terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Vergonha pelos meus representantes

Em função da idéia inicial que originou este blog, prefiro não comentar fatos do cotidiano, cuja exploração já é muito bem feita pelos diversos meios de comunicação existentes. Entretanto, abrirei aqui uma exceção devido ao fato ser originador de uma profunda reflexão sobre como não temos sido brasileiros a contento, apesar de a prática em questão não se restringir ao nosso tempo ou à nossa pátria.

Hoje resolvi entrar no site do Senado e assistir um pouco à programação ao vivo da TV. Surpreendeu-me sobremaneira a forma como o tempo dos nossos ilustres senadores é desperdiçado com elogios mútuos e desnecessários, além da forma como informações isoladas são utilizadas para mascarar a nossa verdadeira situação de país com condições precárias em praticamente todas as áreas sociais.

Mais ainda, sinto uma imensa repugnância por um comportamento socialmente aceito, cuja conseqüência direta é evitar que o gasto do dinheiro público seja feito da forma como deveria, aplicando-o no esbanjamento escancarado do tempo que deveria ser utilizado no debate racional das pautas de interesse da nação.

Os nossos bem preparados e bem pagos senadores, usando-os aqui apenas como símbolo dos políticos brasileiros, que vêm se esquecendo da razão pela qual foram eleitos, pensando apenas nos benefícios que lhes agradem de forma pessoal, ignoram de forma consciente seu papel representativo e trocam favores em prol da manutenção de práticas que seriam suficientes para a falência de uma empresa privada, no mundo real.

Qual a função do Estado? Qual o papel do Governo? Será que as lições deixadas nos livros servem apenas de referência histórica, matérias para avaliação de um ensino básico incapaz de preparar seus alunos para a vida? Façamos, pois, algumas considerações.

Primeiramente, quando se pensa em existência por longo prazo, nenhuma empresa privada admite a permanência de uma folha de pagamento inchada e ineficaz, com existência de diversos empregados cuja função não é desempenhada a contento. Além disto, qualquer reestruturação de um organismo capital em dificuldade passa por um racionamento de contas, seja ele uma empresa jurídica ou uma pessoa física.

Acrescendo-se, as empresas que conheci através das quais a alta direção possuia privilégios e regalias sustentadas pela miséria da massa trabalhadora, não tiveram um fim dos mais salutares. E por fim, pois do contrário perderíamos longos anos enumerando problemas, a mortalidade econômica de empresas e cidadãos têm relação direta com a alta carga tributária nacional, fato comprovado por diversos estudos.

Reflitamos pois, sobre como temos agido como brasileiros. Nosso pesado Governo, que se vangloria de distribuir dinheiro aos pobres, dá com a mão direita e toma com a esquerda, não para realizar o milagre do crescimento, mas para efetuar a mágica de não conseguir quebrar o país com seus sucessivos erros, porque a nação é grande demais. Não é preciso mais receita para conter maiores gastos; qualquer pessoa que passou aperto sabe disto, não sendo necessário ser um economista renomado. A primeira atitude é gastar adequadamente.

Adequar-se, porque do contrário não será a CPMF, contribuição Permanente que rouba dos ricos e pobres para beneficiar os políticos, que salvará a saúde, a educação e outros setores deficitários. Não há planos concretos, nem ações preventivas, razão pela qual continuamos a inventar vagas para negros, para índios, pobres e cursos específicos para os sem terra.

Vivemos em um país em que as pessoas que não trabalham e não estudam ganham bolsas financeiras, casas próprias e todas as regalias possíveis. Nos países tidos como desenvolvidos isto seria fruto no trabalho, ao passo que no Brasil o nosso próprio representante maior estimula o ócio com seus programas ditos sociais. Programas sociais deveriam beneficiar a sociedade, o que não é o caso.

Há dias ouvi um jornalista reclamar sobre o fato de que as vagas nas faculdades federais eram ocupadas quase em sua totalidade por alunos da escola privada, como se isto fosse errado. Em momento algum, o nobre colega formador de opinião pareceu refletir sobre o fato de que o erro não é no fim, mas no começo, representado por um ensino primário e médio insuficiente na rede pública.

E assim seguimos, criando e aceitando remendos, porque nos colocamos como povo destinado à colônia de exploração; hoje por irmãos de sangue e de pátria. Tenho vergonha pelos meus representantes, mas não só por eles. Estamos todos juntos neste barco, e quando um barco afunda, todos vão para a água, seja capitão ou passageiro. É preciso mudar e nos tornarmos um país sólido por completo, pois temos capacidade para tal.

Mas temos poder de escolha, como assistir à prorrogação de impostos e viagens executivas com finalidade turística, cujo benefício é curto e imediato. Arquemos então calados com as conseqüências, sem culpar àqueles que nos representam, pois nada fazemos para impedí-los. Afinal de contas, como tanto se houve, a coisa não vai mudar mesmo! E como costumo dizer: "enquanto mantivermos esse pensamento de que nada vai mudar, nada mudará".

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