terça-feira, 13 de novembro de 2007

Silêncio

O silêncio é uma resposta que, acima de tudo, pede interpretação. Em suas várias facetas pode assumir significado de sapiência, de ignorância, medo, coragem, ironia e tantos outros. Independente da forma, o fato é que nos acostumamos com ele, assim como, em situações extremas, nos acostumamos à dor. Trata-se de uma reação do ser humano para as situações onde a razão parece não oferecer as respostas certas, pelo menos no primeiro instante, mas que às vezes perdura, muito pela falta de maturidade que nos mostraria a hora certa de eliminá-lo, ou talvez amenizá-lo.

Talvez um dia tenhamos a sapiência e a maturidade das crianças, oriunda da pureza que elas demonstram ter por não segmentar os sentimentos, que são unos em sua essência, mudando apenas o alcance da nossa compreensão sobre eles. Dentro desta nossa turva visão das coisas, para o que não encontramos resposta, aplicamos o silêncio, à espera de algo que nos mostre que há melhor opção.

É válido analisar-se constantemente, verificando os pontos fortes e fracos e onde melhoramos com o tempo. Seguidas vezes cometemos enganos repetidos, como crianças teimosas que não conseguem entender que fazendo certo chega-se mais rápido ao destino proposto. Precisamos de tempo, experiências, novas situações e novos sentimentos, para que consigamos então entender que as coisas boas e ruins que precisamos guardar em nosso passado são apenas degraus evolutivos, que nos garantem não apenas o topo, mas a permanência nele.

Mas e o silêncio? Esta ferramenta da sapiência incompleta, quando faltam palavras e atitudes, acaba nos servindo de salutar processo de preparação. Em muitas situações simplesmente não aguentaríamos o fardo das conseqüências de nossos próprios atos, e nos calamos. Na hora certa, quando nos julgarmos preparados, mais fortes, mais maduros sob vários aspectos, seremos convidados a libertar-nos da inércia auto-imposta, sob forma de comprovação de aprendizado, tal qual um estudante que realiza uma prova.

Ao longo do tempo aprenderemos que o silêncio não mais será utilizado como ferramenta de auto-proteção, mas como proteção do outro, porque nós estaremos preparados para tudo, mas teremos que entender, como hoje já compreendemos um pouco, que caminhamos juntos, mas nem sempre no mesmo passo. Neste momento faremos como nossos pais, que se calam aguardando a maturidade dos filhos, para então lhes revelar as verdades, quando estiverem preparados, pois quando se permanece muito tempo no escuro, é preciso receber a luz aos poucos, para evitar que a falta de preparo cause a cegueira.

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