segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ano Novo. Caderno Novo.

Dizem que inspiração não tem hora para aparecer. Aqui estou eu, duas e meia da manhã, escrevendo um texto em uma telinha, porque a minha me acordou e não quer me deixar dormir. Conferi o dia: 31/12; último dia do ano.

Amanhã começa uma nova etapa de 365 dias nas nossas vidas. Ganharemos um caderno novo de 365 páginas, para escrever, ou quem sabe reescrever, uma bela redação. Alguns de nós seremos presenteados com páginas em branco, outros com linhas, talvez com capa ou mesmo sem ela. Em comum, a possibilidade de nos colocarmos em cada página.

Como faremos isso? Sugiro que pensem antes de escrever. A escrita a lápis pode ser apagada, mas a marca do lápis permanece impressa na folha. A escrita a caneta pode ser rabiscada, mas você saberá o que havia por trás do rabisco; pelo menos por um tempo. Procure fazer uma letra bonita, seja organizado, sem manchas ou sujeira, porque outras pessoas vão ler sua história.

Eu lhe diria para fazer uma obra de arte, cheia de encanto, magia, aventura, romance e vários gêneros misturados. São muitas páginas, use sua imaginação! Mas use, porque ao virar as páginas e escrever novas, para manter a sequência da leitura, as páginas que passaram ficarão em branco.

Então eu lhe diria, acima de tudo, escreva. Nenhuma obra de arte fica pronta no rascunho e é preciso colocar as idéias para fora. Use as linhas; serão vinte e quatro por página. Talvez você escreva na segunda, talvez somente após a décima segunda, mas se não  rabiscar nada, lá se irá mais uma página em branco.

Rascunhos, rabiscos, desenhos, porquê não? Uma borracha aqui, um retorno de pensamento ali, e você chegará na última página, como essa. Deixe sua mensagem, para que ela possa ser lida. Se você não se fizer lembrar, ninguém se lembrará.

Curioso que ganharemos o caderno, mas e os lápis? A caneta? As tintas? A inspiração? Bom, nada vem tão de graça. Corra atrás do material da sua história. Mas repito: não deixe de escrever, pois sua história com certeza será lida, mesmo que você não se dê conta disso.

Desejo a todos alegria, crescimento pessoal, material e espiritual. Desejo que no meio às madrugadas sua inspiração lhe acorde e lhe faça criar; e também ao longo do dia. Desejo que ao final das trezentos e sessenta e cinco páginas do caderno que ganhará amanhã, você tenha a certeza não de que fez uma obra de arte, mas de que você aproveitou as oportunidades que teve para se escrever. Porque a parte mais doce de cada conquista é o caminho que se percorre para que ela se torne realidade.

Feliz 2013, Feliz 2014 e que sejamos felizes!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dieta do Palhaço

Nos últimos dias temos visto diversas manifestações com focos distintos e pedidos diversos, resumindo-se a um pedido unânime para que o nosso país melhore. Resolvi escrever esse texto para dar a minha contribuição, mesmo que seja apenas para externar o meu ponto de vista sobre parte do problema, sugerindo uma possível solução. Parece que a sociedade percebeu que a Internet não é apenas um mundo paralelo, mas uma ferramenta que pode ser usada para o bem comum, se bem utilizada.

Gostaria de explicar o motivo do título, uma vez que além de estranho, pode gerar múltiplas interpretações. Vi um filme há um tempo cujo título foi traduzido para o nosso idioma como "A dieta do palhaço". É fácil encontrá-lo no Youtube e inclusive o recomendo, para mudança de hábitos alimentares.

Para quem não o viu, resumidamente, o protagonista se propõe a consumir apenas o que esteja disponível no Mac Donalds, para mostrar o efeito do Fastfood na saúde de quem o consome. Como a comida não é das melhores, os efeitos na saúde do ator são os piores. Em paralelo, meu título sugere o mesmo, mas para os nossos candidatos a políticos, dos diversos escalões, que no meu ver nem merecem o conceito de servidores públicos (no entendimento de servirem o povo. Não entro aqui no entendimento legal).

Há um projeto de lei que obriga que os políticos matriculem seus filhos em escola pública, de autoria do Senador Cristovam Buarque. Eu iria além. A exemplo do filme, eu sugiro obrigar que os nossos representantes consumam tudo que o Governo nos provê: educação, saúde, lazer, segurança, impedindo-os de contratar serviços de terceiros, como atendimento privado ou mesmo planos de saúde, segurança e demais serviços que sejam oferecidos pelo Governo. Em acréscimo, que o acesso às posições representativas sejam feitas em etapa de seleção com prova escrita, que antecederia às eleições.

