quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Energia "futebolística"

Eu não nasci para o futebol; meu pai posteriormente completaria com "e o futebol não nasceu para você". Coisas de menino sem coordenação com as pernas, em um país em que se venera mais este esporte do que a própria educação. Tenho aqui que deixar meu registro, de que somos um país de um esporte só entre vários, sem desprezarmos as conquistas e os esforços individuais dos nossos guerreiros poliesportivos.

Apesar do ser humano ter sido tão criativo no desenvolvimento de alternativas para o uso da bola, do corpo humano e outros tantos artefatos para exercitar os músculos e a mente, o brasileiro, apoiado por um governo que adora uma política de pão e circo, esquece da maioria dos esportes, a não ser quando aparecem medalhas, para se dedicar integralmente ao futebol. Pena para mim, que não tinha jeito para a coisa.

Mas a energia vai além do jogo, contaminando as arquibancadas, e nelas mora a emoção dos muitos que não podem entrar no gramado. Com uma intensidade inexplicável, afloram-se emoções, causando consequências previstas, mas imprevisíveis, num misto de alegria, medo, expectativa e, às vezes, frustração. Como pode haver apenas um campeão, ao resto as lágrimas; será?

Somos tão desorientados quando o assunto é este, que não nos importa tanto o resultado, pois serve-nos mais como motivação para o dia-a-dia, como remédio salutar para esquecer das nossas próprias derrotas. No caso do brasileiro, a "energia futebolística" é algo que nos dá uma ilusão temporária de que podemos ser os melhores, sem nos preocuparmos se nós mesmos fazemos parte disto, porque nos colocamos dentro do jogo, sentindo cada esforço e cada alegria dos que estão construindo a história dentro de uma partida.

Essa energia que nos contamina aflora reações impensadas, fazendo-nos crianças choronas, de tristeza ou alegria, em um salutar exercício de imaginação, quando o mundo se apaga e resta-nos o momento, quando por alguns instantes entendemos o que significa aproveitá-lo em sua integralidade.

Salvos os excessos, a preferência desmedida por um esporte apenas, a manipulação pelos que estão lá em cima e tantas outras coisas que ofuscam o brilho dos espetáculos, tornamo-nos parte do espetáculo, entramos em campo, vibrando a cada momento, dividindo com nossos semelhantes a nossa energia, tornando-nos mais próximos, e isto é bom! Sejamos campeões dentro e fora do campo, utilizando esta mesma energia para edificar. Sejamos, pois, torcedores, mas, tal qual comentado nos jogos, sejamos mais um jogador, em todas as partidas do cotidiano!

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