segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Crenças

Falo por mim mesmo quanto ao que aqui seguirá, sem uma busca tola por concordâncias ou aceitações. Concordo em total amplitude com a idéia de que é impossível agradar a todos, no que alguns, além de discordarem, se colocam em posições ridículas de convencimento alheio, sem refletir sobre o fato de que, na posição de razão mais ampla, deveríamos nos estimular ao pensamento, pois é muito mais útil ao ser humano criar idéias do que simplesmente assimilá-las.

Somos hoje copiadores do que nos passam; glutões de coisas incompreensíveis, mas que nos satisfazem a ignorância. Assim nasci, em meio à idéia de que é preciso ir à igreja porque todos vão ou, pior ainda, porque alguém incrustou a idéia simples, sem explicações, de que não ir seria pecado.

Confesso, mais à vontade aqui do que junto ao suposto representante do senhor, que assim cresci, conhecendo as missas católicas, os templos "Sei-sho-noe-i" (espero que o google não tenha mentido quanto à escrita), seminários católicos, rezas em alto som junto aos evangélicos, centros espíritas, e talvez algum outro que não me lembre agora. Todos diferentes, mas tão iguais, pregando a essência do amor. Considero-me mais como espiritualista, sem vínculo eterno com nenhum pensamento.

Aqui dou consultoria, e, aproveitem, sem custo algum: sejam pluralistas em seus pensamentos, porque a ignorância se apodera das limitações que nos colocamos por própria vontade. Se hoje me considero capaz de colocar algumas letras sobre crenças, por mais simples que sejam, isso se deve ao fato de não ter me restringido a apenas uma, o que me faria parcial e limitado, assim por si, com uma visão parca das coisas.

Não defendo nem um nem outro, apenas expresso pontos mais lógicos. Não acredito em dogmas inquestionáveis, posto que a História já nos mostrou que foram inventados para que as massas forem conduzidas. Creio, e vivencio, que a cada um é dado, segundo a vossa compreensão, sendo bom ou ruim, de acordo com o que nos permitimos usufruir das divindades que nos são ofertadas.

Somos especiais, o que também não gera dúvidas, bastando olhar à volta. Que animal questiona-se sobre si mesmo, criando para si belezas, se não comparáveis à naturais, dignas de suspiros profundos e sinceros? Somos únicos, e, portanto, seria desperdício nos tornarmos iguais, principalmente quanto ao pensamento; mas certo, confesso ser necessário um norte a ser seguido.

E, em meio a tantas confissões, com tantas crenças semelhantemente distintas, deixo minha última consultoria, para que sigam os exemplos de amor, mesmo que não comprovados, posto que o importante das histórias não é a existência de personagens perfeitos, mas a idéia que nos fornece à reflexão.

Não sei se subiu aos céus, e tenho certeza de que muitos não foram perfeitos, por mais exemplos positivos que tenham deixado. Mas hoje, em meio à minha incompreensão de tudo o que já aprendi e acho pouco, tenho a certeza de que meu pai não é perfeito, mas seu amor pelos seus é inquestionável, e digno de ser seguido. Assim sendo, deixo aos homens as brigas pelas certezas mundanas, e tento seguir os anjos, na única certeza que nos une, seja no nascimento, seja no até logo da carne, o amor.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Vícios

Tirei recesso, fiquei atoa, adormeci as letras, mas não parei de pensar. Neste jeito contínuo de se viver, em que até nos sonhos somos atormentados por nós mesmos, as reflexões são ininterruptas. Continuo com meu auto-exercício de lapidação de mim mesmo, correndo atrás da perfeição que ainda não tenho, e cujo alcance minha consciência já deixou claro que será fruto de uma longa jornada.

Tenho lutado contra meus vícios; pequenos, grandes, ou grandes demais em sua pequenes. São diversos os problemas que ainda precisam de solução, mas que já possuem o caminho adequado, bastando apenas convencer-se de que é possível. Alguém um dia escreveu: "Não sabendo que era impossível, foi e fez". Não me recordo o autor, mas fico pensando que seria melhor mesmo sermos ignorantes em tudo, principalmente sobre as limitações.

O que mais nos impede de conseguirmos alcançar algo é o nosso conhecimento sobre as dificuldades. Isso é algo complicado, porque vários de nós, e me incluo aqui, fomos criados com um excesso desmedido de "nãos", fazendo-nos cravas no espírito a compreensão de que talvez não consigamos. Feliz daqueles poucos que tiveram em suas criações estímulos encorajadores, tal qual o pequeno empurrão dado pela águia nos seus filhotes, no limiar do primeiro vôo.

Sinto, em várias situações, o peso do eu, da carga de herança que foi me passada pela sociedade, pela família e pelo que aprendi a filtrar de tudo isso, que pesa como chumbo em minhas asas encolhidas. E assim são os vícios, tomando conta do que temos de mais frágil, pois assim se tornam fortes.

Falar sobre vícios, pois, seria senso comum se o foco o fossem em si, razão pela qual prefiro as interpretações, pois são elas que os tornam deuses, ou lhes tomam a divindade. Acabar com os vícios, sejam drogas, erotismo, comida, e todo o resto de excessos, visto os vícios serem o excesso de coisas que poderiam ser boas, passa pela lapidação da vontade, e o convencimento de um estado melhor.

Não é fácil, pois exercícios diários exigem rotina e persistência. Não é impossível, pois se não soubéssemos o faríamos sem entraves. Mas, no meio da batalha que se trava entre o interior e o exterior, fica a certeza de que, mesmo nas derrotas, avançamos no conhecimento de nós mesmos, e, isso somente, já é uma vitória.