segunda-feira, 6 de maio de 2013

Meios de comunicação

Me perdoem se o título não refletir o conteúdo com fidelidade; tentei encontrar o melhor que o expressasse, mas confesso que não me satisfiz 100% com ele. Não tenho escrito diariamente, como já fiz, mas me motivei a fazê-lo hoje, por algo que já me incomoda há um tempo considerável.

Sendo pessimista, vivemos em um mundo cheio de coisas ruins; sempre foi assim e acredito que sempre será. Todavia, agora sendo otimista e grato, nos colocaram em um mundo com maravilhas incontáveis, que nos encantam os sentidos todos os dias, coisas dignas de lágrimas de felicidade ao contato e de tristeza quando da ausência.

Dito isto, gostaria de conseguir compreender porque os meios de comunicação mantém foco total nas desgraças do dia a dia, não se satisfazendo apenas em comentar, mas, utilizando-se da tecnologia hoje disponível, fazendo questão de nos mostrar, em fotos e vídeos coloridos.

Não sou adepto da falta de informação; longe disto. Mas, sendo sinceros, o que nos acrescenta ver um vídeo de uma criança sendo baleada na cabeça? Morte, sangue, decapitação, e tantas outras representações dos piores sentimentos humanos, sendo retratados por profissionais que parecem estar apenas comentando sobre o tempo, sobre a temperatura, se choveu ou não.

Tenho amigos e amigas dos meios de comunicação. Pessoas sensatas, com sensibilidade, inteligentes e tantas outras boas características que me fazem questionar se a razão de tanta frieza e demonstração do negativo está nos profissionais ou naqueles donos e chefes que conduzem a máquina por cima.

Não são os meios de comunicação que são negativos. Não é a tecnologia que nos deixa frios e nos afasta dos vizinhos, dos parentes e da sensibilidade do que nos faz entender o que acresce e o que apenas deveria ser deixado de lado. A sua utilização é que é o detalhe de toda a maldade. E, como fiz e faço tantas vezes, quando mudo de canal para não ver algo que não acrescenta em nada na minha vida, quanto ao vídeo que comentei lá em cima, fiz questão de abaixar a cabeça para não ver nada.

Tenho um filho de um ano e cinco meses, e tenho procurado manter os desenhos de bebê porque ele gosta e porque não há opção. Ao invés de filmes alegres e comédias, ou mesmo de um romance ou um filme político ou, sei lá, algo que nos faça pensar e amadurecer, mesmo nos filmes só há terror e morte.

Não acho que eu simplesmente não tive isso quando era criança. Tive sim. A diferença é que havia filtros, pelo menos para mim houve. E acho, alias, tenho convicção e certeza, de que os meios de comunicação são fundamentais para comunicar, integrar os povos, as idéias e gerar crescimento do ser humano, mas deveriam ser mais utilizados para isso, do que mostrar o ruim apenas.

Mas isso é a realidade, é o que dizem. E as novelas deveriam ser o lúdico, mas seguem o mesmo caminho. E onde fica a arte? Virou a arte do ódio, da tristeza, do terror? É um dos lados. Mas só existe esse lado? Não tenho argumentos para explicar tudo isso. Só tenho a puritana esperança de que isso mude. Quem sabe assim possamos ter orgulho de falhar que o Homem evoluiu, que ele criou novidades, que ele desenvolveu tecnologia que fez bem a alguém.

Aos condutores desses maravilhosos aparelhos de integração social, peço que reflitam o porquê de tantas notícias ruins e, principalmente, do seu papel nisso tudo. Se elas aumentam, em grande parte, é porque conta do estímulo audiovisual que vocês nos fornecem.

Aos pais, educadores e demais pessoas, não peço protesto, mas bom senso. Ainda há programas bons, ainda há conteúdo edificante. Não se trata de desligar o que nos traz o bem, mas de escolher o que convém e o que deve ser deixado, para que os que estão vindo, como meu filho e tantos outros, possam ser edificados e transformados em pessoas justas, verdadeiras e éticas, pois nosso mundo está precisando disso.