segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Novo ano que se inicia

Mais um ano que se vai, que passa a fazer parte dos conhecimentos e experiências acumuladas que nos dão a sabedoria necessária para a maturidade completa. Mais um ano que virá, e consigo trará as oportunidades necessárias para que consigamos melhorar, crescer, desenvolver todo o potencial que carregamos, para que atinjamos a perfeição a que estamos reservados.

Coisas boas, coisas ruins, situações diversas que aconteceram e que serão vivenciadas, em um processo de constante vivência social, na qual o homem se insere desde o seu nascimento, e através da qual suas ações acabam por ecoar indeterminadamente pelos tempos, com efeitos positivos e negativos sobre todos aqueles que presenciaram nossa passagem.

Anos que vêm, anos que vão, mas serão apenas acúmulo de dias, ou não, cabendo-nos a decisão sobre esta equação complicada, cujo fim já está previsto; cabe-nos a escolha do tempo necessário para que seja determinada a longevidade e a qualidade da nossa caminhada.

Novos dias virão; novos aniversários, experiências, situações diversas que nos trarão maior compreensão sobre tudo e nos farão, inevitavelmente, melhores. O próximo ano, que se inicia amanhã, é um começo e continuação de algo maior, cuja extensão ainda nos foge à nossa parca compreensão.

Desejo-lhes não apenas um feliz ano novo, mas um ano de novas situações, aplicações práticas dos ensinamentos apreendidos até então. Sejamos melhores, e sobretudo sejamos nós, individuais, mas sejamos em conjunto, pois assim fomos concebidos, como integrantes do social, para vivermos como seres sociais, cuidando-nos uns dos outros.

Felicidades!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Feliz Natal

O Natal, como todas as datas de aniversário, é um dia como qualquer outro, mas cujo significado merece ser lembrado. Segundo nos consta, há 2007 anos, no dia 25 de dezembro, veio ao mundo uma criança com uma missão: mostrar aos homens que apesar de todos os problemas é possível que sejamos grandes, ajudando-nos e amando-nos uns aos outros.

Jesus Cristo, nosso amado irmão, nasceu, cresceu e mostrou-se como um dos mais completos exemplos de perfeição moral, em teoria e prática, cujos ensinamentos, apesar de não terem sido escritos por ele em sua época, propagaram-se pelos séculos, como consoladoras palavras para todos os povos.

Foi inteligente, manso, justo e amoroso na mais completa expressão do amor. Em momento algum demonstrou preconceitos, pré-julgamentos ou qualquer comportamento que pudesse limitar o alcance de seus ensinamentos, tendo, ao contrário, nos deixado a mensagem de que precisamos, acima de tudo, sermos irmãos, tratando-nos mutuamente com um amor puro, desinteressado, fazendo o bem pelo bem, recebendo como recompensa o crescimento alheio.

Neste Natal deixo-lhes esta lembrança, para que não nos esqueçamos do real motivo desta data. O espírito de fraternidade nos chega naturalmente nesses dias de festas, mas precisamos fazê-lo perdurar nos tempos seguintes, de forma contínua. Presenteêmo-nos, pois, com o amor que o nosso irmão aniversariante desse dia nos deixou, caminhando sempre para a nossa evolução. Um dia compreenderemos que sempre estivemos e sempre estaremos juntos, independente do tempo, da localidade, da raça ou de credos religiosos.

Feliz Natal, e que o próximo ano possa refletir a aplicação dos ensinamentos do Cristo, que nasceu para nos lembrar que fomos criados perfectíveis e que, somente com a perfeição que nós mesmos conquistaremos pela nossa reforma interior, alcançaremos o amado pai e nos regozijaremos junto a ele. Felicidades!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Conselhos

Quantas vezes ouvi dizer que, se houvesse um conselho oportuno, desastres poderiam ser evitados! Diz-se muito também coisas como "se eu tivesse a maturidade que tenho hoje, naquela época, teria feito melhor"; eu mesmo já disse muito isto e ainda digo. A verdade é que a história sobre o tempo nos trazer preparo não é apenas história, mas fato que pode ser comprovado ao longo do tempo.

