segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Condicionamento

O correto a dizer é "estar" condicionado e não "ser". Trata-se de um estágio temporário de assimilação de opiniões e pressupostos alheios que tende a ser deixado de lado com a maturidade. O condicionamento é algo a que se impõe por vontade própria, mas que quase sempre é feito de forma mecânica e sem reflexão.

Pense nas suas variações: condicionamento físico, político, religioso, comportamental, e por aí vai. Alguns nos parecem, inclusive, bem positivos, como cuidar da aparência, da saúde, mas o importante, muito mais do que os resultados, são os motivos. O que nos leva a fazer algo, não porque os outros querem que façamos, mas o que nos garante uma satisfação plena e interior, algo individual cujo compartilhamento de sentidos é, no mínimo, complicado.

Ter um corpo perfeito, por exemplo, apenas porque a moda dita esta norma, não é o mesmo que o ter por se sentir realmente bem com um físico mais preparado. Aliás, quase tudo é relativo, sendo que o preparo para uns não o é para outros. A parte física é mais simples de ser analisada, porque estimula os sentidos visuais, mas os reais problemas no condicionamento cego residem no comportamental, quase sempre conseqüência direta de como resolvemos assimilar o que nos é transmitido.

Baixa estima, medo de se expor, preconceitos e a errônea idéia de que tudo é muito mais complicado do que realmente é. Nossa educação, sobretudo a formal, é recheada de um negativismo extremamente prejudicial, que nos causa a necessidade de muita reflexão, até que entendamos que somos aquilo que escolhemos ser, por mais que os outros tentem nos direcionar. Neste ponto nosso livre arbítrio é fundamental, assim como o entendimento de que as conseqüências de nossos atos são responsabilidade nossa; isto nos garante a possibilidade de evitar jogar a culpa no mundo, o que muitas vezes fazemos, como as crianças.

Como toda mudança, para sair da estagnação de pensamento em que somos incluídos pelos moldes sociais, cabe a atitude. É preciso tomar a frente dos nossos passos e direcioná-los, mudando os conceitos não porque estão todos errados, mas porque chegamos à conclusão de que uns são verdadeiros e outros nem tanto, ou que simplesmente não nos atendem por completo. Cabe a nós mesmos entender que profissionais ajudam, mas nunca poderão fazer o nosso trabalho, sendo necessário que nós mesmos ultrapassemos as barreiras necessárias para a nossa evolução.

Condicionamento é algo temporário, mas que a muitos torna-se um quadro crônico de inatividade humana, em que seres com inúmeras possibilidades de criação se colocam, por própria opção, em prisões indeterminadas que lhes impedem o desenvolvimento. Saibamos entender e compreender que a nós tudo é possível e, conforme tantas crônicas que discorrem sobre o assunto, somente nós mesmos temos o poder de impedir que sejamos grandes.

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