terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Música

Resolvi, mais uma vez, buscar o dicionário para saber a definição do termo. Achei essa interessante: "Arte e técnica de combinar sons de maneira agradável ao ouvido." Mas o que é agradável ao meu ouvido, o é ao seu? Possivelmente não, mas como diria um professor de música, a possibilidade de novos acordes beira o infinito.

Fico olhando um músico tocando um violino, que não possui demarcações fixas de notas, e penso até onde pode ir a criatividade de alguém, usando seus sentidos no auge de sua sensibilidade artística. Dou graças pelo fato de não gostarmos sempre da mesma coisa. Imagina que tédio seria o mundo, se fôssemos um som de uma nota só? Sentir o som, como cada um sente distintamente, é uma dádiva do ser humano que o aproxima dos aclamados anjos e santos.

Sons, vibrações, técnica e arte. Combinar a arte para gerar arte, agradável aos ouvidos semelhantes, não requer apenas técnica, mas sentimento. É preciso que nos coloquemos disponíveis para ouvir, para sentir o mundo à nossa volta, expresso em sua forma mais sutil e ampla através dos sons. Gosta de ópera, rock, blues, sertaneja, ou qualquer outro? Experimente sentar-se junto à caixa de som, em um volume em que ache o melhor, fechar os olhos e curtir.

São poucas as distrações que nos completam como a música. Somos músicos naturais, nos chiados contínuos e incompreensíveis aos outros, em nossa melodia diária de tocar o mundo. Somos, e somos, porque é preciso ser mais do que apenas essa massa corpórea que nos cerca, prisão limitada do espírito que nasceu para ir ao longe.

Quando quiser viajar, quando precisar relaxar ou se sentir alerta, quando quiser viver em lugares ainda não vistos, distantes de uma realidade às vezes dura, não tenha receio de se entregar ao seu "agradável ao ouvido". Não precisa ser o mesmo do meu, e é bom que não seja, pois assim poderemos festejar a diversidade, dando-me e dando-te a oportunidade de nos mostrar que existe mais além do que conhecemos, capaz também de nos encantar.

Música, expressão maior de nossa complexidade, ilustrada de forma clara pelos prodígios, e em sua sutilidade por nós mesmos. Somos músicos, e sejamos, no teatro, no churrasco, embaixo do chuveiro.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Planos

Recebi um pedido de escrita esses dias, com uma observação: "você deveria escrever também nos dias felizes, porque os últimos textos têm sido um tanto quanto reflexivos". Gostaria de aproveitar a proximidade do final do ano para propor planos. Isso tem sido estimulado por vários sites de administração que tenho frequentado, e tantos outros sobre futilidades e outras coisas mais.

Planeje seu próximo ano, é o que recomendam. Sou profissional de administração, e confesso que uma das bases da minha profissão é muito pouco utilizada ao meu redor, sobretudo por mim mesmo. Mas qual a vantagem de se aplicar um conceito tão básico, que não faz parte em nossa cultura, no mesmo peso que faz em outras?

Imagine-se conseguindo o emprego perfeito, a esposa perfeita (ou marido), ou conseguindo uns dias a mais para descansar. São metas boas; alias, são muito boas. Mas o que é o emprego perfeito, a esposa perfeita ou descanso? Conheço pessoas que adoram trabalhar no seu tempo livre, assim como apaixonados por gordas, magras e toda a diversidade de preferências.

Se você não planeja o que quer, como conseguirá alcançar algo que presta? Pense, que lindo seria imaginar-se com uma esposa perfeita, e descobrir que você comprou gato por lebre. Ou então você, que adora vender as coisas, acabar como um estático funcionário administrativo, sem projeção de expansão para lugar algum.

É preciso planejar, e é preciso que seus planos sejam reais, ou no mínimo alcançáveis. É preciso que as metas propostas sejam factíveis, ou seja, que você não se mate para conseguí-las, sem alcançar nada. Isso gera desmotivação, e aí você entra no bolo das pessoas que usam branco, amarelo ou sei lá qual cor na virada de ano, e sofrem o resto dele, pensando nas coisas que poderiam ser, mas não são.

Se você tem um fusca, porque precisaria de uma Ferrari? Um golzim novo já bastaria para levá-lo com mais conforto, e por aí vai. Vamos festejar o ano que se aproxima, e com ele vamos nos planejar para conseguir nossas glórias. E lembre-se: Comemore, sempre! As pequenas conquistas precisam ser comemoradas, todos os dias, porque somos alimentados por elas, para subirmos os degraus do dia a dia.

Mais uma coisa, e isso é importante: Não procure ser um presidente de empresa, se você não tem vocação, pois o alto salário não pagará o preço de deixar um monte de coisa de lado. Se você gosta de pintar, pinte, se ama cantar, cante, se adora trabalhar o tempo inteiro e mesmo assim consegue jogo de cintura para ter sua vida pessoal, então tente a presidência. As diversidades existem para que possamos ser diferentes, então não tente ser igual. Planeje, muito, mas, não se esqueça: vá a luta, tenha atitude, e mantenha seus ideais.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Parece fácil.

Confesso que tentei vários títulos antes de escrever esse, porque ao contrário do recomendado, coloco o título antes, para puxar dele as idéias. Não me veio nada à cabeça, pois hoje é um daqueles dias em que a angústia anterior preenche o espaço das idéias. Por isto mesmo, surge-me a necessidade da escrita, como uma fuga mental para aqueles problemas que não quero enxergar.