À medida em que caminhamos, muitas vezes escolhemos ignorar os conselhos de pessoas mais preparadas que nós, como pais, irmãos, amigos e profissionais. Não precisam ser necessariamente mais velhas, porque tempo sozinho não implica em qualidade de experiências, razão pela qual precisamos ser humildes em muitas situações, aceitando sabiamente instruções de pessoas mais novas.

Conselhos são como manuais da vida, que podem permanecer nas prateleiras ou não. A forma como resolvemos lê-los e aproveitá-los faz toda a diferença na velocidade em que conseguiremos atingir nossos objetivos e, até mesmo, se chegaremos lá. Mas permitir-nos uma segunda opinião exige a maturidade de quem aprendeu que não se vive sozinho e que não é ofensivo tentar ajudar alguém, portanto é permitido ser ajudado.

Hoje vejo pessoas em situações semelhantes às que passei; algumas iguais até. Reflito sobre as coisas que passaram e começo a entender quando meus pais me falavam coisas que pareciam sem sentido; intromissões de quem não queria me deixar viver por conta, mas que na verdade intencionavam uma proteção para os tombos inevitáveis.

Quando se cai, aprende-se a caminhar, a desviar de obstáculos e, principalmente, a levantar e continuar a jornada. Mas não precisamos cair sempre para adquirir todos os conhecimentos disponíveis. Melhor do que cair é observar o que nos rodeia, lendo os avisos que nos são dados, porque alguns tombos são de difícil recuperação. Avisos, dicas, conselhos de pessoas que já passaram por algo e, mesmo que a elas não haja volta, podem exercer o papel orientador, para que nem tudo se perca.

Caminhemos, pois, no sentido da melhoria geral, mas sejamos humildes, sem precisarmos ser seguidores cegos, porque é preciso que sejamos nós mesmos. Quando pensarmos que alguém deseja apenas interferir de forma indevida em nossa vida, calmamente raciocinemos, reflitamos como se sábios fôssemos, porque "se eu tivesse a maturidade que tenho hoje, naquela época, teria feito melhor".

domingo, 16 de dezembro de 2007

Escolhas

Ontem assisti um filme, que já tinha visto, cuja essência deixaria inveja nos maiores cineastas, líderes religiosos, sociais e políticos; daqueles que não visam somente o lucro, claro. "A corrente do bem", em inglês "Pay It Forward", com aquele menininho que fez "O sexto sentido"; um excelente ator.

Uma idéia simples de como mudar o mundo: faça sua parte a três pessoas, pedindo como pagamento apenas que elas retribuam a outras três pessoas; mas o número é irrelevante, o importante é a proporção que se tem de resultado e, principalmente, o resultado. Outro fator importante, é que não pode ser qualquer coisa, mas algo que a pessoa não possa fazer sozinha; algo difícil.

Coincidência ou não, deparei-me hoje cedo com o pedaço de um outro filme muito bom, "Perfume de mulher", com Al Pacino. Em uma parte do filme, quando um dos personagens está sendo julgado na escola, Al Pacino faz um discurso sobre integridade e sobre seguir o caminho certo, entre outras coisas. Segundo o personagem dele "eu sempre soube quais os caminhos certos, mas nunca os segui. Por quê? Porque é muito dificil".

Temos escolhas, cabendo somente a nós fazê-las, mas também arcar com as conseqüências. Podemos escolher mudar o mundo com atitudes simples ou ficarmos parados e não fazermos nada. Mas atitudes simples não implicam em simplicidade completa, porque os desafios são grandes. O mundo, em geral, se incomoda com a bondade irrestrita, que não espera nada em troca, apesar de dizer estimulá-la.

