quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Emoções

Para viver com intensidade é preciso sentir na plenitude do termo. Tudo o que fazemos, por mais que nos pareça cotidiano ou senso comum, desperta-nos sensações que nos movem para frente ou para trás, mas as vezes não nos permitimos percebê-las. As emoções, que geralmente se fazem sentidas nos momentos de tristeza, porque ficamos mais frágeis, precisam ser colocadas a trabalho do nosso desenvolvimento de forma constante, ininterrupta.

Coisas boas, coisas ruins, lágrimas. Conquistas, derrotas, lágrimas. Diz-se que as lágrimas são efeito da incapacidade do corpo humano em controlar um vulcão de sensações, que, como mecanismo de defesa, para evitar uma explosão, fazem jorrar os canais lacrimais, permitindo o reestabelecimento do nosso equilíbrio. Poesia à parte, quem nunca chorou, independente da razão, ou é muito controlado ou deixou muita coisa importante passar.

Esses dias têm sido de chuva, deixando tudo à volta com um aspecto meio frio, meio nublado. Mas seria somente esta a possível visão do quadro? Esta mesma chuva que as vezes nos parece fina, pode parecer uma verdadeira catástrofe em níveis microscópicos, como uma vez mostrou um programa, sei lá em qual canal. Mas ela não trás apenas catástrofes, assim como não deixa apenas o clima sombrio.

A chuva trás um pouco do frio, o que deixa um clima perfeito para um chocolate quente, ou mesmo um chamego apaixonado. A chuva não molha apenas, trás a vida. Lágrimas, chuva, água em um caso, água também no outro. Quais as semelhanças? Veja que a chuva acontece porque as núvens, não segurando mais a quantidade de umidade que se acumulou, transbordam as gotas de água, visando, inclusive, normalizar o próprio clima. As lágrimas, respondendo a um excesso emocional, normalizam o organismo humano.

A chuva trás a vida, oferecendo o suporte necessário às plantas que precisam crescer e aos animais que precisam de água, e pela cadeia natural onde tudo se encaixa, isto provê o suporte para que, entre outros, nós possamos aqui estar. As lágrimas, como resultado de vitórias e derrotas, de percepções e certezas, nos mostram que precisamos continuar, porque existe muita coisa bela, e nisto ambas trazem criação; água na simbologia dos desafios ultrapassados e da experiência adquirida.

Emoções não são apenas isto, mas isto é a capa que nos faz pensar no núcleo. E tanta gente se impede de chorar! Homens, que não choram pela necessidade de se mostrarem fortes, percebam que somos o que somos e que mudanças superficiais só nos fazem encenar para platéias desinteressadas! A melhoria é interna e esta passa pela certeza de que estamos aqui por um tempo apenas, com a outra certeza que nos chega aos poucos, enquanto nos aproximamos do descanso, de que as coisas vêm e as coisas vão, e o que difere as pessoas é a forma como se permitem ver, ser e se sentir.

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