quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Educar nos novos tempos

Não tenho intenção de criar novos métodos, nem tão pouco de invalidar os já existentes, mas acho que precisamos repensar a forma como estamos educando as novas gerações. Tenho percebido avanços isolados, mas, pelo que parece, a filosofia da nota ainda perdura de forma preocupante.

Vejo, às vezes, documentários sobre pensadores, políticos, filósofos e sociólogos de épocas outras do Brasil, pessoas que se destacavam pelo poder de conduzir as letras, seja escrita ou oralmente. Esses personagens da nossa história possuiam uma quantidade de conhecimentos que, por si só, já os fariam respeitáveis. Mas, analisando o nosso atual cenário, perceberemos que possuímos mais conhecimentos que todos eles, dada a velocidade de propagação e assimilação proporcionada pelos novos meios de comunicação. Onde está a diferença então?

Vivemos no momento da cópia, do "tudo fácil", em que não se faz obrigatório o pensar. Nosso sistema educacional, ao invés de estimular o trabalho mental com as informações disponíveis, se limita a dar manutenção em um método arcáico, que visa ensinar a cartilha.

Acredito realmente que existe um trabalho em cima do desenvolvimento dos livros, das cartilhas, dos métodos e demais acessórios educacionais mas, penso que é mais importante saber o que fazer com todas as impressões que nos são passadas, vindas de todas as direções, do que simplesmente tê-las. De que adianta decorar fórmulas, se não se sabe o que fazer com elas? De que adianta tirar um dez, acertando cálculos de geometria, se nos falta a ética na hora de escolher um material para construir um prédio?

Não acho, tenho plena convicção de que os livros são condutores, mas não o devem ser em 100% do processo educacional, porque é preciso ir além do que está escrito neles. Do contrário, como surgirão as novas versões? Ou nos limitaremos a reeditá-los, corrigindo apenas erros de português?

Mas, para fazer pensar, é preciso criar educadores. Tire os livros das mãos dos nossos professores e teremos poucos que ainda conseguirão transmitir algo; já vi vários professores escravos do método, porque, aparentemente, não sabem sobre o que ensinam e não tem paixão pelo que fazem.

Assim sendo, antes de escolher sua profissão e chegar à conclusão que quer ser educador, pense se você terá amor pelo que faz. Pense se conseguirá transmitir conhecimento para a vida e não para as conquistas de notas. Além disso tudo, pense, inclusive, mesmo que já esteja perto de uma formatura: você deixaria seu filho ser educado por um professor como você?

Ainda acho que tudo tem solução, mas precisamos de trabalho, mas associado ao pensar. Pensar, refletir, criar, pois tudo isso não é apenas preciso, mas é necessário e imperativo, se desejamos sair do estágio atrasado no qual nos encontramos.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Alice no país das maravilhas

Não, eu não fumei! Deu vontade de escrever sobre algo fora do padrão hoje e, por isso, resolvi escrever sobre coisa alguma. Parece estranho mas, pense um pouco, o que é nossa vida senão algo semelhante ao caso da famosa Alice? Meio distante? Quem sabe então possa comparar com o recente filme chamado Matrix.

Pense nas teorias existentes sobre a origem e existência do ser humano; posso citar algumas formas de pensamento, que se confundem com religiões: catolicismo, espiritismo, budismo e, inclusive, o filme matrix. Existimos dentro de um ambiente temporário, no qual passamos parte da nossa existência e, depois, vamos para algum lugar, seja ele o céu, inferno, o mundo de lá, o mundo de cá, um criatório de nenéns que movem máquinas ou vamos conhecer o coelho da Alice.

Estranho? Talvez não; apenas ilusório, não paupável, fora da nossa realidade. Nossa realidade se resume aos parcos sentidos que temos, o que é pouco. Mas será que, por isso, não existe nada além? E, caso exista, o que será? Pode ser muita coisa, inclusive uma legião de jedis ou outras criaturas dos variados filmes que nossa imaginação criou, que povoam os nossos sonhos de olhos abertos.

Isso me faz pensar que nós, seres humanos, travamos verdadeiras batalhas por conta das nossas crenças, como crianças tentando se convencer sobre a profundidade da metafísica. Como pode haver verdade absoluta entre seres tão aquém do conhecimento absoluto? Como podemos nós, na nossa ignorância infantil, dizer que isso ou aquilo é melhor ou pior do que o do outro?

Pobre Alice, cuja cabeça ficou a prêmio; pobres de nós, que não sabemos onde está a nossa. Alias, pensando bem, fico com inveja da Alice, porque conheceu um monte de coisa em suas perambulações. Ou não, inveja não. Acho que fico apenas com saudades da minha infância, quando não era errado sonhar acordado, e todos à minha volta, amigos e amigas na nossa sapiência infantil, achavam normal pensar que o mundo poderia ser algo melhor, independentemente do que realmente o mundo fosse, porque, no fim, não é isto o que importa.