terça-feira, 8 de abril de 2008

Vocações

Definição minha: vocação nada mais é do que fazer aquilo que se gosta. É preciso então saber e colocar em prática. A grande maioria das pessoas peca nas duas situações, por não se conhecerem e por não se permitirem arriscar o temporário por aquilo em que o coração acredita ser melhor.

Crítica pessoal: o capitalismo, ou melhor, a mentalidade capitalista na qual a maioria das pessoas se enclausura, torna as pessoas focadas apenas nos resultados, principalmente financeiros, causando o esquecimento de que, na verdade, é o meio que produz e é nele em que devem ser concentrados os esforços, os desejos e, notadamente, os sonhos.

Vocação é algo que não combina com pressa, mas com prazer. A simplicidade de que são dotadas as coisas naturais, não implica em facilidade isenta de trabalho, mesmo nos casos em que se opte por fazer exatamente o que brilha os olhos. Vivemos em um ambiente de mutação constante, cujo dinamismo depende de seus agentes, sendo que todos nós somos agentes individuais, co-responsáveis pelo sucesso coletivo.

Parece divagação, principalmente quando visto por aqueles que acreditam que os valores materiais trazem todo o resto. Desafio-lhes a responder uma pergunta simples: quando conseguir tudo o que deseja de material, qual será o seu objetivo? Viverá em busca do que? O vazio com certeza preencherá a resposta de muitos.

Conheça-te a ti mesmo, é o que já foi dito há tempos. Digo então: conheça-te e modifique-se, para que consiga suprir os vazios constantes que ainda fazem parte do seu conjunto. A escolha dos preenchimentos é única e individual, mas existem vários momentos, que permitem uma correção gradativa, em que, com a maturidade, aprendemos a nos otimizar, tal qual um diamante bruto que recebe o devido cuidado para virar jóia rara.

Vocação: a busca e a solução. Metas, objetivos, desejos e cotidiano. Tudo temporal, efêmera trajetória que nos leva a nós mesmos, onde, um dia, entenderemos que, sem fazer aquilo que nos leva ao brilho dos olhos, estaremos desperdiçando o doce tempo que nos foi ofertado. Sejamos, pois, mais flexíveis com nós mesmos, permitindo-nos.

Àqueles que prefiram o caminho mais longo, deixo-lhes duas certezas: a de que o livre arbítrio lhes é um direito e a de que o tempo lhes ensinará que negar-se a si mesmo atrasa a evolução. Sigam, então, o coração, porque nele residem as respostas para todas as perguntas, mesmo as que ainda estão por vir.

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