sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Evoluções

Ontem eu lia um artigo sobre os novos padrões de rede sem fio, e fiquei pensando sobre como as coisas evoluem mais rápido do que imaginamos. Há uns 13 ou 14 anos, quando comecei a ter contato com computadores ligados em rede, tudo era bem mais lento, por assim dizer. Disquetes, modems, e muita, muita paciência.

Acho válido, notadamente pelo momento em que estamos, juntar isso ao resto. Em um sistema capitalista, dominado pelo capital eletrônico e transações imediatas, fica complicado imaginar as coisas "desplugadas", assim como as pessoas. Já não se imagina mais um profissional, ou mesmo um ser humano, sem um celular, um acesso à Internet ou algo que o conecte ao resto do mundo.

Twitter, Linkedin, Orkut, Facebook, e uma série de outras mídias de relacionamento já não são apenas uma opção. Dependendo da sua atividade, ficar fora de uma delas implica em ficar fora do mercado. E pensar que no começo as BBSs eram o topo da comunicação!

Nesse cenário, parece-me ainda que algo não acompanha a tecnologia: a evolução do pensamento humano. Será que ninguém se questiona sobre a necessidade de atualização humana para utilizar as novas tecnologias e também para gerar outras tantas? Será que ninguém se pergunta se isso ou aquilo serve mesmo para alguma coisa, e se a geral vai se beneficiar?

Veja o Brasil. Todos os dias vejo notícias otimistas sobre o mercado de telefonia, sobretudo no que tange à telefonia celular, Internet e acessórios, como se tivéssemos algo a comemorar. Sejamos sensatos ao responder a essa pergunta: será que realmente nós evoluímos? Como material de reflexão, ofereço-lhes apenas alguns pontos: nosso sistema de comunicações é precário e não dá conta de todo mundo ao mesmo tempo; praticamente não temos órgãos reguladores, porque os existentes não dão conta do recado; nossas operadoras são caras, oferecem a mesma coisa e ainda nos fazem crer que nos fazem um favor ao nos oferecer os produtos pelos quais pagamos um absurdo.

Não, realmente não acho que evoluímos. Como velhos e bons brasileiros, continuamos a consumir sucata tecnológica em todos os setores da economia, e ainda analisamos soluções para controle de mercado, como importação de etanol, que deixam claro que estamos ainda importando o que deveríamos exportar.

A solução é simples, e já foi muito discutida: educação. É preciso que tenhamos em mente que o mercado hoje exige conhecimento aplicado, e não mais conhecimento guardado em livros. Planejamento, organização, gerenciamento projetizado e tantas outras coisas são imperativos que dependem de material humano.

A discussão vai longe, e por isso, mais uma vez, deixo-os a refletir. Como podemos aliar a evolução tecnológica, real e diária, à evolução do pensamento humano? Como aliar os bits e bytes à moral da raça que deveria dominar a tecnologia, mas acaba, dia após dia, escrava e refém daquilo que criou? São muitas as opiniões, muitos os argumentos, mas convido-o a ter o seu, próprio. Isso já seria um primeiro passo para contribuir conosco na melhoria humana da nossa caminhada evolucionista.

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