quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Coisas que não fizemos

Acabei de ler um texto interessante, que me fez pensar sobre como nos colocamos diante das nossas experiências. Vou aproveitar e citar algo que copiei da Internet e que, para ser sincero, não tenho certeza se foi originalmente dito assim, mas preciso da idéia apenas: "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." (Charlie Chaplin)

O que me importa nessas letras todas é o termo "intensamente", que pressupõe um mínimo de integração com as várias situações que aparecem, pois é no mínimo complicado ser intenso, sem se doar ao ato por completo, de coração, procurando não apenas dar-lhe vida, mas ser com ele. Nessa hora acho que poucas vezes fui intenso, e perdi muito com isto.

Optei pelo título "coisas que não fizemos", pois achei apropriado para dar a idéia de que deixamos o tempo passar. Triste aceitar isto, mas a maioria de nós deixa o tempo passar apenas, envelhecendo sem desenvolvimento, fazendo pouco uso das ferramentas que lhe são colocadas à mão. Eu demorei para entender o poder das letras e a força da leitura. Me arrependo muito, porque eu poderia ter muitas coisas que hoje não tenho, como uma independência financeira.

Nestes momentos, em que um filme da minha vida passa em minha cabeça, procuro me perguntar se realmente teria sido bom eu ter evoluído antes do que foi o meu tempo. Será que eu teria conhecido as pessoas que conheci, os amores que tive e aprendido tudo o que sei? Com certeza os caminhos seriam outros e num aproveitamento extremo de tudo que eu tive, eu teria deixado de ter o que veio em seguida aos meus erros.

Tudo acontece certo, por mais que não entendamos isto, mas deixamos de lado oportunidades que, talvez, poderiam nos fazer melhores. As coisas que não fizemos, como os livros que não lemos, referenciando o artigo lido, não são situações hipotéticas que deixamos de vivenciar; muito pelo contrário. Estes momentos que perdemos, ou que aproveitamos muito pouco, nada mais são do que as vivências que tivemos, mas cujo proveito interior foi quase nulo. Nos livros, seria como ler uma história tal qual um zumbi, bloqueando a mente para refletir sobre o cerne da questão tratada na obra.

A essência, não a casca, assim como quando entendemos que o tempo passa e as coisas não voltam. Nunca teremos tempo suficiente para absorver tudo, por isto é imperativo que consigamos um meio de nos absorvermos a nós mesmos. O autoconhecimento é o caminho, porque só ele nos dá a base para que construamos o nosso modo de pensar, a nossa opinião e, assim, consigamos ter a certeza de que somos únicos. Do contrário, seremos apenas leitores de letras, fantoches de uma peça de marionetes, guardados pelos verdadeiros artistas em uma caixa, quando o show termina.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sorriso

Já escrevi uma vez sobre o assunto, mas nunca é demais falar sobre coisas importantes. Vou começar este texto com uma situação aparentemente triste, que alguns já devem ter recebido por email ou lido em algum site. Não a inventei e não estou copiando na íntegra, então pode faltar algo; mas o importante aqui é a essência dela.

Um menino certa vez tinha um amiguinho em fase terminal, no hospital, e diversas vezes pediu à mãe que o levasse para vê-lo. Como a mãe, sabendo que o filho sofreria, negava ao filho o pedido, este resolveu fazer a visita escondido. Foi ao hospital e voltou chorando, dizendo à mãe que seu amigo havia morrido em seus braços. A mãe, em tom repreensivo, lhe perguntou: "Não lhe disse que não era para ir? Acha que valeu a pena?". O menino enxugou algumas lágrimas e lhe respondeu: "Valeu sim, porque quando entrei no quarto ele me disse: - Eu sabia que você viria!".

Percebem o sorriso? Não? A maioria de nós só vê a tristeza numa situação dessas. Confesso que sempre me emociono ao lembrar dessa história. O fato é que somos materialistas demais, até mesmo nos sentimentos. Sorriso, na nossa concepção, precisa vir acompanhado de um movimento de lábios, do contrário não entra na definição do termo. Meu avô sorria com os olhos, semelhante a uma colega que fica parecendo japinha quando sorri.

Sentimentos são dádivas internas, às vezes sem expressão para o exterior. O menino da narrativa conseguiu ver seu amigo pela última vez, demonstrar seu amor por ele e dar uma última alegria a uma pessoa querida que estava partindo. São formas de se analisar as situações, pois, como se diz, tudo tem um lado positivo. Precisamos aprender a escolher o lado do sorriso, para que consigamos embelezar as situações à nossa volta.

