quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Diferenças

Salvem as diferenças, porque é maravilhoso ser único, mesmo se você tiver um irmão gêmeo! Vivemos no mundo dos diferentes, dos estranhos, dos indivíduos que pensam, mas que não o fazem igual e isto precisa ser respeitado. Somos distintos na cor, na aparência, no credo e nas raças que nos deram origem e é justamente isto que garante esta linda miscigenação que nos acompanha desde sempre.

Louvemos os que entendem isto, porque deles será a glória de se encantar permanentemente, com toda a beleza distribuída em todos os cantos, cada belo com o seu jeito, cada lindo e linda à sua maneira. Somos o que somos e isto precisa nos bastar, porque acima de tudo, para sermos aceitos, precisamos nos aceitar, sob pena de requerermos um direito que não nos cabe.

Tenhamos pena, insatisfação, mas, acima de tudo, esperança de que todos mudemos nosso comportamento um dia, porque ainda espelhamos nossa incompreensão sobre a forma como as coisas são e sempre serão. Notadamente em nosso país, que tem em sua carta maior as letras de uma igualdade distinta, garantindo que todos sejam iguais perante a lei maior que nos governa nesta nação, mesmo com a distinção que nos cabe por herança.

Precisamos amadurecer e entender que não é possível combater preconceito com preconceito, discriminação com mais segmentação. Vagas para negros, deficientes, indígenas e qual mais segmento? Será que precisaremos reservar vagas para cada um de nós, por sermos todos diferentes? Qual a justificativa de um governo incapaz de corrigir as mazelas seculares de nossa construção como nação independente, para continuar de forma totalmente ineficaz criando mecanismos para garantir nossa desigualdade perante a mesma lei que nos diz que somos iguais?

Somos diferentes, muito mesmo, e isto precisa ser mantido; mas somos iguais, porque a todos deve caber as condições de exercer sua individualidade. Não se corrige o ser humano na velhice, pelo simples motivo de que nesta resplandecente fase ele já está a caminho da despedida. É preciso, pois, buscar a origem dos problemas, criando meios para extinguí-los na base, sem subterfúgios que garantam apenas mais uma eleição de votos pré marcados.

Somos distintos pela natureza, mas desiguais pela criação. Mudemos pois nossa criação, para que entendamos de uma vez por todas o quão linda é uma pele negra e que sua mistura com a branca, que já não é branca somente, pode ser feita sem receios, criando mais e mais seres que representem a perpetuação do belo.

Eu sou branco, eu sou negro, sou índio, árabe e tantas outras raças que me precederam e que me fazem o que sou. Sou rico, sou pobre e sou o que me circunda, sob pena de não ser nada, por ser apenas eu, fora do resto. Preciso ser em conjunto, porque só assim serei indivíduo, único, porque não se admite o feio sem o bonito, e a concepção disto é algo relativo, mas apenas porque mais de um ser pensa.

Diferenças, porque é isto que garante o equilíbrio das vontades, das belezas e do ser humano. Sejamos, portanto, iguais, mas somente na forma como devemos nos tratar, com algo que escutamos pelos séculos, mas que ainda não aprendemos a usar: o amor. De resto, continuemos diferentes, porque, do contrário, seremos apenas uma massa indistinta, tal qual uma estrada infinita de asfalto, sem nada em volta, que nos aparece como algo completamente sem vida.

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