domingo, 24 de agosto de 2008

Momentos ideais

Diz-se que a sorte é a união da oportunidade com o preparo adequado. Há outra "teoria", que preconiza que as oportunidades não surgem, mas são criadas, pelo esforço individual de cada um. Ora, se a preparação é uma atividade que depende de um esforço específico, chega-se à conclusão de que a sorte, comumente interpretada como um ato ocasional sabe-se com qual origem, nada mais é do que uma ação que pode ser planejada, cujos resultados são perfeitamente mensurados.

Passamos pela vida, sem interagir com ela, em várias situações. Deixamos os grandes amores, as grandes lições, as ótimas colocações e tantas outras coisas irem, sem nem terem vindo, em função do nosso ócio físico e mental. Colocamos a culpa em um destino incontrolável, como forma de racionalização, quando deixamos de nos permitir que nos tornemos melhores.

Sejamos racionais, sejamos honestos, mas com o nosso eu. Passemos de uma vez por todas a assumir nossas responsabilidades em nossas próprias vidas, oferecendo-nos meios para que possamos dar o próximo passo no momento certo. Não é necessário que criemos novas ferramentas; basta-nos utilizar adequadamente as que já temos.

Quantas vezes sentamos em uma sala de aula de corpo presente, com o pensamento longe, deixando passar o conhecimento que era exposto? Em quantas inúmeras situações nos ocupamos com atividades fúteis, relegando a segundo plano nossas obrigações primárias? Olhemos para trás, fazendo um mapa sincero de onde poderíamos nos encontrar, se tivéssemos realmente dado a devida a atenção a tudo o que já esteve em nossas mãos!

Existem exceções, claro. São as pessoas que não nasceram em berço de ouro, que não tiveram tantas oportunidades quanto nós mesmos, mas que nos causam admiração, para não citar inveja, pela carga negativa que o termo e o sentimento a que se refere carrega. São pessoas que entenderam desde o início, ou antes de nós, que muito mais importante do que a quantidade é a intensidade com que se absorve as impressões do mundo.

O que nos impede de sentir um perfume em sua essência, além de nós? O que nos impede de não apenas ver, mas apreender o visual a nossa volta, além da nossa própria visão turva? E se nós mesmos somos os responsáveis pelos nossos resultados, porque ainda não largamos o ócio improdutivo, para nos permitir carros do ano, amores e todo o resto de conquista, como conhecimento e autoconhecimento?

A sorte, reflitamos, não é para poucos. As riquezas, materiais ou não, não se limitam a poucos privilegiados. A felicidade, que tanto buscamos através de diversos estímulos, está mais próxima do que pensamos ou vislumbramos. Hoje tenho um momento daqueles ótimos, em que consigo ver que se tomar as decisões certas, terei um futuro brilhante.

Hoje? Sabe quantos momentos deste eu tive em minha vida? Todos! E, infelizmente, não soube aproveitá-los, absorvendo apenas uma ínfima parte do que poderia ter captado. Mas não acho que devamos lamentar apenas, pois, como já foi dito, não podemos corrigir o passado, mas é sempre possível, através de nós mesmos, desenvolver um presente glorioso, e um futuro fruto dele, cheio de realizações. Assim, no futuro, nosso passado será digno de lembranças boas, recordações de conquistas, e usufruto das glórias!

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