sábado, 4 de abril de 2009

À espera do dia que não vem

Estranho, muito estranho, e triste. Como explicar o sentimento das expectativas desfeitas? Como demonstrar o que não tem palavras, que vem de dentro quando não nos alcança o que sonhamos por alguns instantes? Tempos atemporais que se vão, sem nunca terem vindo, vagando pela idéia e sentimento, preenchendo o vazio que eles mesmos criaram.

Somos complexos, somos simples, somos tal qual queremos ser, na nossa simplicidade complexa que extrapola a nossa própria compreensão. Somos assim, de um jeito que não se entende, reclamando de tudo e de todos à nossa volta, pelas falhas de nós mesmos. Somos, porque precisamos ser, mas em tantas vezes somos qualquer coisa, apenas pela necessidade e pela imposição de nossa existência, que ainda muito pouco compreendemos.

Esperamos pelo dia, todos os dias. Esperamos pelos momentos desejados, e os outros não entendem. A vontade de estar com alguém, que não nos compreende, e que talvez nunca chegue à percepção real do que somos, por mais percepção que tenha. Esperamos, e esperamos, e, infelizmente, esperamos. E o tempo vai passando, como um relógio que não pára os seus ponteiros, levando-nos, ceifando-nos o tempo que nos resta, gasto inutilmente à espera de algo que não aconteceu.

Sou humano, sou anjo, sou demônio, sou poeta; ou talvez seja, possivelmente não. São palavras que vêm e vão, preenchendo um vazio contínuo, que insiste em se manter, mesmo diante de todos os esforços. Analiso-me, e analiso-te. Juro, na mais sinceridade possível de minha alma, não entender os momentos em que não nos entendemos, não pelo desentendimento, mas pela importância exacerbada dele, ao invés dos esforços muito maiores que deveriam existir, em função da busca pela felicidade.

Me conheço, mas me desconheço. Devo confessar que quanto mais me procuro entender, mais dúvidas me surgem e, inevitavelmente, me vem à memória as palavras do pensador de tempos que se vão: "só sei que nada sei". E nada sei, nada se comparado ao tanto que preciso conhecer, sobre os mistérios da comunicação implícita, que nos leva ao julgamento de que é mais importante julgar, e cruzar os braços. Que a tristeza nos leve pelo nosso ócio nada criativo.

Não é fácil, e nunca será. Em tudo existe dificuldade, em tudo existe a tristeza, pois o lado positivo acompanha o negativo, e vice-versa, tal como amor e ódio, que completam e se engrandessem, como a criança que aprende sobre o mundo, e entende que as belezas que via na infância não se vão, apenas mudam de foco.

Sou feliz, sou triste, sou incompleto sem você, e isso também nunca entendeste. Sou tão incompleto que te busco, insaciavelmente, o tempo inteiro, vagando em minhas memórias dos teus sorrisos, tão belos e saborosos alimentos da minha alma. São muitas, são várias, mas nenhuma passível de ocupar um espaço já determinado em meu coração; isso também, isso não entendes.

Espera, ansiosidade, saudade, sonhos. A cabeça se enche de palavras que representam um misto de amor com incompreensão, com revolta frente às dificuldades, que insistem em me assombrar. Resignação, resiliência, paciência, maturidade. Nessa hora me lembro que são degraus, e me lembro de um parente distante, que uma vez me citou, como pedra de salvação, e que em todos os momentos me dá força para seguir.

Um dia entenderei o amor daquele que veio por nós, e que nós mesmos levamos. Ainda somos aqueles, jogando pedras sem pensamento prévio, apertando coroas de espinhos sob nós mesmos. Um dia, mais do que entender, eu o sentirei. Hoje, em minha incompletude e imperfeição, o mais próximo que chego do amor, em tudo o que conheço e já conheci, é a certeza que tenho em meu coração da necessidade de te sentir, não fisicamente, mas senti-la. Posso não vê-la, mas sinto-te, e isso me alegra o coração, mesmo nos momentos em que ele chora lágrimas vermelhas.

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