quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Não achei título

Eu precisava escrever, somente. Após 163 textos, em um dia de baixa, não consigo pensar em nada para colocar no título. Aos que acharam que eu o tinha perdido por ai, fica o conforto da minha confusão interna. Por vezes usei esses posts como terapia, na esperança vã de superar ou entender alguma coisa. Até que para entender funcionaram bem, pois fico a refletir sobre as coisas após as letras, e até mesmo antes delas.

Ouço a chuva cair lá fora, enquanto ocupo-me aqui com meus pensamentos. Fico tentando entender a razão das coisas, inclusive das mais complicadas, que são de dificil resolução, e que, nos meus tempos de adolescência pura, eu procurava resolver com algumas horas de sono, deitado sob as cobertas. Puro desconhecimento das coisas.

Confesso que ainda tenho essas vontades, mas elas nunca funcionaram. Já tinha ouvido que dormir nas horas de problemas apenas posterga a solução, e hoje sei que é verdade. Ainda tenho resquicios da adolescência, período esse tão rico em dúvidas e aprendizados, mas tive que aprender que, por mais dificil que possa parecer, às vezes é preciso engolir em seco e continuar a andar.

Gostaria de ter respostas para tudo, e para todos, sobretudo para aqueles que mais amo, que estão mais próximos de mim. Mas essa falta de compreensão das coisas não me permite ser eu mesmo ainda, e ainda busco uma forma de o ser, sem que isso se sobreponha aos que estão à minha volta. Já tentei ser demais, mas não deu. Já tentei ser omisso, e sempre me machuquei. Na esperança de encontrar um meio termo, tenho procurado corrigir meus erros e melhorar os meus acertos, e acho que isso pode ser um caminho.

Deixei muitos pelo caminho, e esses muitos não foram somente pessoas. Oportunidades que não mais voltam, que vez ou outra assombram minhas reflexões sobre o que me tornei, ou sobre quem sou hoje. Lembro-me daquele conto sobre um cara no bar, que começa a se ver em vários momentos da vida e chega à conclusão de que está melhor do que todos. Assim sou eu hoje, embora não esteja 100%.

E aqui penso que 100% seria pedir demais. Como poderemos nós, com nossa limitada compreensão das coisas, dos sentimentos e das pessoas, esperar algo completo? Poderemos, no máximo, alcançar momentos isolados de felicidade, que nos darão o combustível necessário para os próximos passos, na espera de que os sorrisos voltem.

Tenho procurado ser bom, mas não é fácil. E sei que não agrado a todos, e nem poderia, porque cada um quer uma coisa, às vezes na direção e velocidade muito distinta da minha, ou da nossa. Procuro encontrar pontos em comum, mas às vezes parece-me que eles simplesmente não existem. E então me lembro dos sorrisos passados, das alegrias, dos perfumes e de momentos como aquele eternizado na foto, sob luzes e fotos, momento único nosso, que ninguém jamais vai entender.

Bom, se deixar eu vou adiante, sem hora para parar. Mas como disse acima, o dever nos chama o tempo inteiro, e já não podemos virar as costas e deixar o tempo passar; não se já temos compreensão sobre isso. Vou-me, mas deixo aqui meu texto sem título, na esperança de que eu mesmo possa entender onde o perdi, se é que o perdi, e que possa completar o tão comentado livro da minha vida, em várias vidas.

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