quarta-feira, 29 de abril de 2009

Curvas

Doces, delicados contornos que se estendem, que acompanham o horizonte ao próximo, contínuos caminhos que nos conduzem o pensamento. Detalhes, perfeições e imperfeições, características únicas que transformam o erro no belo, na mágica que envolve os sentimentos.

Cores, nem sempre cores, filhas da luz que bate aqui e ali, ocultando e tornando mistério o que toca. Nuances percebidas facilmente, facilmente ocultas, reféns da interpretação do coração que pulsa, que pulsa, que pulsa acelerado ou calmo, à espera de um perfume que atice os pêlos.

Pêlos em pé, embebidos pelo seu perfume que me vem aos pensamentos, que alimenta minha doces lembranças de nós, que decora minhas intenções futuras, nossos sonhos a dois. Sentimentos que se desencadeiam, frutos de curvas, de formas perfeitas que me brilham os olhos.

Perfeitos olhos que te veem, que te percebem mesmo na escuridão, auxiliados pelo tato, pelas mãos, braço, corpo, pele que segue as curvas, as minhas e as suas, que se unem em momentos de suor, levando-nos com delicadeza, com força, com intensidade.

Curvas, simples curvas, simples contornos de complexidade desconhecida, que nos impressionam os sentidos, que nos levam, me levam, te levam. Amo-te, pelas curvas físicas e espirituais, que se desenrolam em nosso caminho, desenhando curvas, idas e vindas em nossos passos, levando-nos.

Leve-me, levo-te, pelas minhas e suas curvas, pelas nossas que desenhamos, momento a momento, sentido a sentido, respirando compassada e descompassadamente, e assim se vão, as curvas de nós, dos nossos pensamentos, de nós mesmos no mais profundo de nossa essência, para que um dia não tenhamos a limitação da escrita para conseguirmos descrever, tantas coisas, com suas respectivas significações, e não apenas uma palavra: "curvas".

terça-feira, 21 de abril de 2009

Aprendizado

Hoje aprendi mais uma coisa: que tenho muito a aprender. Parece besta, ou talvez simplório, mas achei que valia a pena registrar. Carrego comigo o orgulho da ignorância de achar que tenho que levar o mundo nas costas, sendo forte para proteger a todos, para evitar que os outros sofram. Por diversas vezes aconselhei os outros a estarem bem para poderem fazer o bem, mas parece que me esqueço de mim mesmo.

Como é bom ter anjos à nossa volta! Um deles me disse algo que eu precisa ouvir, e que me fez refletir sobre algo que deveria ser matéria de reflexão cotidiana: como estamos lidando com o nosso passado? Como estamos exorcizando os nossos demônios internos, tão responsáveis pelo nosso crescimento às avessas?

Vejo que muitas conquistas ficaram no caminho, e lembro de um texto, ou filme, sei lá, que mostrava um certo rapaz em um bar, em contato com todos os seus possíveis eus, diante das escolhas. Fiz minhas escolhas, tomei meus rumos, e vejo que hoje sou o que sou, todo completo pelas minhas falhas e realizações. Ainda não sei deixá-las, mas já dei meus passos; mais uma escolha.

Aprender não implica apenas em absorver conhecimento, mas também, e principalmente, em colocar em prática o aprendizado. Praticar as benéfices do conhecimento adquirido é primordial para que nos tornemos realmente melhores. Falta-me a prática, mas tenho o caminho, muito iluminado pelos que me acompanham. Sinto-me forte, pois os que vão comigo, sempre estarão comigo.

Ao meu anjo, meus agradecimentos, porque sem tuas doces palavras, eu continuaria na escuridão. Aprenda, anjo meu, que nossas palavras e ações têm um poder de motivação e modificação na vida dos outros, muito maior do que jamais sonhamos. Sim, você pode ajudar a todos pelos seus exemplos, pelos seus conselhos e pelas suas atitudes. Nunca desista dos seus, pois tudo na vida é aprendizado.

sábado, 4 de abril de 2009

À espera do dia que não vem

Estranho, muito estranho, e triste. Como explicar o sentimento das expectativas desfeitas? Como demonstrar o que não tem palavras, que vem de dentro quando não nos alcança o que sonhamos por alguns instantes? Tempos atemporais que se vão, sem nunca terem vindo, vagando pela idéia e sentimento, preenchendo o vazio que eles mesmos criaram.