Faça escolhas, mas algumas custarão a sua vida. Assustador? Depende do que você espera ter vindo fazer aqui. Alguns entenderão que a causa é justa, mas, qual é a sua? Conheça-se para entender que ser íntegro, assim como fazer o bem, dá muito trabalho. Dizer a verdade, evitar a mentira, não ser falso e, principalmente, não levar a vida por interesses, principalmente pessoais e financeiros.

Temos escolhas, sim; somos frutos delas. Podemos escolher, mas devemos, acima de tudo, mantermo-nos firmes na aplicação delas. "Ache uma forma de mudar o mundo, e a coloque em prática". No primeiro filme custou a vida do personagem, mas salvou a vida de muitos. No segundo, quase custou a vida, de forma indireta, mas manteve-se firme.

Vale a pena, porque um dia, quando estivermos velhos, seremos nossas conquistas, muito mais do que hoje. Neste dia, a proporção de tempo que nos falta aumentará a importância do que fomos e de como fomos. E, lembrando um outro filme, "O resgate do soldado Ryan", "faça valer a pena".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Valor

Diz-se, sobretudo quando se estuda marketing, que valor não tem relação apenas com preço, mas, muito mais, com fatores emocionais. Desta forma, a racionalidade precisa ser colocada de lado às vezes para que possamos entender o porquê de determinadas coisas serem tão cobiçadas.

Um carro, por mais simples que seja, cumpre seu papel de transportar seus passageiros, da mesma forma como uma casinha simplória cumpre sua função de abrigo. Qual a razão, portanto, de determinados carros e apartamentos custarem milhões? Muitas sensações estão aí envolvidos, como fascinação, desejo, status e até mesmo poder.

Independente das causas ligadas ao material, é interessante analisarmos que grande parte dessas jóias do mundo moderno encontram-se em frente a um lago, um parque arborizado ou, no caso de um carro, te dão uma sensação extra de liberdade. O ser humano paga caro, mais do que deveria, para voltar a estar próximo à natureza. E neste ponto inverte-se a ótica, e podemos analisar à luz da razão completa.

Por mais tecnologia que tenhamos, ela nada é sem aplicação aos humanos, nem tão pouco se não puder garantir nossa continuidade. Mas nossa continuidade está limitada a termos espaço, inevitavelmente esbarrando em limites naturais. De forma racional, mesmo que inconscientemente, sabemos que precisamos dos recursos naturais e, portanto, da preservação da natureza.

Mas como não temos atitudes conscientes, destruímos o que nos circunda, por acharmos que os outros devem fazer por nós. Aí, tornando recursos ilimitados em escassos, começamos uma busca para termos um pedaço da natureza à nossa disposição. Parece engraçado, mas nós mesmos elevamos o preço das coisas, sem nos darmos conta. As mesmas coisas caríssimas não o seriam se conseguíssemos entender que não precisamos destruir, mas agindo de forma coerente.

Precisamos rever nossos valores, porque eles não precisam se pautar em dinheiro, mas nos sentimentos. Mas é preciso que analisemos em quais sentimentos estamos valorando as coisas, porque isto sim faz toda a diferença. Talvez assim consigamos nos emocionar com uma paisagem natural sem precisar pagar milhões em um quadro, entendendo, entre outras coisas, que o vento que nos causa sensações é o mesmo, seja num carro esporte, seja sentado na grama.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Vergonha pelos meus representantes

Em função da idéia inicial que originou este blog, prefiro não comentar fatos do cotidiano, cuja exploração já é muito bem feita pelos diversos meios de comunicação existentes. Entretanto, abrirei aqui uma exceção devido ao fato ser originador de uma profunda reflexão sobre como não temos sido brasileiros a contento, apesar de a prática em questão não se restringir ao nosso tempo ou à nossa pátria.