Mas porque esse título, visto que nessas horas a simplicidade nos abandona. Justamente por isto! Já se perguntou como a vida dos outros parece ser fácil? Já olhou para bem sucedidos empresários ou donas de casa, se imaginando em seus lugares, regozijando-se nas glórias já alcançadas? Perguntou-me quais foram os degraus, as dificuldades, os tombos constantes que trouxeram tamanho conforto!

Parece fácil, realmente, mas será que é? Pensar que não, confesso, gera-me um pouco de conforto, sobre uma situação que para mim passa a ser interpretada como os meus degraus, as minhas dificuldades, os meus tombos. Deixa-me a sensação de que posso ficar tranquilo, pois caminho na direção de ser, para os outros e para mim mesmo, aquela figura em momento de glória, de aproveitamento dos objetivos alcançados.

E até paro um pouco e penso o quanto somos burros! Tenho tantas coisas, tantas pessoas e situações que podem ser aproveitadas, e fico pensando em como será quando eu alcançar sei lá o que. E nisso reflito, sobre a felicidade na Terra: acho que nossa infelicidade absoluta, permeada por momentos de sorrisos temporários e por vezes vazios, mora na nossa incapacidade de perceber as glórias alcançadas.

Lembro-me de um vídeo, sobre um músico que nasceu sem os braços, que em determinado momento comenta que enxerga um milagre todas as vezes que vê alguém mexer as mãos. Sou completo, inteligente, bonito e cheio de graças, cheio de milagres. Os outros devem me olhar e dizer que parece fácil ser assim, assim como vejo os outros e penso o mesmo. Mas carrego minhas cargas, frutos de uma incompreensão das coisas, do mundo, da aplicação da felicidade.

Acho que eu poderia ficar aqui escrevendo indefinidamente, em busca de um momento de conforto que não vem assim do nada. Acho que poderia preencher linhas e linhas, utilizando-me de uma facilidade que me foi fornecida. Mas não é esse o objetivo, não é mesmo? Então termino aqui meu rascunho de idéias, alimentando reflexões sobre o que foi dito, na esperança do auto-convencimento de que a vocação, acima de tudo, é unir o amor que se tem por aquilo que se faz, à compreensão de que sempre é possível aplicar nossos dons, independente de onde estejamos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ser eu

Como é dificil sermos nós! Quanto mais conheço a mim mesmo e as pessoas, mais admiro o gato da minha irmã, que fica de boa o dia inteiro e ainda ganha comida e carinho. Somos uma raça em evolução, e que precisa evoluir muito. Já parou para pensar o quanto, em geral, ainda somos imperfeitos?

Uma vez li em algum lugar que, sob uma ótica espiritualista, a Terra é um dos planetas mais atrasados na escala evolutiva. Diante disso, como cada um merece o que tem, os habitantes desse planeta também precisam evoluir muito, pois seria contraditório pensar, como muitos pensam, que estamos muito próximos da perfeição, ainda com tanta coisa para ser desenvolvida.

Somos evoluídos, somos sim! Temos naves espaciais, telefones celulares, computadores de última geração que pensam mais rápido do que milhares de nós juntos. Mas e a moral? Onde ficou nessa história? Perdeu-se com o tempo? Ou nem sequer existiu um dia? A minha existe em partes, conforme minha conveniência, e acho que todos somos assim. Um dia aprendi que é melhor ensinar o certo, mesmo não conseguindo fazê-lo, mas isso tem restrições, não servindo para tudo.

Mas tente ser eu, enquanto eu tento ser você! Empatia é uma palavra muito linda, dificil entretanto de colocar em prática. Se fosse o contrário, viveríamos sorridentes, amando-nos uns aos outros, assim como eu vos teria amado. É algo semelhante a uma história de um cara cabeludo e barbudo, que muito bem poderia ter sido careca e barrigudo, pois a ideologia e os ensinamentos foram belos, qual fosse a casca.

E minha casca? É linda, praticamente perfeita, aos olhos da minha mãe, pelo menos, mas o interior precisa de cuidados, precisa de atenção, de carinho, precisa de você! Não desista de ser eu, enquanto eu não desisto de ser você, porque ninguém disse que seria fácil. Hoje eu sei que não somos apenas o que fizemos de nós após tantas escolhas boas e ruins. Hoje eu sei que somos o que estamos sendo também, e o que estamos nos vendo que podemos ser, dependendo, neste caso, do quanto somos hoje para sermos amanhã.

Parece complicado, mas nada mais é do que nos olharmos, exterior e interiormente, e entender que temos muito a melhorar, e podemos, e somos capazes. Só não esqueça de ficar feliz pelas conquistas, pelas melhorias, pelas vitórias de cada dia porque, afinal de contas, se você conseguiu cozinhar um arroz delicioso, é porque você conseguiu aprender alguma coisa a mais, que lhe permitiu ser, mais um pouco, o seu eu.

sábado, 8 de agosto de 2009

A Internet

Um dia alguém sonhou em conversar com o outro lado do mundo sem sair de casa. Bom, para ser sincero isso funcionaria também para o telefone, o telégrafo, e por aí vai. Digamos que, em um determinado momento, algo grandioso ocorreu, e redes de computadores, interligadas, possibilitaram ao homem expandir fronteiras sociais, comerciais e tantas outras.