Quando me for, façam festa, pois eu vivi! Eu não sofri, amadureci, não chorei, limpei a cegueira que me impedia de ver os meus próprios defeitos, não caí, apenas aprendi a caminhar sem tantos tropeços. O sorriso é algo interno, que assim como outros sentimentos, não pode ser completamente materializado. Esqueçamos nosso materialismo exacerbado, e tentemos entender as coisas que nos cercam, coroando um final com o sorriso de um espectador que não apenas assistiu um espetáculo, mas que se fez parte dele.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Emoções

Para viver com intensidade é preciso sentir na plenitude do termo. Tudo o que fazemos, por mais que nos pareça cotidiano ou senso comum, desperta-nos sensações que nos movem para frente ou para trás, mas as vezes não nos permitimos percebê-las. As emoções, que geralmente se fazem sentidas nos momentos de tristeza, porque ficamos mais frágeis, precisam ser colocadas a trabalho do nosso desenvolvimento de forma constante, ininterrupta.

Coisas boas, coisas ruins, lágrimas. Conquistas, derrotas, lágrimas. Diz-se que as lágrimas são efeito da incapacidade do corpo humano em controlar um vulcão de sensações, que, como mecanismo de defesa, para evitar uma explosão, fazem jorrar os canais lacrimais, permitindo o reestabelecimento do nosso equilíbrio. Poesia à parte, quem nunca chorou, independente da razão, ou é muito controlado ou deixou muita coisa importante passar.

Esses dias têm sido de chuva, deixando tudo à volta com um aspecto meio frio, meio nublado. Mas seria somente esta a possível visão do quadro? Esta mesma chuva que as vezes nos parece fina, pode parecer uma verdadeira catástrofe em níveis microscópicos, como uma vez mostrou um programa, sei lá em qual canal. Mas ela não trás apenas catástrofes, assim como não deixa apenas o clima sombrio.

A chuva trás um pouco do frio, o que deixa um clima perfeito para um chocolate quente, ou mesmo um chamego apaixonado. A chuva não molha apenas, trás a vida. Lágrimas, chuva, água em um caso, água também no outro. Quais as semelhanças? Veja que a chuva acontece porque as núvens, não segurando mais a quantidade de umidade que se acumulou, transbordam as gotas de água, visando, inclusive, normalizar o próprio clima. As lágrimas, respondendo a um excesso emocional, normalizam o organismo humano.

A chuva trás a vida, oferecendo o suporte necessário às plantas que precisam crescer e aos animais que precisam de água, e pela cadeia natural onde tudo se encaixa, isto provê o suporte para que, entre outros, nós possamos aqui estar. As lágrimas, como resultado de vitórias e derrotas, de percepções e certezas, nos mostram que precisamos continuar, porque existe muita coisa bela, e nisto ambas trazem criação; água na simbologia dos desafios ultrapassados e da experiência adquirida.

Emoções não são apenas isto, mas isto é a capa que nos faz pensar no núcleo. E tanta gente se impede de chorar! Homens, que não choram pela necessidade de se mostrarem fortes, percebam que somos o que somos e que mudanças superficiais só nos fazem encenar para platéias desinteressadas! A melhoria é interna e esta passa pela certeza de que estamos aqui por um tempo apenas, com a outra certeza que nos chega aos poucos, enquanto nos aproximamos do descanso, de que as coisas vêm e as coisas vão, e o que difere as pessoas é a forma como se permitem ver, ser e se sentir.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A pressa

Sempre achei que as pessoas correm demais; quanto mais tempo passa e mais maduro me sinto, mais certeza eu tenho disso, sobre essa correria desnecessária. Corremos tanto para conseguir algo, que não temos tempo para pensar sobre o que faremos quando o alcançarmos e então nos tornamos adultos frustrados, cheios de riqueza material, que não nos serve para curar o vazio que vai por dentro.

Recebi uma longa apresentação por email esses dias, que mostrava, em seus vários slides, que é muito vantajoso fazer as coisas com calma, citando como exemplo um país bem desenvolvido: a Suécia. Em uma das partes desta apresentação, aparece uma situação que nos seria estranha, em que um funcionário de uma fábrica, mesmo chegando cedo e com várias vagas perto da entrada, estaciona o carro nas vagas mais afastadas. Sua justificativa? Quem chegar atrasado precisará andar menos, ao passo que quem chega cedo tem tempo para caminhar.

