quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sorriso

Já escrevi uma vez sobre o assunto, mas nunca é demais falar sobre coisas importantes. Vou começar este texto com uma situação aparentemente triste, que alguns já devem ter recebido por email ou lido em algum site. Não a inventei e não estou copiando na íntegra, então pode faltar algo; mas o importante aqui é a essência dela.

Um menino certa vez tinha um amiguinho em fase terminal, no hospital, e diversas vezes pediu à mãe que o levasse para vê-lo. Como a mãe, sabendo que o filho sofreria, negava ao filho o pedido, este resolveu fazer a visita escondido. Foi ao hospital e voltou chorando, dizendo à mãe que seu amigo havia morrido em seus braços. A mãe, em tom repreensivo, lhe perguntou: "Não lhe disse que não era para ir? Acha que valeu a pena?". O menino enxugou algumas lágrimas e lhe respondeu: "Valeu sim, porque quando entrei no quarto ele me disse: - Eu sabia que você viria!".

Percebem o sorriso? Não? A maioria de nós só vê a tristeza numa situação dessas. Confesso que sempre me emociono ao lembrar dessa história. O fato é que somos materialistas demais, até mesmo nos sentimentos. Sorriso, na nossa concepção, precisa vir acompanhado de um movimento de lábios, do contrário não entra na definição do termo. Meu avô sorria com os olhos, semelhante a uma colega que fica parecendo japinha quando sorri.

Sentimentos são dádivas internas, às vezes sem expressão para o exterior. O menino da narrativa conseguiu ver seu amigo pela última vez, demonstrar seu amor por ele e dar uma última alegria a uma pessoa querida que estava partindo. São formas de se analisar as situações, pois, como se diz, tudo tem um lado positivo. Precisamos aprender a escolher o lado do sorriso, para que consigamos embelezar as situações à nossa volta.

Quando me for, façam festa, pois eu vivi! Eu não sofri, amadureci, não chorei, limpei a cegueira que me impedia de ver os meus próprios defeitos, não caí, apenas aprendi a caminhar sem tantos tropeços. O sorriso é algo interno, que assim como outros sentimentos, não pode ser completamente materializado. Esqueçamos nosso materialismo exacerbado, e tentemos entender as coisas que nos cercam, coroando um final com o sorriso de um espectador que não apenas assistiu um espetáculo, mas que se fez parte dele.

Um comentário:

Sarah disse...

Emocionante...!!!
Obrigada por fazer parte do espetáculo de forma tão grandiosa!!!