Quem imaginou, na época em que tínhamos que esperar quase um mês para uma carta retornar, que o correio, como era anteriormente conhecido, ficaria obsoleto? E as compras? Antes uma atividade de lazer, através da qual não apenas adquiriam-se coisas novas, mas também relacionamentos novos, tornou-se algo prático, e frio. Passamos a utilizar essa ferramenta como respiramos, chegando ao ponto de que tudo parece impossível sem ela.

Não é dificil ver pessoas paradas em escritórios quando ela resolve tomar um tombo! Também não é tão complicado assim ver uma família inteira com cara de nada para fazer, quando a energia acaba e lá se vão os bits e bytes. A verdade é que não soubemos fazer da ferramenta uma peça apenas, e a tornamos a parte essencial, que deveria ser nós mesmos.

Livros, uma música de um violão, uma gaita, um piano; histórias contadas à luz de velas e tantas outras cenas que me vêem à cabeça, hoje tidas como "coisas dos meus avós". Quem sabe não devamos refletir sobre nós mesmos? A idéia não é que nos tornemos avós? Não é o caminho natural para todos, que nos casemos, tenhamos filhos e, com o passar do tempo, fiquemos vivendo, no máximo, a dois?

Parece triste, mas não é! A experiência acumulada, que nos permite aprender como utilizar ferramentas magníficas como a Internet, como diria a propaganda do cartão, "não tem preço". Mas o martelo, sem aquele que o utiliza, perde sua razão de ser, e por isso só talvez devêssemos pensar que a Internet, por mais brilhante que possa parecer, depende dos seres humanos.

Quando ela cair, lembre-se que alguém precisa levantá-la. Quando novos sites forem criados, são pessoas por trás deles. Quando pensar em não ter mais nada para fazer porque a energia acabou, saia de casa para caminhar e conversar com as pessoas, porque nós ainda existimos! Talvez assim possamos resgatar a idéia original de troca de informações e experiências, livres de correntes de emails, SPAMs que nos tiram do sério, e tantas outras utilizações erradas da ferramenta correta.

Há séculos isto seria escrito em um livro, e lentamente divulgado, quando o feito, a não tantas pessoas. Bendita a Internet, que me possibilita registrar minhas idéias e deixá-las para reflexões. Bendito seja o homem, que a criou, sabe-se lá sob qual inspiração! Bits e bytes, levem isso ao máximo de pessoas, para que possamos desligar a TV, cortar a energia, e, mesmo assim, continuarmos cientes e certos de que nós somos o fator importante, não os objetos criados por nós.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Atendendo a pedidos

Na verdade foi um pedido, mas como o ser humano adora a coletividade das coisas, e eu não sou diferente, que fiquem os "pedidos". Fico impressionado com o quanto sempre podemos nos surpreender com as pessoas, principalmente com os comentários inesperados delas, de algumas, inclusive, que nos parecem ter sumido com o tempo.

Isso me recorda a minha correria, e a correria de todos, que, inclusive, tem me mantido afastado dessas minhas simplórias letras, que tentam, em vão, externar minhas preocupações, idéias e sentimentos. São fases após fases, sempre cheias de obstáculos, preocupações e realizações. As glórias, que nos motivam tantas vezes aos vícios improdutivos, são, por vezes, erroneamente celebradas, não utilizadas em seu potencial motivador para novos empreendimentos.

Parece complicado, mas, sejamos básicos, tal qual aquela roupa que combina com tudo (ok, não tem nada a ver a comparação, mas foi o que me ocorreu neste momento). Quando começamos a andar, nossos pais fazem festa, comemoram nossos primeiros passos. Porque não comemorar todos eles, até a velhice? Já passou pela idéia que, por andarmos, seja com uma perna ou duas, somos gloriosos, se pensarmos que alguns não o fazem?

E o mesmo pensamento vale para tudo, e vários outros exemplos poderiam ser citados. O primeiro é significativo, e fico com ele.

Parei um pouco o texto enquanto fazia outras coisas e fiquei pensando nas últimas idéias. Lembrei daquele conselho meio religioso: "dai graças". Será que temos agradecido pelas coisas, materiais ou não, pelas pessoas, ou mesmo pelas situações? Será que alguma vez nos questionamos sobre quão produtivo pode ser um elogio a um amigo antigo e não visto há tempos, em um momento em que simplesmente nos surpreendemos por descobrir algo que ele faz?

E, por fim, porque estou tendo que parar toda hora pela contínua correria, lembro-me, na mesma linha de raciocínio, de alguém que em um dia eu escrevi uma carta, e enviei uns livros, e descobri que o salvei de um suicídio já pensado. Pode parecer forte, mas é algo que, dentre tantas coisas erradas e sem sentido que fiz até hoje, me enche de orgulho, mesmo que tenha ocorrido sem essa intenção.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fases

Vou ser sincero: não achei título que conseguisse se adequar ao conteúdo. Geralmente eu coloco o título antes da escrita, bem contrário aos que ensinariam os educadores engessados das primeiras letras; pelo menos os meus. Acho que a ordem dos fatores, a exemplo da continha de multiplicar, não altera os fatores, apenas a forma como os vemos.

Para entender isso, seguem-se fases em nossa vida, ou nossas vidas, como entendem alguns. Sempre achei pouco tempo demais o que vivemos aqui, apenas da demora que se arrasta junto aos anos de labuta e provações. Fico, pois, ao lado daqueles que entendem que somos aqui, parte do que somos no todo, contribuindo de forma ínfima, mas totalmente substancial, com o que nos tornaremos um dia, sabe-se lá quando.