Fiquei refletindo sobre isto e cheguei à conclusão de que nós nos preocupamos com a saída, com o final das coisas, deixando de sermos civilizados, educados, de nos preocuparmos com quem vai chegar depois e, inclusive, deixamos de aproveitar uma boa caminhada matinal. E qual o nosso ganho? Andamos menos, o que nos deixa mais propensos a problemas de saúde, chegamos mais cedo, enchendo a pança de café e, idem, e quase sempre começamos o expediente mais cedo, pois lá já estamos.

E então, campeões da vaga mais perto da saída, teremos então menos tempo para resfriar a cabeça dos problemas do dia, rapidamente correndo para casa, atropelando a todos pelo controle remoto que nos espera na televisão, com programações já conhecidas, pois na nossa pressa não deixamos de ler o resumo dominical que nos chega pelos impressos.

Estou quase nos trinta. Imagine se eu ganhar meu primeiro milhão até os quarenta. Pela média familiar, ainda me restarão mais uns quarenta anos de vivência ou sobrevivência; eu escolherei qual. Sinceramente me parece meio vazio conseguir tudo e não restar mais nada, porque a pressa nos trás tudo, sem que tenhamos o saudável tempo de análise, para aproveitar tudo que vem a contento.

Várias pessoas vieram, várias situações se foram, e sei que não as aproveitei como poderia, porque estava preocupado demais em ser o mais breve possível, porque tudo acontece tão rápido e eu talvez não tivesse outra chance. Talvez eu não tivesse outra chance; deveria ter pensado nisto primeiro.

E não me canso de me lembrar de uma parte do filme Cidade dos Anjos, que é uma pintura completa do começo ao fim: "I would rather have had one breath of her hair, one kiss from her mouth, one touch of her hand, than eternity without it.
One." Mas, para ter a certeza de que apenas um momento basta, é preciso vivê-lo com toda a intensidade, sem a pressa do mundo cotidiano, onde tudo se transforma em simples gestos fordianos, tal qual uma linha de montagem, onde passamos a ser apenas engrenagens.

Sinta o momento, porque cada um é único. E não tenha pressa, porque, afinal de contas, nossa vida já está traçada: nascemos, crescemos e morremos. O meio é que nos cabe. Ser ou não ser? Se você for rápido demais, alguns nem se lembrarão que você chegou a ser; talvez nem mesmo você. Pense nisto!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Imortalizando-se

Fiquei refletindo sobre o último comentário que me fizeram aqui neste blog. Cheguei à conclusão de que não apenas os artistas são imortais, mas nós também assim nos fazemos; artistas e imortais. Sem excessão, todos temos nossos momentos de lembrança, em que coisas boas ou ruins aconteceram, cujo significado nos fornece a matéria prima básica para que consigamos gerar novos momentos agradáveis, evitando os que nos trariam algum desconforto.

Sem nos darmos conta, somos os criadores do nosso destino, assim como responsáveis pela alteração dos caminhos daqueles que andam conosco, sendo, assim, artistas, atores e diretores, desenhando cenários que serão eternos, mesmo que por algum tempo, na imaginação saudosa de nossos companheiros de jornada.

Algumas coisas me despertaram certa admiração, como o fato de um autodidata brasileiro gerar dúvidas que se propagariam pelos anos à frente, pela simples colocação de uma situação cotidiana, como o fez Assis. Ainda, como a bondade, assim como a maldade, é responsável pela pintura de quadros cuja impressão perpetua seus pintores, permitindo que situações comuns a todos sejam editadas como cenas congeladas de imenso significado.

Poderíamos nos sentar com nomes importantes, exemplificadores do fato, como Gandhi e Hitler, mas o tempo passou e eles se foram. E aqui reside o cerne desta reflexão, pois podemos sim dialogar com tais ícones da História, não através dos métodos tradicionais, mas tal qual faríamos ao ler uma obra literária, onde, inevitavelmente, o autor deixou sua forma de pensar e ver o mundo que existia na sua época.

