sexta-feira, 11 de abril de 2008

Crítica às religiões

Vou criticar algo polêmico que, ao longo da História, nos deixou um legado de sofrimento e atraso social. Alguém já disse: a religião é o ópio do povo! Antes que me crucifiquem apressadamente, é pertinente colocar que fui criado católico, mas ao longo do tempo conheci várias formas de pensamento. Hoje, frequentando centro espírita, auto-denomino-me espiritualista, como um termo incompleto para definir-me, na tentativa que tenho de ser estudioso das coisas do ser e do coração.

Mas porque criticar algo que, em muitos casos, ajuda as pessoas? Pelas próprias pessoas. Sonho com o dia em que a liberdade de pensamento e de todo o resto virá acompanhada da sensação e dever de responsabilidade das pessoas com o seu próximo. Isto é incompatível com limites, sejam eles quais forem. As religiões, pelas suas características individualistas, limitam, definindo padrões de comportamento e, prejudicialmente, padrões para assimilação de conhecimentos.

Não existem excessões, nem me incluo como uma. Temos o comportamento questionável e reprovável de tentar convencer as pessoas de que estamos certos. Mas em um mundo em que usamos uma porcentagem insignificante da nossa capacidade cerebral, quem está certo? Já disse Platão: "Só sei que nada sei".

As religiões não deveriam pregar conhecimentos, nem tão pouco crenças, pois assim prejudicam seus fiéis. Limitá-los a um rótulo incompleto tolhes a capacidade analítica, impedindo o surgimento de reflexões geradoras de mentes criativas. O problema, aqui, é que o ser humano, para crescer e se desenvolver, precisa de autoconhecimento, que só virá com muito pensamento sobre si, assim como no pensar sobre seu papel no mundo.

Grandes nomes da moral Histórica passaram por nós: Gandhi, Madre Teresa, Chico Xavier, Buda, Jesus Cristo e tantos outros. Não deixaram escritos; pelo menos não foram letras que os perpetuaram. Deixaram seus exemplos de moral, comportamento a ser seguido, por si só refletores do que pregaram aos seus seguidores. Não precisamos, pois, de bons oradores, nem de bons escritores sobre o ser humano.

É preciso desenvolver exemplos, tornar-se exemplo. Faça, não fale, porque o velho ditado de "faça o que eu falo, mas não o que eu faço" vem servindo de base para nossas religiões. Não sejamos católicos, evangélicos, budistas ou outros termos; sejamos éticos e morais!

Porque, no final das contas, todas as religiões tem o mesmo ensinamento; porque não seguí-lo? "Ame, respeite, seja indulgente e empático com o seu próximo, assim como a ti mesmo!"

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Quer dizer que você é dessas pessoas?"

Estou aqui mais uma vez atendendo a pedidos; desta vez comentando sobre algo que tenho ouvido com frequência, e que pode ser tomado como uma dessas manias interessantes que, sabe-se lá como, alguém começou e várias pessoas resolveram seguir. "Quer dizer que você é dessas pessoas?"

Surgem aqui dois pensamentos, sendo o primeiro uma auto-reflexão oriunda de um questionamento subsequente a esta pergunta: será que sou? E aí me pergunto também: sou como? Dúvidas e mais dúvidas que me levam a pensar sobre como fui, como tenho sido e para onde pretendo ir. A outra reflexão dá uma amplitude maior à discussão, tentando abranger as manias que nos perseguem no cotidiano.

Como são as pessoas que nos rodeiam? Quais são seus hábitos e até onde eles nos causam impressões positivas e negativas? Tenho visto e feito parte de muitas "intrigas"; comentários despreocupados que podem causar uma turbulência incalculável em um ambiente, seja ele qual for. Quando procuramos saber como realmente são as pessoas, chegamos à conclusão de que somos todos iguais, ao mesmo tempo muito diferentes.