Hoje resolvi entrar no site do Senado e assistir um pouco à programação ao vivo da TV. Surpreendeu-me sobremaneira a forma como o tempo dos nossos ilustres senadores é desperdiçado com elogios mútuos e desnecessários, além da forma como informações isoladas são utilizadas para mascarar a nossa verdadeira situação de país com condições precárias em praticamente todas as áreas sociais.

Mais ainda, sinto uma imensa repugnância por um comportamento socialmente aceito, cuja conseqüência direta é evitar que o gasto do dinheiro público seja feito da forma como deveria, aplicando-o no esbanjamento escancarado do tempo que deveria ser utilizado no debate racional das pautas de interesse da nação.

Os nossos bem preparados e bem pagos senadores, usando-os aqui apenas como símbolo dos políticos brasileiros, que vêm se esquecendo da razão pela qual foram eleitos, pensando apenas nos benefícios que lhes agradem de forma pessoal, ignoram de forma consciente seu papel representativo e trocam favores em prol da manutenção de práticas que seriam suficientes para a falência de uma empresa privada, no mundo real.

Qual a função do Estado? Qual o papel do Governo? Será que as lições deixadas nos livros servem apenas de referência histórica, matérias para avaliação de um ensino básico incapaz de preparar seus alunos para a vida? Façamos, pois, algumas considerações.

Primeiramente, quando se pensa em existência por longo prazo, nenhuma empresa privada admite a permanência de uma folha de pagamento inchada e ineficaz, com existência de diversos empregados cuja função não é desempenhada a contento. Além disto, qualquer reestruturação de um organismo capital em dificuldade passa por um racionamento de contas, seja ele uma empresa jurídica ou uma pessoa física.

Acrescendo-se, as empresas que conheci através das quais a alta direção possuia privilégios e regalias sustentadas pela miséria da massa trabalhadora, não tiveram um fim dos mais salutares. E por fim, pois do contrário perderíamos longos anos enumerando problemas, a mortalidade econômica de empresas e cidadãos têm relação direta com a alta carga tributária nacional, fato comprovado por diversos estudos.

Reflitamos pois, sobre como temos agido como brasileiros. Nosso pesado Governo, que se vangloria de distribuir dinheiro aos pobres, dá com a mão direita e toma com a esquerda, não para realizar o milagre do crescimento, mas para efetuar a mágica de não conseguir quebrar o país com seus sucessivos erros, porque a nação é grande demais. Não é preciso mais receita para conter maiores gastos; qualquer pessoa que passou aperto sabe disto, não sendo necessário ser um economista renomado. A primeira atitude é gastar adequadamente.

Adequar-se, porque do contrário não será a CPMF, contribuição Permanente que rouba dos ricos e pobres para beneficiar os políticos, que salvará a saúde, a educação e outros setores deficitários. Não há planos concretos, nem ações preventivas, razão pela qual continuamos a inventar vagas para negros, para índios, pobres e cursos específicos para os sem terra.

Vivemos em um país em que as pessoas que não trabalham e não estudam ganham bolsas financeiras, casas próprias e todas as regalias possíveis. Nos países tidos como desenvolvidos isto seria fruto no trabalho, ao passo que no Brasil o nosso próprio representante maior estimula o ócio com seus programas ditos sociais. Programas sociais deveriam beneficiar a sociedade, o que não é o caso.

Há dias ouvi um jornalista reclamar sobre o fato de que as vagas nas faculdades federais eram ocupadas quase em sua totalidade por alunos da escola privada, como se isto fosse errado. Em momento algum, o nobre colega formador de opinião pareceu refletir sobre o fato de que o erro não é no fim, mas no começo, representado por um ensino primário e médio insuficiente na rede pública.

E assim seguimos, criando e aceitando remendos, porque nos colocamos como povo destinado à colônia de exploração; hoje por irmãos de sangue e de pátria. Tenho vergonha pelos meus representantes, mas não só por eles. Estamos todos juntos neste barco, e quando um barco afunda, todos vão para a água, seja capitão ou passageiro. É preciso mudar e nos tornarmos um país sólido por completo, pois temos capacidade para tal.