Não me perguntem como se delimitam as etapas dessa divagação sem início ou fim, pois não sei. Encontro-me em uma daquelas épocas em que tudo parece bom e ruim ao mesmo tempo, e que somos levados pela correnteza, perguntando-nos constantemente para onde ir, sem forças, contudo, para impedir que os acontecimentos simplesmente aconteçam, longe da nossa capacidade de decisão ou imposição.

Felicidade é algo que me vem às idéias nesses momentos, mais como um questionamento de sua existência ou de sua real plenitude eterna. Nós, ainda ignorantes seres, não temos sequer o início da compreensão do que seja a explicação deste termo, e sobre isso já li algum dia em algum lugar. Talvez se procurássemos o entendimento irrestrito, livrando-nos dos preconceitos e pré-julgamentos que nos acompanham, seria mais fácil, mas o orgulho mundano nos impede.

Assisti em um programa esses dias, um discurso sobre o domínio do espírito sobre o corpo, na intenção de esclarecer os que viam aquelas idéias, de que é mais fácil largar os vícios do que se pensa. Também sobre isso li; certezas de que, com pouco esforço, conseguiríamos a liberdade tão procurada, invejada quando assistimos aos filmes dos cristãos junto aos leões. Aquilo sim era certeza, porque acho que naquela posição eu correria tomado pela dúvida e medo.

Mas o que fazemos dia após dia senão isso? Corremos de um lado para o outro, cheios de medo dos julgamentos alheios e, pior ainda, cheios de medo dos julgamentos que fazemos a nós mesmos.

Esse telefone que não pára. São fases....a minha anda meio eletrônica. Vou ficando aqui, para dar atenção a essa peça inanimada, com uma voz do outro lado. Espero que seja apenas mais uma fase.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Divagando

Hoje eu só quero escrever, sei lá. Deixar os pensamentos voarem, sem rumo, sem expectativa alguma de que eles me levem a algum lugar. Acho que às vezes é bom pensarmos em nada e em tudo ao mesmo tempo. Nesses momentos, em que a cabeça dói sem razão e com todos os motivos, acabamos, inconscientemente, crescendo muito. Esses momentos de reflexão desregrada, sem proveito aparente, nos faz crescer como poucos.

As dúvidas me consomem, e me buscam por soluções o tempo inteiro. Não sei onde vou, como e com quem, e, confesso, foram poucas as vezes em que me senti realmente tão sem respostas. Algumas eu tenho, outras não as quero. O comodismo de não fazer nada, sob vários aspectos, me leva a crer que nem a clausura solucionaria o que vai por dentro.

Não se pode fugir de si mesmo, pelo menos é o que dizem. No cotidiano das opções, ficar à parte de escolhas não é uma alternativa. O relógio, inimigo cruel que nos mostra o andar das coisas, que nos deixa claro o passar do tempo, nos convida a seguir por nós. Não, ele nos força, nos impõe sua razão inquestionável de que tudo segue e nada volta.

Nesta análise, fica claro que pior do que escolher errado é não tomar partido. Fica nítido que se o tempo passa mais do que possamos acompanhar, não temos como voltar atrás, e já ficamos atrasados. Assim sou eu, porque os grãos da minha ampulheta cairam sozinhos, sem me esperar, me causando suores diversos, profissionais, pessoais e espirituais.

É possível voltar, e disso eu não tenho dúvida. Mas, como diria o poeta, o homem não será o mesmo homem, e nem tão pouco o rio, que já passou. Os cenários mudam, por mais que os problemas pareçam similares. As dificuldades mudam, por mais que tenhamos a base de onde vieram. Surpreendentemente, as pessoas nos surpreendem, por mais que achemos que o conhecimento vem com o tempo.

Mas aqui, pelo menos, eu tenho a resposta, que reside no poeta, no rio. Como querer conhecer a fundo, quando a mutação dinâmica e contínua, não pára? A infinitude de tudo inclui o fim inalcançável do nosso próprio desenvolvimento, ao que me fica claro o porque ainda estamos tão longes da perfeição, que é infinita.

Reflexões, e mais reflexões. Continuo vagando, divagando pelos meus pensamentos, enquanto o tempo se vai e minhas escolhas me cobram frutos. Escolhas, porque é inevitavel aceitar ou não. Espero que isso tenha servido para alguém, porque meus pensamentos ainda machucam minha cabeça, e ela dói.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Curvas

Doces, delicados contornos que se estendem, que acompanham o horizonte ao próximo, contínuos caminhos que nos conduzem o pensamento. Detalhes, perfeições e imperfeições, características únicas que transformam o erro no belo, na mágica que envolve os sentimentos.

Cores, nem sempre cores, filhas da luz que bate aqui e ali, ocultando e tornando mistério o que toca. Nuances percebidas facilmente, facilmente ocultas, reféns da interpretação do coração que pulsa, que pulsa, que pulsa acelerado ou calmo, à espera de um perfume que atice os pêlos.

Pêlos em pé, embebidos pelo seu perfume que me vem aos pensamentos, que alimenta minha doces lembranças de nós, que decora minhas intenções futuras, nossos sonhos a dois. Sentimentos que se desencadeiam, frutos de curvas, de formas perfeitas que me brilham os olhos.

Perfeitos olhos que te veem, que te percebem mesmo na escuridão, auxiliados pelo tato, pelas mãos, braço, corpo, pele que segue as curvas, as minhas e as suas, que se unem em momentos de suor, levando-nos com delicadeza, com força, com intensidade.