A reflexão, o propósito deste blog, nos permite estudar o que foi feito pelos outros, comparando a outras obras, pelas diversas percepções que temos, aprendendo e apreendendo. E assim, pelas conclusões individuais geradas do pensamento racional, mesmo que em momentos simples e sem magia aparente, criamos cenas imortalizadas e, assim, vamos nos imortalizando, a nós mesmos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Preparo

Conheci uma pessoa que adorava a seguinte colocação: "Deus não escolhe os preparados, prepara os escolhidos". Preparo é algo muito relativo, quando nos propomos a olhar à nossa volta com uma visão mais ampla, destituídos principalmente de orgulho, entendendo nossas limitações.

Sempre ouvi que é preciso preparar-se para o futuro; mas como estar pronto para algo tão vago? Não dá para escolher o desenvolvimento completo, pois faltaria tempo e recursos necessários para completar a tarefa satisfatoriamente. Podemos, pois, tentar advinhar o futuro, escolhendo os melhores caminhos e trilhando os esforços para alcançar os resultados mais prováveis.

Quando se fala de preparo profissional, não se consegue um curso formal satisfatório por menos que alguns vários meses, talvez anos. Mas algumas coisas não são ensinadas na escola, como estar pronto para ser pai ou mãe, ou então como agir frente a uma derrota. A humildade nos mostra que, nessas situações, mais do que títulos, precisamos de atitudes e de postura, o que só a maturidade nos dá.

Curiosamente, no decorrer dessas letras a energia resolveu tirar alguns minutos de descanso. Fiquei refletindo sobre o próprio texto, sobre tomar decisões quando ocorrem coisas inesperadas. Neste caso o próprio sistema salvou um rascunho, o que nem sempre acontece. Quando não há como continuar, é preciso entender que algumas coisas se vão, o que não nos impede de começar de novo ou seguir para novos rumos.

Inesperadas são as coisas, notadamente aquelas para as quais não nos achamos prontos, ou que achamos ruins. A gravidez inesperada, assim como um desemprego que não fazia parte dos planos originais, nos coloca em situações em que todas as nossas crenças são colocadas em xeque. Precisamos nessas horas, acima de tudo, de tranquilidade e resignação para refletir e, assim, chegar à conclusão de que não foram situações tão inesperadas assim.

Tudo o que fazemos oferece algum tipo de resultado, bom ou ruim, e nos dá uma experiência nova. Todas as vivências que acumulamos acabam por nos dar preparo amplo, de aplicações diversas, tornando-nos melhores. Justamente por isto sempre me incomodou nos anúncios de emprego a parte sobre experiência, pois é algo muito subjetivo.

É preciso entender que, ao contrário do que nos cabe nos momentos de glórias, não estamos sempre preparados. Existem coisas demais para vivenciarmos e muitas interpéries a serem superadas. O máximo que podemos chegar quando se objetiva o preparo é um estado melhor a cada dia, na certeza de que hoje somos melhores do que ontem. Mas assim como é preciso ter humildade para entender que não seremos perfeitos por enquanto, é preciso ser lógico e racional, para aceitar que não precisamos ser.

Existem vários caminhos, e nem todo mundo quer sempre as mesmas coisas. Reflita sobre o que você quer, o que é importante para você, pois isto determinará o que falta para completar o seu estágio preparatório. Assim, otimizando seus recursos, você conseguirá chegar ao topo, mas não aquele que o seu vizinho almeja, mas sim o que o tornará feliz, mesmo que aos olhos dos outros pareça simplório, pois a simplicidade carrega detalhes que na maioria das vezes passam despercebidos aos olhos daqueles que estão ocupados demais buscando realizar os sonhos alheios.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Nacionalismo versus Racionalismo

Sejamos racionais, mesmo nas críticas! Como corrigir o erro, incitando-o? Antes de bater no peito, orgulhando-me da minha bandeira e demais símbolos nacionais, prefiro olhar ao redor, e no interior, e analisar as atitudes, que se fazem distintas, aqui e lá. Dizem que a fuga para outras paragens é o melhor caminho para encontrar lugares melhores, mas aprendi com as poucas experiências que tive, que não há como fugir de si mesmo.

Como fica a consciência, quando deita no travesseiro para o imerecido repouso, quando existe a certeza de que o errado prevaleceu sobre o certo? Que conflito ininterrupto é este que tira o sono dos não justos, pela clara informação de que, fazendo-se o pouco, poderia ter existido a contribuição para a correção do todo? Cada um possui sua parcela de responsabilidade, e o nacionalismo puro e ignorante é uma porção de veneno a se juntar ao caos já existente.

