quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tempo

Comecei, apaguei, comecei de novo, apaguei outra vez. É complicado escrever sobre o tempo, enquanto ele mesmo passa. Cheguei à conclusão de que não chegamos a conclusões na maioria das vezes, nos limitando a assimilar o que nos passam, como verdades e enganos absolutos; ou quase. A nossa preguiça mental é tamanha, que nos impede de criar algo que fuja ao que já somos, impondo barreiras quanto ao que podemos e poderíamos ser.

Fui ali; resolver problemas. O tempo continuo passando e já estou alguns minutos mais velho. Trágico, ou nem tanto, porque o dito popular me torna mais maduro, e corrige meus problemas. Chego a pensar como é doce a ilusão popular de que o tempo, em sua insignificância isolada, consegue solucionar tudo. Fácil seria esperar pelas fortunas morais e materiais, enquanto nos regozijamos junto ao ócio exacerbado de nossa inércia total.

Não, não acredito que em um sistema em que o movimento tudo cria e modifica, possa existir razão em acreditar que o simples passar dos segundos, minutos ou qual seja a ordem de grandeza da movimentação temporal, seja capaz de gerar algum resultado que não somente o envelhecer dos corpos. Seria por demais cômodo, ter a certeza de que podemos nos limitar a nós mesmos.

O tempo é um professor, mas não por si só, e sim pelas experiências que nos permite abraçar. Cabe-nos, entretanto, a responsabilidade pela assimilação das aulas, assim como a prática dos conteúdos. Coloco-me aqui como um exemplo, a não ser sempre seguido. Tenho passado por aprendizados em que me coloco na posição de mal aluno, e em outras chego a quase mestre.

Mestres e alunos, em uma simbiose de ensinamentos de mão dupla, pois com a gama de conhecimento disponível, é impossível ser apenas professor. E assim vai o tempo, conduzindo-nos para o inevitável futuro que algo ou alguém maior nos reserva, em que nos encontraremos com aquele fator que nos impede hoje de crescer, mas que será perfeito um dia, transformando-se em mola propulsora do crescimento de outrém: nós mesmos.

Um comentário:

Nana ♠ disse...

Dizem que o tempo é remédio pra algumas coisas. Mas o tempo também machuca, principalmente quando estamos longe, por muito tempo,de alguém que amamos.
Mas o tempo nos traz maturidade e sabedoria. Com ele aprendemos a dar valor a coisas que não tinham importância.
E tudo o que é bom não acaba com o tempo. Nossa amizade é exemplo vivo disso!

Beijos.