Curvas, simples curvas, simples contornos de complexidade desconhecida, que nos impressionam os sentidos, que nos levam, me levam, te levam. Amo-te, pelas curvas físicas e espirituais, que se desenrolam em nosso caminho, desenhando curvas, idas e vindas em nossos passos, levando-nos.

Leve-me, levo-te, pelas minhas e suas curvas, pelas nossas que desenhamos, momento a momento, sentido a sentido, respirando compassada e descompassadamente, e assim se vão, as curvas de nós, dos nossos pensamentos, de nós mesmos no mais profundo de nossa essência, para que um dia não tenhamos a limitação da escrita para conseguirmos descrever, tantas coisas, com suas respectivas significações, e não apenas uma palavra: "curvas".

terça-feira, 21 de abril de 2009

Aprendizado

Hoje aprendi mais uma coisa: que tenho muito a aprender. Parece besta, ou talvez simplório, mas achei que valia a pena registrar. Carrego comigo o orgulho da ignorância de achar que tenho que levar o mundo nas costas, sendo forte para proteger a todos, para evitar que os outros sofram. Por diversas vezes aconselhei os outros a estarem bem para poderem fazer o bem, mas parece que me esqueço de mim mesmo.

Como é bom ter anjos à nossa volta! Um deles me disse algo que eu precisa ouvir, e que me fez refletir sobre algo que deveria ser matéria de reflexão cotidiana: como estamos lidando com o nosso passado? Como estamos exorcizando os nossos demônios internos, tão responsáveis pelo nosso crescimento às avessas?

Vejo que muitas conquistas ficaram no caminho, e lembro de um texto, ou filme, sei lá, que mostrava um certo rapaz em um bar, em contato com todos os seus possíveis eus, diante das escolhas. Fiz minhas escolhas, tomei meus rumos, e vejo que hoje sou o que sou, todo completo pelas minhas falhas e realizações. Ainda não sei deixá-las, mas já dei meus passos; mais uma escolha.

Aprender não implica apenas em absorver conhecimento, mas também, e principalmente, em colocar em prática o aprendizado. Praticar as benéfices do conhecimento adquirido é primordial para que nos tornemos realmente melhores. Falta-me a prática, mas tenho o caminho, muito iluminado pelos que me acompanham. Sinto-me forte, pois os que vão comigo, sempre estarão comigo.

Ao meu anjo, meus agradecimentos, porque sem tuas doces palavras, eu continuaria na escuridão. Aprenda, anjo meu, que nossas palavras e ações têm um poder de motivação e modificação na vida dos outros, muito maior do que jamais sonhamos. Sim, você pode ajudar a todos pelos seus exemplos, pelos seus conselhos e pelas suas atitudes. Nunca desista dos seus, pois tudo na vida é aprendizado.

sábado, 4 de abril de 2009

À espera do dia que não vem

Estranho, muito estranho, e triste. Como explicar o sentimento das expectativas desfeitas? Como demonstrar o que não tem palavras, que vem de dentro quando não nos alcança o que sonhamos por alguns instantes? Tempos atemporais que se vão, sem nunca terem vindo, vagando pela idéia e sentimento, preenchendo o vazio que eles mesmos criaram.

Somos complexos, somos simples, somos tal qual queremos ser, na nossa simplicidade complexa que extrapola a nossa própria compreensão. Somos assim, de um jeito que não se entende, reclamando de tudo e de todos à nossa volta, pelas falhas de nós mesmos. Somos, porque precisamos ser, mas em tantas vezes somos qualquer coisa, apenas pela necessidade e pela imposição de nossa existência, que ainda muito pouco compreendemos.

Esperamos pelo dia, todos os dias. Esperamos pelos momentos desejados, e os outros não entendem. A vontade de estar com alguém, que não nos compreende, e que talvez nunca chegue à percepção real do que somos, por mais percepção que tenha. Esperamos, e esperamos, e, infelizmente, esperamos. E o tempo vai passando, como um relógio que não pára os seus ponteiros, levando-nos, ceifando-nos o tempo que nos resta, gasto inutilmente à espera de algo que não aconteceu.

Sou humano, sou anjo, sou demônio, sou poeta; ou talvez seja, possivelmente não. São palavras que vêm e vão, preenchendo um vazio contínuo, que insiste em se manter, mesmo diante de todos os esforços. Analiso-me, e analiso-te. Juro, na mais sinceridade possível de minha alma, não entender os momentos em que não nos entendemos, não pelo desentendimento, mas pela importância exacerbada dele, ao invés dos esforços muito maiores que deveriam existir, em função da busca pela felicidade.

Me conheço, mas me desconheço. Devo confessar que quanto mais me procuro entender, mais dúvidas me surgem e, inevitavelmente, me vem à memória as palavras do pensador de tempos que se vão: "só sei que nada sei". E nada sei, nada se comparado ao tanto que preciso conhecer, sobre os mistérios da comunicação implícita, que nos leva ao julgamento de que é mais importante julgar, e cruzar os braços. Que a tristeza nos leve pelo nosso ócio nada criativo.

Não é fácil, e nunca será. Em tudo existe dificuldade, em tudo existe a tristeza, pois o lado positivo acompanha o negativo, e vice-versa, tal como amor e ódio, que completam e se engrandessem, como a criança que aprende sobre o mundo, e entende que as belezas que via na infância não se vão, apenas mudam de foco.

