fizer ou for de sua vontade, que dê, mas que não lhe tomem, seja na sua presença ou ausência.

Preocupe-mo-nos com os nossos exemplos e juízos de valor, porque somos educadores pelo exemplo todo o tempo. Lembremo-nos que os grandes montantes começam nas migalhas, para entendermos que não há diferença entre os pequenos e grandes roubos.

E se algum dia eu lhe roubar nas pequenas coisas, sinta-se à vontade para me avisar por justa causa, pois prefiro ser educado, mesmo que nos erros, a seguir achando que existem falhas aceitáveis, por serem de valor reduzido. Assim posso me corrigir e educar também corretamente.