Mas temos poder de escolha, como assistir à prorrogação de impostos e viagens executivas com finalidade turística, cujo benefício é curto e imediato. Arquemos então calados com as conseqüências, sem culpar àqueles que nos representam, pois nada fazemos para impedí-los. Afinal de contas, como tanto se houve, a coisa não vai mudar mesmo! E como costumo dizer: "enquanto mantivermos esse pensamento de que nada vai mudar, nada mudará".

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sabedoria

Um dia alguém resolveu dizer: "Só sei que nada sei". Isto foi dito há muitos séculos por Platão, mas poderia ter sido dito há alguns segundos por qualquer pessoa, sem perda da qualidade do ensinamento em sua essência. Até hoje me admiro com esta simples frase, que nos faz pensar sobre o quanto temos para aprender, necessitando ainda entender o que fazer com tanto conhecimento.

O ser humano inventou remédios, abrigos, comidas variadas para sobreviver frente às interpéries naturais, mas ao mesmo tempo se dedicou às drogas, guerras e todo o tipo de atividade destrutiva, que nos faz ter a certeza de que houve conhecimento em excesso, mas com falta de sabedoria. Evoluímos, é fato, mas em nossa maioria sem o cerne necessário que nos ofereceria o suporte para a sapiência.

Geralmente consideramos sábias as pessoas mais velhas, o que se reflete facilmente na fascinação das crianças pelos seus avós, tidos então como dotados das respostas para as suas dúvidas. Mas à medida em que crescemos, parecemo-nos esquecer da lição inicial, sub-valorizando a experiência adquirida.

A razão pela qual os anciões são respeitados nas culturas orientais, assim como nas indígenas, é porque o conhecimento exige maturação pelo tempo, meio necessário para que as lições sejam apreendidas, refletidas e surjam as conclusões baseadas não no que os outros dizem, ou no que a pressa nos causa, mas no senso crítico desenvolvido, na justiça e em tantas outras qualidades que só aparecem após anos de lapidação humana.

Sabedoria não se compra, precisando ser construída, estimulada, e o primeiro passo para a caminhada em sua busca é o respeito pelo que já foi feito e pelos que fizeram parte da construção do que existe hoje. Todavia, perceba o conjunto de características, pois o tempo isoladamente é apenas tempo, que passa, inevitavelmente.

Podemos, pois, nos transformarmos em velhos ou em sábios, cabendo a nós mesmos a escolha e as glórias pela decisão tomada. Adquira conhecimentos e entenda os motivos pelos quais eles lhe foram dados. Aprenda a fazer bom uso deles, pois assim você será lembrado. Entenda que, assim como um dia as crianças olham seus avós com admiração, mesmo que temporária, o mesmo poderá acontecer com você; ou não. O resultado cabe somente a uma pessoa: você mesmo!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Lei

Vivemos em uma sociedade de Lei e leis. A Lei, geralmente discutida parcialmente nas diversas religiões humanas, relaciona-se à ética pura, enquanto as leis vão sendo criadas e extintas, de acordo com a evolução das sociedades. A relação entre elas, principalmente pelas suas diferenças entre teoria e prática, de forma bem simples transformam o meio, deixando transparente um menor ou maior grau de adiantamento.

Porque parcialmente? Primeiro, porque todas as religiões têm influência humana, inclusive as espiritualistas, que utilizam o ser humano como intermediário, sujeitas então às suas características, boas e ruins. Segundo, porque as religiões têm, em sua maioria, o péssimo costume de tentar agradar a todos, com o intuito de arrebanhar fiéis, prejudicando, assim, as discussões de conteúdo mais puro. Poderíamos citar também o despreparo de oradores, interesses pessoais, entre outras coisas, deixando sempre claro que não se aplica a nenhuma em específico, mas a todas aquelas em que há participação do homem, que em si ainda carrega muitos aspectos da ignorância que será lapidada no momento certo.