Sou feliz, sou triste, sou incompleto sem você, e isso também nunca entendeste. Sou tão incompleto que te busco, insaciavelmente, o tempo inteiro, vagando em minhas memórias dos teus sorrisos, tão belos e saborosos alimentos da minha alma. São muitas, são várias, mas nenhuma passível de ocupar um espaço já determinado em meu coração; isso também, isso não entendes.

Espera, ansiosidade, saudade, sonhos. A cabeça se enche de palavras que representam um misto de amor com incompreensão, com revolta frente às dificuldades, que insistem em me assombrar. Resignação, resiliência, paciência, maturidade. Nessa hora me lembro que são degraus, e me lembro de um parente distante, que uma vez me citou, como pedra de salvação, e que em todos os momentos me dá força para seguir.

Um dia entenderei o amor daquele que veio por nós, e que nós mesmos levamos. Ainda somos aqueles, jogando pedras sem pensamento prévio, apertando coroas de espinhos sob nós mesmos. Um dia, mais do que entender, eu o sentirei. Hoje, em minha incompletude e imperfeição, o mais próximo que chego do amor, em tudo o que conheço e já conheci, é a certeza que tenho em meu coração da necessidade de te sentir, não fisicamente, mas senti-la. Posso não vê-la, mas sinto-te, e isso me alegra o coração, mesmo nos momentos em que ele chora lágrimas vermelhas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Coisas que eu não entendo

Tem coisas que eu não entendo, e quanto mais eu vivo, sinto que vai demorar a entender. Cedo ou tarde a gente adquire a compreensão de praticamente tudo, mas algumas coisas levam mais tempo que outras. E, nos momentos de dificuldade, em que parece que nada podemos fazer para continuar andando, me vem a pergunta: onde errei?

Profissional, pessoal, família, sonhos... Não é fácil conciliar tudo, não para mim; não para muitos. Duras são as provas a que eu mesmo me propus, das quais saio mais forte, mas sempre dilacerado, até que as chagas se convertam em fortaleza. Não entendo ainda o porque das escolhas erradas, se existem tantas certas para serem escolhidas.

Entendo, que a imaturidade que guia a criança e o jovem, se propaga no adulto, e por mais que nos tornemos pseudo-maduros, ainda carregamos no cerne a incompreensão do todo, cujo conhecimento pleno nos levaria ao que buscamos, mesmo que inconscientemente. Entendo poucas coisas, dentre tantas a conhecer, e não entendo como posso entender-me sozinho, diferente dos outros, sem entendimento de você.

Sou apenas, mas contigo. Coisas que não entendo, como a necessidade de respirar ao seu lado, de caminhar os caminhos que escolhemos juntos, sejam frutos do momento, dos sentimentos, das certezas que às vezes sinto ter sozinho, sem acompanhamento, e nem isso entendo. Dura ignorância de tudo, ou muita coisa, que me acompanha a tanto tempo, e cuja intensidade já me roubou tantas lágrimas.

Já não choro mais como antes, já não rio como outrora. Já não sinto mais o que senti, não da mesma forma e com a mesma verdade, porque o que é verdade, assim como a ética, muda aos olhos, com a certeza do coração. Choro, rio, me emociono; emoções transbordam dentro do meu coração, de uma forma que jamais senti. Corto-me profudamente, e o regozijo toma conta da minha alma, em situações únicas, mesmo que repetidas, que hoje entendo, hoje compreendo.

Não são iguais, não somos. São passos dados, lado a lado, mas diferentes, em nossa caminhada conjunta, rumo a sei lá onde, certos da certeza de que estaremos juntos, mesmo distantes. Caminha a dois, que já não sei mais só. Caminhada contigo, pois já não me vejo sem ti. Mesmo que não me entenda, mesmo que eu não lhe compreenda, fomos feitos distintos, não para sermos opostos, mas para que possamos nos completar.

E ainda sou teu, e sempre serei, tão seu quanto meu, e disso não tenho dúvida. Não tenho dúvida de nada hoje, somente do que serei sem ti. E são várias as coisas que não entendo, como sua insistência diante de um futuro tão lindo, que me vêm tão claro, como uma luz que me cega, que me impede de ver com seus olhos, e com os meus. Sou seu e és minha; sem posses, prometidos um ao outro pelo amor que construímos, e que nos pertence, a ambos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Meus erros seus. Seus erros meus.

Como é fácil criticar! Doce sabor da reclamação, dirigida aos problemas nossos, que vemos nos outros, mesmo que sob coberturas distintas. Não, não é fácil se corrigir das falhas encrustadas após anos de erros, de desentendimentos e de entregas fáceis aos caminhos errados.

Paciência; a falta dela. Orgulho, gula, inveja, e tantos outros nomes que, para alguns, foram colocados com o nome de pecado. O pior deles, o mais reprovável, não por nós, ainda todos imperfeitos, a incapacidade de entender que não podemos cobrar somente, cobrar os outros enquanto temos tanto a nos corrigir.

Sou falho; somos todos. Sou culpado pela fraqueza que me acompanha, que me torna e já me tornou tantas vezes impotente frente aos desvios que tenho! Sou fraco, mas sou forte, pois que venho continuamente melhorando minhas chagas, de forma que já não mais me deixo controlar por elas; não, não o tempo todo.

Ainda falta muito, e disso eu também sei. Sei que uma caminhada não se faz por um passo, mas por vários, e que os tropeços do caminho estragam as sandálias, machucam os pés, mas tornam valoroza a chegada, e comemorativas as conquistas, por menores que sejam. Serão grandes; sim, grandes pois que seremos nós mesmos grandes, mas não agora. Porque o hoje não é o momento da colheita, mas da semeadura, dura tarefa ininterrupta, em que nos carregamos juntos, apoiando-nos quando aparecem os desastres.