Muitos dos nossos representantes representam-se a si próprios, sem condições de fazer nem isso. Já foi provado que se fosse exigida uma prova básica, a maioria não teria condições de se eleger. Aos que acham burocracia, lembro-lhes de que o acesso aos demais cargos públicos é feito da mesma maneira, com provas escritas e, dependendo da complexidade, inclusive com banca oral, com sindicância de vida pregressa, impedindo acesso a quem não deva ter acesso.

Se eu tenho que me sujeitar a essa igualdade e exigências, garantidas pela nossa Constituição, porque eu iria querer que com as pessoas que me representam fosse diferente? Além disso, reforço, essa seleção seria para contratação temporária, seguindo os parâmetros de avaliação da CLT, com possibilidade de perda do cargo, assim como todos nós brasileiros estamos sujeitos.

Não tenho dúvida de o consumo de produtos ruins pelos nossos representantes, assim como nós os consumimos, os faria nos representar melhor, lutando para que esses produtos tivessem a excelência para atender a todos; eles inclusive. Não tenho dúvida de que a escolha dos nossos partidos é questionável, e não há democracia em se escolher cartas marcadas, já previamente escolhidas segundo parâmetros questionáveis.

Aos adeptos dos direitos iguais, deixo claro que não é imposição em se querer que nossos políticos sejam obrigados a regras, pois eles são livres para não se candidatarem e uma vez aceito o edital, o edital é regra, certo? Quando entrei na empresa em que estou, e em todas as outras em que trabalhei, recebi as "regras da casa" e as aceitei, me sujeitando a elas. Acho justo que se faça o mesmo com quem me representa.

As regalias dos nossos políticos pós eleições começam antes das eleições, então mudemos isso. Se forem cortados os acessos a benefício e quem nos representa tiver que trabalhar de verdade, eles pensaram duas vezes em distribuir bolsas diversas que tem apenas um resultado final: o desmerecimento de quem trabalha para manter o circo em pé.

E para encerrar minhas sugestões, gostaria de deixar um recado para todos nós, que consumimos a dieta do palhaço: Não há mudança sem mudança. Usar a escada, enquanto deixamos o elevador para quem precisa, ceder o lugar para os mais velhos e mulheres, quando temos saúde para ficar em pé, não furar a fila, pagar impostos, e tantos outros comportamentos éticos, foram coisas que aprendi quando criança. Se você fura o sinal, rouba tempo de quem te contrata, mente e ensina seus filhos a mentir, entre tantos atos errados que nossos representantes também fazem, em maior ou menor grandeza, que moral você tem para questioná-los?

Que jogue a primeira pedra, aquele limpo de questionamentos e acusações, e me incluo nesse bolo. Não tenho moral para condenar ninguém, então procuro melhorar onde está ao meu alcance. Faça o mesmo, seja correto, seja justo e verdadeiro e, com o tempo, os errados seguirão o seu exemplo, não por imposição, mas por vergonha de tomar o que não lhe pertence sem ter direito a tê-lo.

Um abraço, bons protestos, e que o #AcordaBrasil sirva para alguma coisa a mais do que matar o tempo e ter assunto para conversar.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Meios de comunicação

Me perdoem se o título não refletir o conteúdo com fidelidade; tentei encontrar o melhor que o expressasse, mas confesso que não me satisfiz 100% com ele. Não tenho escrito diariamente, como já fiz, mas me motivei a fazê-lo hoje, por algo que já me incomoda há um tempo considerável.

Sendo pessimista, vivemos em um mundo cheio de coisas ruins; sempre foi assim e acredito que sempre será. Todavia, agora sendo otimista e grato, nos colocaram em um mundo com maravilhas incontáveis, que nos encantam os sentidos todos os dias, coisas dignas de lágrimas de felicidade ao contato e de tristeza quando da ausência.

Dito isto, gostaria de conseguir compreender porque os meios de comunicação mantém foco total nas desgraças do dia a dia, não se satisfazendo apenas em comentar, mas, utilizando-se da tecnologia hoje disponível, fazendo questão de nos mostrar, em fotos e vídeos coloridos.

Não sou adepto da falta de informação; longe disto. Mas, sendo sinceros, o que nos acrescenta ver um vídeo de uma criança sendo baleada na cabeça? Morte, sangue, decapitação, e tantas outras representações dos piores sentimentos humanos, sendo retratados por profissionais que parecem estar apenas comentando sobre o tempo, sobre a temperatura, se choveu ou não.

Tenho amigos e amigas dos meios de comunicação. Pessoas sensatas, com sensibilidade, inteligentes e tantas outras boas características que me fazem questionar se a razão de tanta frieza e demonstração do negativo está nos profissionais ou naqueles donos e chefes que conduzem a máquina por cima.

