terça-feira, 2 de março de 2010

Tire as suas dúvidas

Anda se perguntando se algo é certo ou errado? Tem dúvidas sobre qual religião ou crença seguir, porque acha que todas tem falhas? Vou ser sincero: seja bem vindo ao grupo! Tenho vivenciado uma imensa dificuldade em me enquadrar nos pensamentos padrões, nas verdades absolutas, mutáveis de crença para crença. Como pode uma verdade ser absoluta e, sob diversos ângulos, ser cheia de detalhes a serem ajustados?

Recordo-me de um filme, cujo nome me falha à memória, que em determinada cena o tutor de um adolescente lhe leva a uma cachoeira, e lhe diz que todas as perguntas que ele um dia viesse a ter poderiam ser sanadas ali, na natureza. Nada me parece mais justo e mais adequado. Se por um momento, tomados pela conceituação padrão que nos é imposta desde criança, acharem que sou louco, observem-na.

Tudo caminha certo, do jeito mais simples possível. Os predadores não matam por sede de vingança, loucura ou prazer, mas por necessidade de sobrevivência. As presas, que em diversas situações são os predadores também, sabem que estão indo por um motivo nobre, para a perpetuação de sua espécie e de todo o sistema.

Será que temos o privilégio de sentir o mesmo quando assistimos a um assassinato nos noticiários diários, ou mesmo quando roubamos o que não nos pertence, por mais sutil que seja o roubo, como um sorriso alheio pela fome que se desencadeia de ações tidas por nós como simples? Claro que não! E fico aqui pensando, o quanto devemos invejar os seres irracionais, pois não têm a mesma capacidade que nos acompanha, mas carregam consigo a sabedoria do balanceamento entre as partes envolvidas.

Não, não creio que precisemos alimentar um sentimento tão limitante quanto a inveja; observemo-na. Com a natureza podemos aprender sobre ética, sobre a limitação dos seres mais jovens, sobre o cuidado que devemos ter com eles. Aprendemos sobre leis físicas de ação e reação, e que nossas ações têm sim impacto no futuro que nos espera inevitável.

Aprendemos que é lindo e reconfortante pensar em céu, em paraíso, ou mesmo no inferno para onde irão os maus, mas que isso não é necessário para que sejamos completos. Entendemos, se a isso nos abrirmos, que o "amor ao próximo como a nós mesmos", não reside senão no respeito mútuo na sua mais abrangente expressão, da qual ainda parecemos estar tão distantes!

Em cada ciclo evolutivo nós tivemos a crença que melhor nos explicou sobre o que somos e a que viemos, de acordo com o ciclo de cada um, em diversas maturidades misturadas. Nossa sociedade hoje já se encontra no estágio da integração, da percepção de que o respeito mútuo começa pelo respeito ao meio. Nosso orgulho de ser evoluído, sem nem ao menos sabermos quem somos, orgulho besta de povo ignorante sobre si mesmo, não nos permite entender que não somos deuses, mas apenas mais uma parte, apenas mais um grupo de animais, mesmo que com mais e melhores ferramentas.

Busque as soluções, e tire as suas dúvidas, mas abra o seu coração e a sua mente primeiro. Como se diz, em um provérbio antigo que sei lá de onde veio, mas que casa muito bem com uma frase de Platão que eu sempre adorei ("Só sei que nada sei"): é primeiro necessário esvaziar o copo meio cheio, para que seja possível acrescentar-lhe o conteúdo de outro copo cheio.