Sou assim, errado nos meus erros que existem em vós. Sois assim, errados nos meus erros, pois que viemos, independente da crença e da nossa limitada compreensão, de algum lugar semelhante que nos torna irmãos. Irmãos no espírito, que não se largam mas sim acompanham os passos, apoiando e nunca desistindo um do outro e, em alguns momentos, escolhendo-nos parceiros de jornada.

E assim escolhi você, porque vi um ponto forte, porque me senti um apoio forte para ti. Escolhi sua fortaleza e suas fraquezas, por mais que me machuquem, porque sei que sem elas você não é completa. Escolhi sua dolicidade, mas acabei levando de presente os momentos em que a paciência se esgota, e que a esperança se esvai. Escolhi, e, portanto, é minha a responsabilidade pelo que colho, e a convicção de que, assim como tenho defeitos, tens também, e, portanto, tenho o direito de te apoiar.

Escolha mútua, escolhas individuais. Fardos divididos, tantas outras vezes não, mas de benefícios incalculáveis, pois por isso preciso de você. Preciso da sua força, da docilidade que me encantou e me encanta; os olhos, os lábios, o coração. Preciso da compreensão, e sei que disso também necessitas, e por isso também me ofereço, por completo, para que juntos sejamos mais, melhores, não perfeitos, mas à caminho da perfeição.

As glórias? Sim, elas virão, mas não terão o mesmo sabor se estivermos sós, porque, há tempos, nos propusemos juntos, unos e nossas unicidades, indivisíveis no nosso amor. Meus erros seus. Seus erros meus. Sou todo seu, e você toda minha, e quero-te, por completo, em toda a sua complexidade.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Se vira nos 30

Não é hoje, mas amanhã. Completo a jornada de 30 anos de caminhada, com sucessos, insucessos, tropeços e aprendizados. Como venho dizendo nesses dias, estou chegando próximo ao limiar do "se vira nos 30". Não é data simbólica e, confesso, nem dou muita importância para essas datas comemorativas, pois para mim o que vale é o cotidiano, por bem ou por mal. Mas vale a reflexão.

Vejo meu sobrinho com alguns meses; minhas avós para lá dos 80 e 90 anos. Me faz pensar que idade não significa nada, pois que, na mesma idade que eu há muitos conhecidos e desconhecidos, em situação melhor ou pior; mesmo a situação faz parte do ponto de vista. Tenho aprendido, notadamente nos últimos anos, que não se deve esperar das pessoas um nível de maturidade e conhecimento equiparado ao nosso, e explico o porquê.

Somos diferentes, simplesmente. Nessa diferença, é fato que o limite da perfeição atual de cada um é diferente. Sendo assim, como comparar coisas diferentes? Seria orgulho, no mínimo, acreditar que devemos ser iguais, ou pensar semelhante, ou agir da mesma forma. Vejo meus erros, e os seus erros, os erros daqueles em quem me espelhei por tantos anos e que hoje, após a constatação das falhas, continuam-me sendo admiráveis.

Nascemos nesse mundo com o objetivo primo da melhora íntima; pelo menos eu acho isso. Concorde quem quiser, mas não me critique quem não apoiar minhas idéias. Aceitar tudo de pronto demonstra fraqueza, assim como é claro sinal de falta de cordialidade e humildade, simplesmente crucificar tudo o que não é próprio. Assim sendo, são 30 anos meus de erros, acertos e reflexões, no que aprendi, sobretudo, que temos muito a aprender.

Lembro-me de um senhor que morreu há séculos, cuja frase, dentre tantas, ainda povoa meus pensamentos: "Só sei que nada sei". Platão, em sua sapiência desmedida, ou medida, assume neste momento o quanto ainda tem a viver, a aprender, a se melhorar frente a tantos erros cometidos. E então vejo meus pais, meus avós, vivendo duas, três vezes mais do que já vivi, e penso que ainda tenho muito a caminhar.

Sou pois, uma criança ainda, ávida por conhecimento e aprendizado, como ainda era na infância. Mas vejo meu sobrinho, e tantos outros em início de jornada, e penso que já sou velho; não velho, mas maduro, e serei referência. Cabe-me, também, paralelo à criança, a maturidade do adulto, para servir de referência positiva àqueles que vêm vindo, que virão.

E, talvez, o "se vira", queira dizer muitas coisas, implicando na maleabilidade e flexibilidade do ser, frente a tantas coisas vindouras e tantas viagens passadas, em um começo e recomeço não compreendido ainda por nós em nossa imaturidade passageira, em que pressupomos, em nosso orgulho, que todos têm que pensar como nós. E, neste ponto, deixo o que aprendi de mais importante nesses poucos anos, que é respeitar as diferenças, sejam elas quais forem.

Como aprendi dos meus pais, em seus conselhos e lições sobre a vida: devemos julgar (ou não julgar), tratar os outros pelo que eles são, pela pureza da sua essência, e não pelo que aparentam ser, pela casca passageira dos adereços materiais, tão efêmera quanto os muitos e poucos 30 anos que já vivi. Parabéns a todos, pois que não cheguei só.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Crenças

Falo por mim mesmo quanto ao que aqui seguirá, sem uma busca tola por concordâncias ou aceitações. Concordo em total amplitude com a idéia de que é impossível agradar a todos, no que alguns, além de discordarem, se colocam em posições ridículas de convencimento alheio, sem refletir sobre o fato de que, na posição de razão mais ampla, deveríamos nos estimular ao pensamento, pois é muito mais útil ao ser humano criar idéias do que simplesmente assimilá-las.

