quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Quer dizer que você é dessas pessoas?"

Estou aqui mais uma vez atendendo a pedidos; desta vez comentando sobre algo que tenho ouvido com frequência, e que pode ser tomado como uma dessas manias interessantes que, sabe-se lá como, alguém começou e várias pessoas resolveram seguir. "Quer dizer que você é dessas pessoas?"

Surgem aqui dois pensamentos, sendo o primeiro uma auto-reflexão oriunda de um questionamento subsequente a esta pergunta: será que sou? E aí me pergunto também: sou como? Dúvidas e mais dúvidas que me levam a pensar sobre como fui, como tenho sido e para onde pretendo ir. A outra reflexão dá uma amplitude maior à discussão, tentando abranger as manias que nos perseguem no cotidiano.

Como são as pessoas que nos rodeiam? Quais são seus hábitos e até onde eles nos causam impressões positivas e negativas? Tenho visto e feito parte de muitas "intrigas"; comentários despreocupados que podem causar uma turbulência incalculável em um ambiente, seja ele qual for. Quando procuramos saber como realmente são as pessoas, chegamos à conclusão de que somos todos iguais, ao mesmo tempo muito diferentes.

Somos todos dessas pessoas, porque como humanos somos certos e somos errados, em busca da razão que ainda não nos pertence, mas da qual um dia todos beberemos. Somos assim, mas não como gostaríamos que fôssemos, e tão pouco como os outros gostariam. Mas então, porque se preocupar com os outros, se ainda precisamos de tanto auto-trabalho? Resposta simples, pois no fundo nos preocupamos, como preocupação de mãe e verdadeiros irmãos, mascarada por uma incompreensão de nós mesmos, tão necessária e imperativa para nos conhecermos como um verdadeiro social.

Manias, e são muitas. Porque, como consequência de nossas preocupações cotidianas com os problemas alheios, inventamos formas de nos tornarmos iguais, e assim nos fazemos. Mas nos sentimos únicos, pois assim somos, e todas as manias são vistas e entendidas de formas distintas, por isto sendo efêmeras. Moda, gestos, termos e nós mesmos, tudo passando no dinamismo que nos acompanha, cuja velocidade ainda não conseguimos acompanhar.

Mas um dia nos perguntaremos, em um momento de busca de nós mesmos, "será que sou como essas pessoas?", e a resposta, boa ou ruim, nos dará o alimento necessário de que precisaremos para subir ao próximo degrau. Neste momento teremos crescido, nos desenvolvido, aumentando nossa compreensão sobre nós mesmos, nos colocando, então, a um passo mais próximo do que nos espera. Não apenas mais um passo, mas um, e cada um único, com seu valor individual e, principalmente, como valor no conjunto do que já fomos, do que estamos sendo e, principalmente, do que nos tornaremos.

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