sábado, 31 de maio de 2008

Aniversário dos anjos

Acordei pensando em um anjo hoje, refletindo sobre a diferença do dia de um aniversário para o resto. Conclusões, pensamentos, certezas sobre algumas coisas a serem colocadas em prática. Será este um dia especial? Será este mais um?

Aniversário não é um dia à parte; é um dia comum, como todos os outros, sem nada de mais. Estanho então comemorá-lo como um acontecimento único? Não tanto! Pensemos um pouco nos anjos, naqueles seres perfeitos em que um dia nos tornaremos, e entenderemos o motivo pelo qual o aniversário, assim como todos os outros dias, são normais; assim como todos os dias ditos festivos.

Geralmente em datas comemorativas nos mostramos mais alegres, mais solícitos, mais tudo um pouco de bom que carregamos em nossa essência e que, em momentos específicos, permitimos aflorar, mostrando-nos aos outros como realmente somos ou queremos ser. Por que deixar essas benéfices para dias isolados? Porque carregar o ouro que nos cabe e nos pertence em apenas um dia por ano?

Feliz dia, felizes dias todos do ano em que temos que viver nossa solidão conjunta, trabalhando por nós mesmos e pelos outros. Dia de aniversário é comum, sendo único a ser seguido nos outros, porque nos lembra algumas coisas, as quais lembro ao me lembrar do meu anjo.

Somos únicos, belos, perfectíveis e seres que merecem admiração. Os dias nos lembram que estamos vivos, e que viver é bom, por mais dificuldades que tenhamos, por maior que seja o peso que nos cabe na nossa jornada evolutiva. Somos, por fim, todo o potencial que vemos à nossa volta, porque tudo faz parte de tudo, integrando-se de essência em essência.

Feliz aniversário meu anjo, porque você merece. Feliz, porque a você, assim como a todos, foi dado o dom da vida, o dom do sorriso e, principalmente, o dom da consciência sobre todos os presentes e sobre aquele mais valioso, que insiste em te acompanhar, e o fará sempre: você.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O que faz você feliz?

Ser feliz? Estar feliz? O que é felicidade? O que faz você feliz? Há pessoas que têm tudo, pessoas despossuídas que possuem a essência, a razão da existência de um sorriso. Existem pessoas fisicamente ricas, desesperadas à procura de um motivo que lhes faça brilharem os olhos.

Parafraseando o poeta, temos razões que a própria razão desconhece, fazendo de nós seres mutantes em busca de nossa própria razão. A felicidade, este estado de espírito totalmente indecifrável pelas palavras e perfeitamente compreensível pelos sentimentos, é algo efêmero que move nossas conquistas e desejos, nossas buscas mais íntimas por aquilo que não sabemos dizer, mas que nos acompanha em nossa jornada.

Felicidade se resume, externamente, em um sorriso. Por complexo se demonstra por lágrimas, arrepios, sensações múltiplas de bem estar íntimo que se fazem transbordar, deixando ao mundo a expressão de seres em sintonia com o ambiente, em conjunção com os cenários e personagens das histórias que eles integram.

O que me faz feliz, ou o que causa a sensação de que estou completo, mesmo por alguns instantes. Alguns fios de cabelo esvoaçando ao vento, um sorriso já conhecido, cenários incrivelmente belos, obras do mais delicado artista, ou situações e coisas jamais sentidas ou presenciadas, mas que têm o dom de nos desprover de nossas armas; defesas contra aquilo que, ainda, não nos permitimos conhecer.

Felicidade, ser feliz, permitir-se. É preciso que nos permitamos, para saber entender que somos o que somos, e na simplicidade mora tudo, inclusive, nós mesmos. Sejamos felizes, tal qual gostaríamos que fôssemos, respeitando-nos a nós mesmos. O que faz você feliz? Deixe de buscar respostas e sinta, porque os sentimentos, para serem compreendidos, necessitam serem sentidos. Pergunte ao amor.

domingo, 11 de maio de 2008

O belo dentro da fera

Há um mês eu escrevi, e um mês depois eu volto, para pensar sobre nós, sobre eu, sobre o que sou no íntimo. Vejo-me por fora, pela imagem distorcida e limitada que o espelho me fornece. Sinto-me por dentro, por uma compreensão ainda parca, fruto de um coração e uma mente em conflito, cuja maturidade ainda não alcançada, impede o pássaro de sorver o mel das grandes alturas e dos grandes vôos.

O belo, oculto em sua essência, tal qual o ouro que se esconde no rio, misturado ao barro a ser mexido, revolvido para que seja possível o seu brilho, que reluz, que se mostra, capaz de iluminar e brilhar os olhos mais incrédulos da beleza infinita que nos cerca. Conduzimo-nos, no mais frequente do dia a dia, a redutos de solidão externa e interna, fazendo-nos dormir, transformando-nos em zumbis de um mundo que não nos conhece, do ser que não sabemos que somos.

A fera, que deixamos à tona, essa parte ainda bruta de nós mesmos, que por instinto se faz forte, dominante da nossa ingenuidade diante do eu, diante do que talvez um dia possamos ser mas que ainda nos parece distante. Essa nossa essência original, semente de toda a maravilha, pedra bruta a ser lapidada, para que se torne possível a construção de jóias humanas.

Somos assim, aversos ao melhor que podemos ser, por incompreensíveis e incompreendidos, tornados frios e quentes, com a chave na mão, diante da única porta que nós leva a nós mesmos: o eu. E para sermos mais, para nos tornarmos o que nos povoa os sonhos, as metas que julgamos distantes, faz-se presente o belo, dentro da fera ainda exposta, gritando por liberdade.

Um dia talvez entendamos, e com certeza este dia chegará, porque tudo evolui, tudo cresce, tudo gera frutos. E assim, aos poucos o belo domina a fera, que se amansa, tornando-se doce, e bela, numa mistura do que fomos e do que nos tornamos, deixando ao redor o perfume da essência humana, que se descobre natural, naturalmente perfeita, na amplitude que a perfeição se permite revelar.

O belo, dentro da fera, aguarda oculto o momento de sua libertação, cabendo a nós, livre arbitrários de nosso próprio destino, permitir que as flores do auto-conhecimento se permitam desabroxar, amplificadas pela harmonia dos amores, sejam eles compreensíveis ou não aos olhos do gentio.