Somos hoje copiadores do que nos passam; glutões de coisas incompreensíveis, mas que nos satisfazem a ignorância. Assim nasci, em meio à idéia de que é preciso ir à igreja porque todos vão ou, pior ainda, porque alguém incrustou a idéia simples, sem explicações, de que não ir seria pecado.

Confesso, mais à vontade aqui do que junto ao suposto representante do senhor, que assim cresci, conhecendo as missas católicas, os templos "Sei-sho-noe-i" (espero que o google não tenha mentido quanto à escrita), seminários católicos, rezas em alto som junto aos evangélicos, centros espíritas, e talvez algum outro que não me lembre agora. Todos diferentes, mas tão iguais, pregando a essência do amor. Considero-me mais como espiritualista, sem vínculo eterno com nenhum pensamento.

Aqui dou consultoria, e, aproveitem, sem custo algum: sejam pluralistas em seus pensamentos, porque a ignorância se apodera das limitações que nos colocamos por própria vontade. Se hoje me considero capaz de colocar algumas letras sobre crenças, por mais simples que sejam, isso se deve ao fato de não ter me restringido a apenas uma, o que me faria parcial e limitado, assim por si, com uma visão parca das coisas.

Não defendo nem um nem outro, apenas expresso pontos mais lógicos. Não acredito em dogmas inquestionáveis, posto que a História já nos mostrou que foram inventados para que as massas forem conduzidas. Creio, e vivencio, que a cada um é dado, segundo a vossa compreensão, sendo bom ou ruim, de acordo com o que nos permitimos usufruir das divindades que nos são ofertadas.

Somos especiais, o que também não gera dúvidas, bastando olhar à volta. Que animal questiona-se sobre si mesmo, criando para si belezas, se não comparáveis à naturais, dignas de suspiros profundos e sinceros? Somos únicos, e, portanto, seria desperdício nos tornarmos iguais, principalmente quanto ao pensamento; mas certo, confesso ser necessário um norte a ser seguido.

E, em meio a tantas confissões, com tantas crenças semelhantemente distintas, deixo minha última consultoria, para que sigam os exemplos de amor, mesmo que não comprovados, posto que o importante das histórias não é a existência de personagens perfeitos, mas a idéia que nos fornece à reflexão.

Não sei se subiu aos céus, e tenho certeza de que muitos não foram perfeitos, por mais exemplos positivos que tenham deixado. Mas hoje, em meio à minha incompreensão de tudo o que já aprendi e acho pouco, tenho a certeza de que meu pai não é perfeito, mas seu amor pelos seus é inquestionável, e digno de ser seguido. Assim sendo, deixo aos homens as brigas pelas certezas mundanas, e tento seguir os anjos, na única certeza que nos une, seja no nascimento, seja no até logo da carne, o amor.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Vícios

Tirei recesso, fiquei atoa, adormeci as letras, mas não parei de pensar. Neste jeito contínuo de se viver, em que até nos sonhos somos atormentados por nós mesmos, as reflexões são ininterruptas. Continuo com meu auto-exercício de lapidação de mim mesmo, correndo atrás da perfeição que ainda não tenho, e cujo alcance minha consciência já deixou claro que será fruto de uma longa jornada.

Tenho lutado contra meus vícios; pequenos, grandes, ou grandes demais em sua pequenes. São diversos os problemas que ainda precisam de solução, mas que já possuem o caminho adequado, bastando apenas convencer-se de que é possível. Alguém um dia escreveu: "Não sabendo que era impossível, foi e fez". Não me recordo o autor, mas fico pensando que seria melhor mesmo sermos ignorantes em tudo, principalmente sobre as limitações.

O que mais nos impede de conseguirmos alcançar algo é o nosso conhecimento sobre as dificuldades. Isso é algo complicado, porque vários de nós, e me incluo aqui, fomos criados com um excesso desmedido de "nãos", fazendo-nos cravas no espírito a compreensão de que talvez não consigamos. Feliz daqueles poucos que tiveram em suas criações estímulos encorajadores, tal qual o pequeno empurrão dado pela águia nos seus filhotes, no limiar do primeiro vôo.

Sinto, em várias situações, o peso do eu, da carga de herança que foi me passada pela sociedade, pela família e pelo que aprendi a filtrar de tudo isso, que pesa como chumbo em minhas asas encolhidas. E assim são os vícios, tomando conta do que temos de mais frágil, pois assim se tornam fortes.

Falar sobre vícios, pois, seria senso comum se o foco o fossem em si, razão pela qual prefiro as interpretações, pois são elas que os tornam deuses, ou lhes tomam a divindade. Acabar com os vícios, sejam drogas, erotismo, comida, e todo o resto de excessos, visto os vícios serem o excesso de coisas que poderiam ser boas, passa pela lapidação da vontade, e o convencimento de um estado melhor.

Não é fácil, pois exercícios diários exigem rotina e persistência. Não é impossível, pois se não soubéssemos o faríamos sem entraves. Mas, no meio da batalha que se trava entre o interior e o exterior, fica a certeza de que, mesmo nas derrotas, avançamos no conhecimento de nós mesmos, e, isso somente, já é uma vitória.