Somos todos dessas pessoas, porque como humanos somos certos e somos errados, em busca da razão que ainda não nos pertence, mas da qual um dia todos beberemos. Somos assim, mas não como gostaríamos que fôssemos, e tão pouco como os outros gostariam. Mas então, porque se preocupar com os outros, se ainda precisamos de tanto auto-trabalho? Resposta simples, pois no fundo nos preocupamos, como preocupação de mãe e verdadeiros irmãos, mascarada por uma incompreensão de nós mesmos, tão necessária e imperativa para nos conhecermos como um verdadeiro social.

Manias, e são muitas. Porque, como consequência de nossas preocupações cotidianas com os problemas alheios, inventamos formas de nos tornarmos iguais, e assim nos fazemos. Mas nos sentimos únicos, pois assim somos, e todas as manias são vistas e entendidas de formas distintas, por isto sendo efêmeras. Moda, gestos, termos e nós mesmos, tudo passando no dinamismo que nos acompanha, cuja velocidade ainda não conseguimos acompanhar.

Mas um dia nos perguntaremos, em um momento de busca de nós mesmos, "será que sou como essas pessoas?", e a resposta, boa ou ruim, nos dará o alimento necessário de que precisaremos para subir ao próximo degrau. Neste momento teremos crescido, nos desenvolvido, aumentando nossa compreensão sobre nós mesmos, nos colocando, então, a um passo mais próximo do que nos espera. Não apenas mais um passo, mas um, e cada um único, com seu valor individual e, principalmente, como valor no conjunto do que já fomos, do que estamos sendo e, principalmente, do que nos tornaremos.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vocações

Definição minha: vocação nada mais é do que fazer aquilo que se gosta. É preciso então saber e colocar em prática. A grande maioria das pessoas peca nas duas situações, por não se conhecerem e por não se permitirem arriscar o temporário por aquilo em que o coração acredita ser melhor.

Crítica pessoal: o capitalismo, ou melhor, a mentalidade capitalista na qual a maioria das pessoas se enclausura, torna as pessoas focadas apenas nos resultados, principalmente financeiros, causando o esquecimento de que, na verdade, é o meio que produz e é nele em que devem ser concentrados os esforços, os desejos e, notadamente, os sonhos.

Vocação é algo que não combina com pressa, mas com prazer. A simplicidade de que são dotadas as coisas naturais, não implica em facilidade isenta de trabalho, mesmo nos casos em que se opte por fazer exatamente o que brilha os olhos. Vivemos em um ambiente de mutação constante, cujo dinamismo depende de seus agentes, sendo que todos nós somos agentes individuais, co-responsáveis pelo sucesso coletivo.

Parece divagação, principalmente quando visto por aqueles que acreditam que os valores materiais trazem todo o resto. Desafio-lhes a responder uma pergunta simples: quando conseguir tudo o que deseja de material, qual será o seu objetivo? Viverá em busca do que? O vazio com certeza preencherá a resposta de muitos.

Conheça-te a ti mesmo, é o que já foi dito há tempos. Digo então: conheça-te e modifique-se, para que consiga suprir os vazios constantes que ainda fazem parte do seu conjunto. A escolha dos preenchimentos é única e individual, mas existem vários momentos, que permitem uma correção gradativa, em que, com a maturidade, aprendemos a nos otimizar, tal qual um diamante bruto que recebe o devido cuidado para virar jóia rara.

Vocação: a busca e a solução. Metas, objetivos, desejos e cotidiano. Tudo temporal, efêmera trajetória que nos leva a nós mesmos, onde, um dia, entenderemos que, sem fazer aquilo que nos leva ao brilho dos olhos, estaremos desperdiçando o doce tempo que nos foi ofertado. Sejamos, pois, mais flexíveis com nós mesmos, permitindo-nos.

Àqueles que prefiram o caminho mais longo, deixo-lhes duas certezas: a de que o livre arbítrio lhes é um direito e a de que o tempo lhes ensinará que negar-se a si mesmo atrasa a evolução. Sigam, então, o coração, porque nele residem as respostas para todas as perguntas, mesmo as que ainda estão por vir.