domingo, 8 de fevereiro de 2009

Se vira nos 30

Não é hoje, mas amanhã. Completo a jornada de 30 anos de caminhada, com sucessos, insucessos, tropeços e aprendizados. Como venho dizendo nesses dias, estou chegando próximo ao limiar do "se vira nos 30". Não é data simbólica e, confesso, nem dou muita importância para essas datas comemorativas, pois para mim o que vale é o cotidiano, por bem ou por mal. Mas vale a reflexão.

Vejo meu sobrinho com alguns meses; minhas avós para lá dos 80 e 90 anos. Me faz pensar que idade não significa nada, pois que, na mesma idade que eu há muitos conhecidos e desconhecidos, em situação melhor ou pior; mesmo a situação faz parte do ponto de vista. Tenho aprendido, notadamente nos últimos anos, que não se deve esperar das pessoas um nível de maturidade e conhecimento equiparado ao nosso, e explico o porquê.

Somos diferentes, simplesmente. Nessa diferença, é fato que o limite da perfeição atual de cada um é diferente. Sendo assim, como comparar coisas diferentes? Seria orgulho, no mínimo, acreditar que devemos ser iguais, ou pensar semelhante, ou agir da mesma forma. Vejo meus erros, e os seus erros, os erros daqueles em quem me espelhei por tantos anos e que hoje, após a constatação das falhas, continuam-me sendo admiráveis.

Nascemos nesse mundo com o objetivo primo da melhora íntima; pelo menos eu acho isso. Concorde quem quiser, mas não me critique quem não apoiar minhas idéias. Aceitar tudo de pronto demonstra fraqueza, assim como é claro sinal de falta de cordialidade e humildade, simplesmente crucificar tudo o que não é próprio. Assim sendo, são 30 anos meus de erros, acertos e reflexões, no que aprendi, sobretudo, que temos muito a aprender.

Lembro-me de um senhor que morreu há séculos, cuja frase, dentre tantas, ainda povoa meus pensamentos: "Só sei que nada sei". Platão, em sua sapiência desmedida, ou medida, assume neste momento o quanto ainda tem a viver, a aprender, a se melhorar frente a tantos erros cometidos. E então vejo meus pais, meus avós, vivendo duas, três vezes mais do que já vivi, e penso que ainda tenho muito a caminhar.

Sou pois, uma criança ainda, ávida por conhecimento e aprendizado, como ainda era na infância. Mas vejo meu sobrinho, e tantos outros em início de jornada, e penso que já sou velho; não velho, mas maduro, e serei referência. Cabe-me, também, paralelo à criança, a maturidade do adulto, para servir de referência positiva àqueles que vêm vindo, que virão.

E, talvez, o "se vira", queira dizer muitas coisas, implicando na maleabilidade e flexibilidade do ser, frente a tantas coisas vindouras e tantas viagens passadas, em um começo e recomeço não compreendido ainda por nós em nossa imaturidade passageira, em que pressupomos, em nosso orgulho, que todos têm que pensar como nós. E, neste ponto, deixo o que aprendi de mais importante nesses poucos anos, que é respeitar as diferenças, sejam elas quais forem.

Como aprendi dos meus pais, em seus conselhos e lições sobre a vida: devemos julgar (ou não julgar), tratar os outros pelo que eles são, pela pureza da sua essência, e não pelo que aparentam ser, pela casca passageira dos adereços materiais, tão efêmera quanto os muitos e poucos 30 anos que já vivi. Parabéns a todos, pois que não cheguei só.

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