Mas analisemos a diferença entre uma e outra forma de comportamento, entendendo os motivos pelos quais ainda vemos tantos desmandos. A ética é atemporal, porque não existe, por exemplo, meio roubo; o ato em si de roubar é o mesmo, seja uma caneta, seja um bilhão de dólares. O mesmo vale para o ato de matar, a cobiça, inveja, e outros comportamentos, religiosamente contidos nos famosos dez mandamentos. Em suma, a ética contém preceitos que devem ser respeitados à risca, que garantiriam o paraíso sonhado, com bom convívio, inexistência de desigualdades e felicidade plena.

Entretanto, ainda não estamos prontos. O ser humano não possui ainda um nível de maturidade que o permita pensar no todo, possuindo diversas pequenas falhas que impedem uma compreensão mais nítida sobre a importância de, por exemplo, não se jogar um papel de balinha pela janela. Desta forma, são editadas leis temporais, adequadas ao entendimento geral da sociedade, mudando à medida em que o ser humano se torna melhor.

Antigamente era aceita a conduta de ação e reação pura, através da qual matava-se pela morte, tirava-se um olho pelo outro. A famosa Lei de Talião, hoje não tem lugar no nosso social, porque crescemos. Da mesma forma, leis são criadas e extintas, favorecendo condutas que propiciem uma maior aproximação da Lei ética, ou Lei Natural, como alguns dizem, com as leis dos homens.

Há aqui, contudo, mais um problema, relativo à aplicação. Independente da fonte legal, é preciso aplicar o que foi desenvolvido, sob pena de gerar descrédito, pois para cobrar é preciso dar exemplo. Assim, principalmente aos líderes, fica a reflexão sobre a necessidade de se liderar não pela força, mas pela amostra pessoal do que deve ser certo, de forma que os fiéis venham espontaneamente, percebendo o que é bom.

Ainda estamos longe da correlação direta entre as duas, é fato. Analisar a natureza, em sua simplicidade onde tudo acontece da forma correta, com respeito entre as partes, é um ótimo caminho para conseguirmos nossa mudança e melhoria. Mas analisar apenas não traz a prática, esta fundamental para uma moral verdadeira. Aconselhemos, pois, a não fumar, não matar, não roubar, e tantas outras coisas como, inclusive, agradecer a um ser superior cuja existência ainda não compreendemos, mas tenhamos a coerência de aconselhar o que fazemos, para que não sejamos pegos na mentira, na falsidade, que gera descredito em massa, causando efeitos completamente opostos aos desejados.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Democracia

Etimologicamente, democracia significa governo do povo (DireitoNet). Na prática, seja pela falta de teoria, seja pela não aplicação dela, estamos longe disto, colocando interesses pessoais à frente de interesses coletivos. Digo "estamos", porque não há muitas exceções; assumimos cargos representativos e esquecemo-nos de pensar no todo.

Primeiramente, quando se fala em representar alguém, é preciso pressupor que os interesses primários serão os do representado; nunca da pessoa que representa. Neste contexto, só se permitiria pensar no eu se fosse benéfico para o grupo. Isto pode ser facilmente mesclado com a concepção de governo, Estado e tantas outras definições ligadas ao público.

Existe uma confusão generalizada neste ponto, pois para a maioria, para se ter democracia, basta que todos tenham opção de voto. O voto, inclusive, que já foi ferramenta de manipulação pelos coronéis, e continua sendo, agora pelos programas sociais, é algo que é, no mínimo, sub-utilizado. Não basta ter um título de eleitor para se ter voz, como induzem as propagandas eleitorais; é imperativo que se saiba tomar decisões.

