quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Cabelos

Sinta o aroma, sua textura, o brilho que encanta e hipnotiza. Sinta! Deixe-se envolver pela sua graça, pelo poder que nos imobiliza em pensamentos indecifráveis, como uma criança que se encanta mil vezes com a mesma maravilha. Indecifrável! Permita-se deixar levar pela agradável sensação de não ter controle sobre suas emoções, inerte diante de tanta beleza. Permita-se!

Não há padrões, não existem formas perfeitas, apenas são, como são, e encantam pela naturalidade com que se permitem ser, iluminando a todos à sua volta, como o sol que nos aquece e que nos permite sonhar. Não há! Há, sim, a certeza de que precisam ser como são, aceitarem-se em sua beleza íntima, porque apesar de terem várias roupas, vários brilhos, encantam em seu esplendor máximo assim como são, simples, delicados, puros na essência. E, assim, com certeza há!

Os cabelos, longe do que pregam os padrões, têm que ser diversos, belos, sem belezas externas, porque só assim o são, como são; mas, para que padrões? Limitar paredes à liberdade amputa a arte natural que se vê, quando se está disposto a ver, e portanto é algo que deve ser trabalhado no admirador, não na obra admirada. Lisos, cacheados, enrolados, macios no início, e assim devem permanecer, aceitando-se pretos, louros, morenos e pardos, porque não somos iguais, não precisamos e não devemos ser.

Sejamos nós, assim como os cabelos, que são por si só. Aceitemo-nos durante o tempo, com as mudanças, tal qual devem ser aceitos, sem prejuízo à obra, que se torna mais valorosa quanto mais antiga se torna, pois acumula detalhes que a tornam rara, única, e não há tinta, por mais nova que seja, capaz de se comparar à antiguidade que a acompanha.

Cabelos, coisas simples, que caem com o tempo ou perdem a sua cor, como nós. Preocupemo-nos conosco, como temos feito com eles, cuidando com esmero, mantendo nossa cor, nosso aspecto agradável e belo. Cuidemos do que nos deixa belo, nossa essência, nosso interior, porque o externo é como capa, tal qual a tinta, que após algum tempo sai, coisa perene que não se mantém. Cabelos, nós, e sejamos belos, pois é o que nos cabe!

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