Somos complexos, somos simples, somos tal qual queremos ser, na nossa simplicidade complexa que extrapola a nossa própria compreensão. Somos assim, de um jeito que não se entende, reclamando de tudo e de todos à nossa volta, pelas falhas de nós mesmos. Somos, porque precisamos ser, mas em tantas vezes somos qualquer coisa, apenas pela necessidade e pela imposição de nossa existência, que ainda muito pouco compreendemos.

Esperamos pelo dia, todos os dias. Esperamos pelos momentos desejados, e os outros não entendem. A vontade de estar com alguém, que não nos compreende, e que talvez nunca chegue à percepção real do que somos, por mais percepção que tenha. Esperamos, e esperamos, e, infelizmente, esperamos. E o tempo vai passando, como um relógio que não pára os seus ponteiros, levando-nos, ceifando-nos o tempo que nos resta, gasto inutilmente à espera de algo que não aconteceu.

Sou humano, sou anjo, sou demônio, sou poeta; ou talvez seja, possivelmente não. São palavras que vêm e vão, preenchendo um vazio contínuo, que insiste em se manter, mesmo diante de todos os esforços. Analiso-me, e analiso-te. Juro, na mais sinceridade possível de minha alma, não entender os momentos em que não nos entendemos, não pelo desentendimento, mas pela importância exacerbada dele, ao invés dos esforços muito maiores que deveriam existir, em função da busca pela felicidade.

Me conheço, mas me desconheço. Devo confessar que quanto mais me procuro entender, mais dúvidas me surgem e, inevitavelmente, me vem à memória as palavras do pensador de tempos que se vão: "só sei que nada sei". E nada sei, nada se comparado ao tanto que preciso conhecer, sobre os mistérios da comunicação implícita, que nos leva ao julgamento de que é mais importante julgar, e cruzar os braços. Que a tristeza nos leve pelo nosso ócio nada criativo.

Não é fácil, e nunca será. Em tudo existe dificuldade, em tudo existe a tristeza, pois o lado positivo acompanha o negativo, e vice-versa, tal como amor e ódio, que completam e se engrandessem, como a criança que aprende sobre o mundo, e entende que as belezas que via na infância não se vão, apenas mudam de foco.

Sou feliz, sou triste, sou incompleto sem você, e isso também nunca entendeste. Sou tão incompleto que te busco, insaciavelmente, o tempo inteiro, vagando em minhas memórias dos teus sorrisos, tão belos e saborosos alimentos da minha alma. São muitas, são várias, mas nenhuma passível de ocupar um espaço já determinado em meu coração; isso também, isso não entendes.

Espera, ansiosidade, saudade, sonhos. A cabeça se enche de palavras que representam um misto de amor com incompreensão, com revolta frente às dificuldades, que insistem em me assombrar. Resignação, resiliência, paciência, maturidade. Nessa hora me lembro que são degraus, e me lembro de um parente distante, que uma vez me citou, como pedra de salvação, e que em todos os momentos me dá força para seguir.

Um dia entenderei o amor daquele que veio por nós, e que nós mesmos levamos. Ainda somos aqueles, jogando pedras sem pensamento prévio, apertando coroas de espinhos sob nós mesmos. Um dia, mais do que entender, eu o sentirei. Hoje, em minha incompletude e imperfeição, o mais próximo que chego do amor, em tudo o que conheço e já conheci, é a certeza que tenho em meu coração da necessidade de te sentir, não fisicamente, mas senti-la. Posso não vê-la, mas sinto-te, e isso me alegra o coração, mesmo nos momentos em que ele chora lágrimas vermelhas.