Não são os meios de comunicação que são negativos. Não é a tecnologia que nos deixa frios e nos afasta dos vizinhos, dos parentes e da sensibilidade do que nos faz entender o que acresce e o que apenas deveria ser deixado de lado. A sua utilização é que é o detalhe de toda a maldade. E, como fiz e faço tantas vezes, quando mudo de canal para não ver algo que não acrescenta em nada na minha vida, quanto ao vídeo que comentei lá em cima, fiz questão de abaixar a cabeça para não ver nada.

Tenho um filho de um ano e cinco meses, e tenho procurado manter os desenhos de bebê porque ele gosta e porque não há opção. Ao invés de filmes alegres e comédias, ou mesmo de um romance ou um filme político ou, sei lá, algo que nos faça pensar e amadurecer, mesmo nos filmes só há terror e morte.

Não acho que eu simplesmente não tive isso quando era criança. Tive sim. A diferença é que havia filtros, pelo menos para mim houve. E acho, alias, tenho convicção e certeza, de que os meios de comunicação são fundamentais para comunicar, integrar os povos, as idéias e gerar crescimento do ser humano, mas deveriam ser mais utilizados para isso, do que mostrar o ruim apenas.

Mas isso é a realidade, é o que dizem. E as novelas deveriam ser o lúdico, mas seguem o mesmo caminho. E onde fica a arte? Virou a arte do ódio, da tristeza, do terror? É um dos lados. Mas só existe esse lado? Não tenho argumentos para explicar tudo isso. Só tenho a puritana esperança de que isso mude. Quem sabe assim possamos ter orgulho de falhar que o Homem evoluiu, que ele criou novidades, que ele desenvolveu tecnologia que fez bem a alguém.

Aos condutores desses maravilhosos aparelhos de integração social, peço que reflitam o porquê de tantas notícias ruins e, principalmente, do seu papel nisso tudo. Se elas aumentam, em grande parte, é porque conta do estímulo audiovisual que vocês nos fornecem.

Aos pais, educadores e demais pessoas, não peço protesto, mas bom senso. Ainda há programas bons, ainda há conteúdo edificante. Não se trata de desligar o que nos traz o bem, mas de escolher o que convém e o que deve ser deixado, para que os que estão vindo, como meu filho e tantos outros, possam ser edificados e transformados em pessoas justas, verdadeiras e éticas, pois nosso mundo está precisando disso.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Reconstrução

Estou em obras.

Eu confesso que ia completar o primeiro parágrafo e pelas normas que me ensinaram não se faz um parágrafo introdutório de um texto com apenas uma frase. Mas depois de escrevê-la, fiquei pensando e acho interessante essa confissão depois de tantos anos de consciência. Estamos em obras, pois tudo muda e é preciso acompanhar.

Sei lá onde eu li uma vez um escrito assim: "antes eu era menino e pensava e agia como menino. E aí me tornei homem, passando a pensar e agir como homem". Eu diria que estou no processo; estou naquele meio do caminho em que a gente fica analisando as coisas como foram e como poderiam ter sido, mas na certeza de que não podemos parar o processo para pensar, porque precisamos que elas sejam para que se tornem algo, algum dia, de preferência hoje mesmo.

Para quem me conhece a mais tempo sabe que eu mudei muito, mas não mudei nada. Nada diferente das outras pessoas, que tentam ser diferentes o tempo inteiro e acabam descobrindo que são nada mais que uma peça no meio da multidão. E em uma dessas frases motivacionais que li por ai, que agora são ilustradas por figuras e mais figuras na nova mídia social, reaprendi que temos que ser melhores do que fomos ontem, e não melhores que mais ninguém.

Há tempos virei construtor de mim mesmo e como um desenhista que rabisca e joga vários rascunhos fora até chegar à perfeição, eu às vezes volto e reescrevo algumas coisas. Por vezes sozinho, em tantas outras a várias mãos, mas com a certeza de que podem me ajudar a segurar o martelo, mas a responsabilidade pela batida é minha.

Bom, estou em obras, e isso é fato. Como diria minha mãe, na infância que se foi e se faz presente, estou tentando ter boas obras, para que tijolinhos sejam adicionados à minha casa no céu, seja ele onde for, porque essa reflexão seria outro texto. Espero. Não, não espero não. Gostaria que essa casa fosse simples, mas com um teto sem goteiras e um lugar para aquecer. Acho melhor do que desejar uma mansão cheia de furos.

Afinal de contas, obras e reflexões à parte, interesse a quem interessar, o importante é termos a certeza de que estamos agindo, e não apenas esperando, como me aconselhou um amigo esses dias atrás.

E só mais uma frase para terminar, como no começo.