quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Lei

Vivemos em uma sociedade de Lei e leis. A Lei, geralmente discutida parcialmente nas diversas religiões humanas, relaciona-se à ética pura, enquanto as leis vão sendo criadas e extintas, de acordo com a evolução das sociedades. A relação entre elas, principalmente pelas suas diferenças entre teoria e prática, de forma bem simples transformam o meio, deixando transparente um menor ou maior grau de adiantamento.

Porque parcialmente? Primeiro, porque todas as religiões têm influência humana, inclusive as espiritualistas, que utilizam o ser humano como intermediário, sujeitas então às suas características, boas e ruins. Segundo, porque as religiões têm, em sua maioria, o péssimo costume de tentar agradar a todos, com o intuito de arrebanhar fiéis, prejudicando, assim, as discussões de conteúdo mais puro. Poderíamos citar também o despreparo de oradores, interesses pessoais, entre outras coisas, deixando sempre claro que não se aplica a nenhuma em específico, mas a todas aquelas em que há participação do homem, que em si ainda carrega muitos aspectos da ignorância que será lapidada no momento certo.

Mas analisemos a diferença entre uma e outra forma de comportamento, entendendo os motivos pelos quais ainda vemos tantos desmandos. A ética é atemporal, porque não existe, por exemplo, meio roubo; o ato em si de roubar é o mesmo, seja uma caneta, seja um bilhão de dólares. O mesmo vale para o ato de matar, a cobiça, inveja, e outros comportamentos, religiosamente contidos nos famosos dez mandamentos. Em suma, a ética contém preceitos que devem ser respeitados à risca, que garantiriam o paraíso sonhado, com bom convívio, inexistência de desigualdades e felicidade plena.

Entretanto, ainda não estamos prontos. O ser humano não possui ainda um nível de maturidade que o permita pensar no todo, possuindo diversas pequenas falhas que impedem uma compreensão mais nítida sobre a importância de, por exemplo, não se jogar um papel de balinha pela janela. Desta forma, são editadas leis temporais, adequadas ao entendimento geral da sociedade, mudando à medida em que o ser humano se torna melhor.

Antigamente era aceita a conduta de ação e reação pura, através da qual matava-se pela morte, tirava-se um olho pelo outro. A famosa Lei de Talião, hoje não tem lugar no nosso social, porque crescemos. Da mesma forma, leis são criadas e extintas, favorecendo condutas que propiciem uma maior aproximação da Lei ética, ou Lei Natural, como alguns dizem, com as leis dos homens.

Há aqui, contudo, mais um problema, relativo à aplicação. Independente da fonte legal, é preciso aplicar o que foi desenvolvido, sob pena de gerar descrédito, pois para cobrar é preciso dar exemplo. Assim, principalmente aos líderes, fica a reflexão sobre a necessidade de se liderar não pela força, mas pela amostra pessoal do que deve ser certo, de forma que os fiéis venham espontaneamente, percebendo o que é bom.

Ainda estamos longe da correlação direta entre as duas, é fato. Analisar a natureza, em sua simplicidade onde tudo acontece da forma correta, com respeito entre as partes, é um ótimo caminho para conseguirmos nossa mudança e melhoria. Mas analisar apenas não traz a prática, esta fundamental para uma moral verdadeira. Aconselhemos, pois, a não fumar, não matar, não roubar, e tantas outras coisas como, inclusive, agradecer a um ser superior cuja existência ainda não compreendemos, mas tenhamos a coerência de aconselhar o que fazemos, para que não sejamos pegos na mentira, na falsidade, que gera descredito em massa, causando efeitos completamente opostos aos desejados.

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