sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Reencarnação

Mais uma reflexão polêmica. Espero que o preconceito religioso não impeça a leitura por alguns, mas não posso escolher por esses. Estava esses dias conversando sobre o assunto, e acho interessante registrar minha opinião. Primeiramente gostaria de deixar claro que procuro ter a mente aberta a possibilidades, desde que argumentadas de forma lógica e racional. Além disso, para amenizar as opiniões contrárias, gostaria de lembrar que Cristo, como dizem os escritos, viveu toda a sua vida de forma a demonstrar que devemos respeitar as crenças alheias.

Dito isso, gostaria de convidá-lo, ou convidá-la, a refletir sobre as opções que temos de existência. Segundo algumas religiões, como a Católica e Evangélica (ambas de base cristã), o ser humano possui apenas uma única existência material. Por existência material, quero dizer sobre a nossa vida na Terra, muito referenciada pelas coisas do mundo, materiais. Algumas outras, como o espiritismo (também cristã), o induísmo ou o budismo (que alguns dizem estilo de vida, e não religião), o homem possui várias existências.

Primeiramente gostaria de colocar alguns pontos, confesso até então sem muita argumentação contrária em discussões realizadas com religiosos do primeiro grupo. Deus, tido como nosso Pai, ama a todos de forma igual, sem distinções, e, como pai, nos criou à sua imagem e semelhança, de forma que temos garantido que estamos sob sua proteção, que nos vê e está em todos os lugares. Assim sendo, e considerando uma existência única, o que implica que não temos responsabilidade pelas coisas que vieram antes, como considerar sua justiça e amor, se alguns nascem com tanto, e outros com tão pouco?

Como poderiam ser explicadas as chagas humanas, os infanticidios, e toda sorte (ou nem tanto) de coisas erradas que acontecem no mundo, versus a riqueza e a saúde de tantos outros? Convido-os, também, a pensar sobre os desastres naturais; qual seria o seu propósito? Alguns me responderiam que isso é fruto do chamado pecado capital, a que os convido a refletir sobre a seguinte pergunta: se nem com a morte do filho de Deus na cruz, nos livramos desse pecado, a todos é garantido o inferno eterno?

Por fim, se assim considerarmos e, pois, teremos uma existência fatalista, seria errado pensar que apenas o arrependimento e uma extrema unção seria capaz de nos tirar do inferno, garantindo a eterna felicidade. Isso contraria o ideal de justiça, pois poderíamos matar e roubar a vida inteira e nos arrependermos para ter os céus, além de ir contra a teoria de livre arbítrio, que nos diferencia de robos, visto não haver razão em nossa evolução, já que ficaremos confinados, sem propósito certo, por um tempo indeterminado, chamado eternidade.

Além disso, seria também injusto considerar a evolução de hoje frente à da época cristã, já que nós não fizemos nada para merecer tal diferenciação. Pela luz da lógica e razão, pois, considerar apenas uma vida é, no mínimo, decretar uma falta de propósito em nossa existência, ao que os convido a nos prostrarmos em meditação eterna, tentando, ao mínimo, transcender aos limites dos olhos.

Não consegui ser resumido, pois o assunto em si vem de séculos de pensamentos. Mas vamos à segunda parte. Volto-me à Física para comentar sobre a lei de ação e reação. Se aplicarmos uma determinada força em algo, ela voltará na mesma intensidade. Lembro também do livre arbítrio, que nos dá a capacidade de escolher caminhos, e também de uma citação que muito me agrada "Só sei que nada sei", de Platão (pelo menos é o que dizem).

A teoria evolucionista, e a reencarnação, preconiza que somos criados ignorantes, passando por vidas múltiplas e contínuas, em que, por nossas escolhas, chegamos à perfeição. Alcançada essa glória, ao invés de virarmos anjos celestiais em contemplação eterna, colocamo-nos à disposição para ajudar os irmãos em sua busca pela perfeição, a todos garantida. Assim sendo, se eu matar alguém hoje, passarei por situações posteriores que me farão compreender o meu erro, de forma e compensá-lo à frente, seja nessa ou em outra vida; uma ação gera uma reação.

Desta forma, a justiça é feita, hoje ou amanhã, pois o nosso ser não se limita à morte da matéria. Além disso, esse pensamento explica os males da sociedade, e as causas naturais, que tem o propósito de iluminação coletiva pelas catástrofes, gerando comoção das massas e evolução de todos. A retirada de um cenário de contemplação eterna também nos convida ao trabalho pela nossa melhora, para que possamos ser úteis no futuro, além de chegarmos mais rápido à perfeição, diminuindo nossas "penas", por assim dizer. Seremos perfeitos antes ou mais tarde, pela nossa própria escolha; livre arbítrio.

Confesso, como disse à minha interlocutora dias atrás, que estou aberto a novas idéias. Tendo em vista, contudo, que as disponíveis atualmente são essas, cabe-me refletir e pensar que, à luz dos conhecimentos e compreensão que tenho, parece-me mais lógico preencher minhas dúvidas com algo que tenha propósito coletivo, já que as religiões nos ensinam a cuidar do próximo.

Gostaria de novas idéias, ao que convido o leitor a pensar e, caso tenha pontos de acréscimo ao que aqui foi escrito, exerça o seu dom de livre arbítrio, em prol de nossa melhora geral. O assunto é vasto, e seria pretensão minha imaginar esgotá-lo em poucas linhas. Pretensão semelhante a pensarmos, em nossa ignorância humana, crer que, em um universo dentre tantos universos, sejamos o único planeta habitado por criaturas inteligentes. Não estamos sós, e nunca estaremos. Não sei tudo, e ainda estou no meu caminho, mas essa certeza já me acompanha.

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