Reflitamos pois, porque o brasileiro não se comporta como tal em outros lugares. Pensemos o motivo de pouparmos o ambiente alheio, enquanto dilapidamos das mais diversas e nocivas formas, o que nos cabe como herança de nascimento. Pobreza, corrupção, falta de ética e outras chagas não são perpétuas e não devem ser tratadas como tal, pois apenas porque algo nos parece grande, não significa que seja impossível. "Por não saber que era impossível, foi e fez".

Racionalismo sim, porque não dá para ser utópico o tempo inteiro, acreditando que tudo se resolverá sem esforços, tal qual ficar rico ganhando na mega sena. Nacionalista sim, porque é preciso crer que a casa pode ser reformada, transformada em uma bela moradia, porque, do contrário, seríamos céticos em todos os lugares, porque não dá para fugir de si mesmo, da idéia certa de que deixamos de fazer nossa parte ao fugir.

O nacionalismo brasileiro precisa de educação, como o seu povo. E neste ponto é preciso entender que o processo educacional se faz desde pequeno, por exemplos, sendo responsabilidade de todos, não apenas da escola. Construir cultura, educação, ética e outras coisas leva tempo, mas é preciso começar, porque, tal qual o dito popular, "de grão em grão, a galinha enche o papo".

Sou nacionalista e quando penso em viajar quero conhecer meu país, porque para fazer compras não preciso ir lá fora. Temos maravilhas, diferenças culturais muito ricas, que precisam ser observadas com emoção, apreciadas como um enólogo aprecia um bom vinho. Ensinemos nossos filhos a serem éticos, "bons homens", como tive a honra de ser ensinado, porque não existe outro caminho.

Grandes caminhadas sempre começam com o primeiro passo e outros ditados. O povo fala o tempo inteiro coisas prontas, ditas por alguém, sei lá quando, mas não se dá o trabalho de refletir sobre elas. Façamos isto, pois, para chegarmos à conclusão de que elas são parte do que somos, por isto sendo ditas. Somos brasileiros e precisamos ser. Mas somos humanos e isto sobre aquilo. Façamos a abolição dos preconceitos, dos erros, corrupção e seus amigos, pois assim, racionalmente, seremos nacionalistas, fazendo o nosso pouco, construindo o nosso muito, corrigindo o todo que se partiu lá longe.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Conflitos

Faça-se entender e entenda os outros, esta é a chave do sucesso em tudo. Seria simples, se fôssemos todos iguais, mas não é o caso. Metamorfoses ambulantes, como diria Raul, somos imprevisíveis em tudo, por mais que nossas atitudes sejam calculáveis. Não se trata de matemática, mas de comportamento, psicologia, idéias que vão e vêm e que, em determinados momentos, nos levam a atitudes diferentes.

Faça-se entender, pelas palavras, pelos gestos e pelas atitudes, porque isto fará toda a diferença. Mas é bom analisar, que não adianta ser, mas é preciso ser o tempo inteiro, evitando contradições. De qualquer forma, se formos atentos, perceberemos que as contradições simplesmente não existem, sendo apenas um erro de juízo inicial.

Somos bem constantes no que somos, isto é um fato. Por mais complexos que sejamos, carregamos conosco nossa essência, cuja alteração requer tempo e muito trabalho. Tal qual uma mudança externa ocasionada por uma roupa, que não altera as características de seu manequim, nos mostramos ao mundo tal qual ele nos pede, em situações distintas, diferentes do que realmente somos em muitos casos, porque é difícil ser como se é ou porque o mundo simplesmente não nos quer como somos; mas a essência não se altera.

Conflitos, externos e internos, e é difícil entender que não somos perfeitos ainda, como alguns nos criaram para ser, e que a perfeição exige tempo e muito trabalho. Os conflitos, as discussões, os erros de julgamentos, acontecem porque ainda não conseguimos entender que não entendemos tudo e que nem tudo o que nos parece de tal forma realmente é, pois passa pelas lentes disformes do nosso próprio juízo.

Conflitos devem ser evitados? Apenas o seu excesso, porque reflexões, pensamentos, tentativas de entendimento individual ou mútuo, são o caminho mais longo e proveitoso de um desenvolvimento necessário. Ser ou não ser? Não há questão. Apenas seja, entendendo que ainda falta lapidar um pouco do ser, para que haja a existência completa, e não existam mais conflitos.