Como tomar decisões sem conhecimento de causa? Como escolher sobre o que é melhor para a maioria, e não apenas para mim, se o pouco que chega aos meus ouvidos não é nada além de dados manipulados? Será que conseguirei filtrar informações de forma crítica sem um mínimo de teoria necessária a este filtro? A resposta é não, sem discussões.

Não basta saber assinar o nome para constar na lista de votação. Conhecimentos básicos, como sociologia, filosofia, política, e tantos outros, não são apenas matérias de utilização isolada, restritas à elite que lê; é preciso que todos leiam. Essas matérias, a exemplo de um curso de graduação, não ensinam a fazer, mas dão a base necessária para alcançar postos mais altos do conhecimento, pela busca individual de seres mais preparados.

É preciso que entendamos que as reflexões, para serem realizadas de forma consistente e com um mínimo de argumentação, precisam de base de conhecimento, mas com qualidade. E aqui voltamos a um dos setores com excesso de problemas em nossa nação: a educação. Saúde, segurança, participação política, e por aí vai; setores sociais resultantes do comportamento dos seres humanos, que quanto menos educados, menos éticos, menos aptos a viver em sociedade.

A democracia, desta forma, não pode ser apenas um governo do povo, mas antes precisa ser uma preparadora do povo para que este possa ser. Governar, muito mais do que representar ou conduzir, como tem sido feito, precisa ser pensar pelo grupo, agir em prol dele, administrando o que lhe cabe de forma a garantir uma evolução geral, muito diferente dos avanços isolados a que temos acompanhado. Assim, naturalmente, sem tanta contendas, conseguiremos diminuir e eliminar as diferenças, sejam elas quais forem.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

União desunida

Não, não estou louco após alguns dias sem escrever. Apenas resolvi refletir sobre algumas coisas e achei a expressão oportuna em uma visão ideal sobre a união das pessoas, em todos os sentidos. União representa coesão, aglutinação em prol de algo em comum. Já a desunião pode significar o contrário ou, se vista com mais abertura às idéias, como uma diferenciação de pensamentos e atitudes.

Explico-me, então: em todos os âmbitos do relacionamento humano somos passíveis de aglutinação, mas não podemos nunca deixarmos de ser indivíduos. Simples análise, de significação fundamental para nossa evolução individual e coletiva. Alguns governos tentaram juntar seus súditos em torno de uma causa comum, mas foram fracassos, porque não souberam respeitar as diferenças.

A democracia ideal, as opções de voto, a existência do termo "opinião", são indícios de que precisamos, acima de qualquer coisa, adotar uma postura individualista, não no ter, mas no ser. Isto nos garante um crescimento parcial que será a base para o crescimento do todo, pois este é formado pelos seres que o compõem, socialmente falando.

Daí uma união desunida, em que nós, seres humanos, gradualmente passamos a evoluir individualmente, desunidamente, de forma a constituirmos partes importantes de uma união maior, em que conseguiremos alcançar o estágio evolutivo com o qual hoje sonhamos, mas do qual ainda estamos longe.

Este pensamento é útil, mas precisa ser colocado em prática. Gostaria, inclusive, que meus representantes o fizessem, entendendo sua parcela de responsabilidade neste todo, isentando-se do indivíduo pelo papel representativo que exercem. Desta forma conseguiríamos seres mais políticos e menos controláveis pelos erros e desejos individuais, que sobrepujam as benéfices coletivas, em situações onde o todo deveria ser o objetivo maior.

Como disse, é um estágio ideal, mas que precisa de passos firmes e contínuos, não dados por todos ao mesmo tempo, mas por todos, segundo suas próprias capacidades, um por um, tal qual se diz sobre a caminhada, que precisa, necessariamente, ter por início o primeiro passo. Verdade incontestável: quanto mais demorarmos para darmos nossos primeiros passos, mais estaremos atrasando nosso desfecho glorioso. Não reclamem, pois, de terceiros, quando colherem o que lhes cabe pela vossa semeadura, ou pela falta dela.