segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Letras

Vez ou outra se discute a importância de se saber bem o idioma português, principalmente nos cargos de maior destaque, ou em posições que, por si só, já garantem uma exposição maior e, consequentemente, um lugar de preferência nas críticas de todas as formas. Nestas incluem-se cargos políticos, níveis de direção e posições de liderança e chefia.

Primeiramente, o conhecimento puro e simples do idioma, mesmo que alcance sua perfeição, não garante ao escritor ou orador uma perfeita utilização do mesmo. Entretanto, é fato aceitar que, como se dizia em um artigo jornalístico publicado há uns dias, para que se tenha um produto perfeito, é base que se saiba utilizar de forma excepcional as ferramentas que lhe garantem a construção. Assim também, para que se garanta um discurso irretocável, torna-se imprescindível o conhecimento da língua portuguesa, desde que este seja escrito nela.

Note, entretanto, que para se chegar a um pleno conhecimento da língua, notadamente no que toca à diversidade de vocabulário, é imperativo que se tenha uma dedicação não apenas ao exercício da escrita mas, mais ainda, ao da leitura. Tal qual o sábio que aprende a falar bem escutando mais do que falando, ao bom escritor é necessária a dedicação à leitura, análise e reflexão de escritos de outrém. Mais do que ler, é preciso exercer a chamada leitura crítica.

Veja que ao pronunciarmos o termo "discurso", vem à idéia os oradores de palanque, com seus ditados verbais de idéias e proposições, promessas e articulações. Perde-se, neste caso, parte da complexidade existente nas letras impressas, escritas, cujos erros se propagam no tempo após divulgados, pois que uma vez lançados ao público, mesmo que se busque a sua correção, ficará na memória de muitos o deslize inicial, perpetuado nos escritos que os divulgaram.

Erros são cometidos por todos, mas, como a língua é ferramenta de expressão, sua incorreta utilização causa erros de compreensão, transmitindo idéias distintas das que se deseja, causando problemas que vão da simples confusão de termos, à inviabilização de idéias e da exposição da sua fragilidade e superficialidade. Tendo isto, correm o risco, os líderes de todos os níveis, de se tornarem obtusos, comprometendo os projetos a que tanto se dedicam.

Não se deve tomar a forma pelo conteúdo, mas neste caso específico, o conteúdo precede a forma, sendo-lhe a base. Em casos específicos em que se consegue a forma perfeita da língua sem elementos que lhe garantam a essência, não se consegue manter os ideais defendidos, pela simples inexistência de conhecimentos que os sustentem.

Dominar as letras, pois, significa, de modo amplo e irrestrito, dominar, direcionar e liderar, pois que a comunicação não garante apenas a transmissão de dados, mas o convencimento dos outros sobre a informação que se transmite. E ao contrário de uma opinião colocada no texto a que me referi, publicado há uns dias, em cargos de direção, notadamente os públicos, a forma não pode ser deixada de lado, pois, como exposto, para garantí-la seus detentores precisam de conhecimento, e este lhes faz falta, quando inexiste ou é insuficiente.

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