quinta-feira, 29 de novembro de 2007

100

Cheguei aos 100 posts, um pouco depois do que deveria pela data de início e proposta do blog, mas cabe uma reflexão sobre isto. A proposta inicial era um post por dia, mas acabei fugindo a este plano. Não parece semelhante ao que ocorre no dia-a-dia? Quem tem o bom costume de planejar a realização do dia? Mas será bom costume mesmo?

Temos o péssimo hábito de nos tornarmos escravos daquilo que começamos, incluindo-se aqui os mais variados temas: emprego, relacionamentos, projetos individuais, academia e por aí vai. Aprendi a deixar um pouco mais de lado as coisas, porque às vezes é saudável investir o tempo destinado a uma coisa para podermos fortalecer outras.

Tenho procurado aliar minhas próprias reflexões a atitudes de mudança interior e exterior; auto-mudança e melhoria. Geralmente quando isto acontece nos preparamos muito na parte teórica, seja pela leitura de livros, participação em reuniões cujo tema seja comum aos nossos anseios, entre outras coisas. E desse jeito, se estivermos extremamente engessados quanto à obrigatoriedade de manter o planejado, deixamos algumas coisas passarem.

Um tempo com meu pai, um apoio a uma amiga, a atenção que precisa ser dispensada à namorada, aos parentes, aos amigos, e por aí vai. Essas coisas são a prática, quase sempre aparecendo quando não estamos esperando, nos exigindo escolhas quanto ao que nos é realmente importante. Tenho escolhido a prática, faltando com meu plano do blog, mas sinto-me maior com a aplicação dos conhecimentos aqui expostos.

Tenho dito que o homem sem a reflexão tende à estagnação. Mas uma reflexão verdadeira exige sua aplicação, porque de nada adianta saber que não se deve poluir o meio ambiente, se você não consegue fazer coisas simples, como não jogar um papel de balinha na rua. Parece pouco? Nem tanto! Imagine a proporção desta atitude executada por muitos e começaremos a entender o mundo em que vivemos hoje, resultado das atitudes passadas.

Efeito estufa, poluição, escassez de água potável, violência, corrupção, falta de inteligência prática. Tudo isto não surgiu de uma hora para outra, mas é reflexo do que fomos, assim como nosso futuro estará pautado como reflexo do que estamos sendo, agora. Portanto tenho esse número 100 como um marco de aprendizado e divido-o, como tenho feito.

Aprendi nesse tempo que as mudanças precisam ser implementadas e que se a proposta de melhoria foi nossa, então temos a obrigação de sermos o exemplo. Pregue o amor, a paz, a reflexão, e tantas outras coisas boas, mas não se esqueça de que idéias sem espelho são apenas idéias inválidas. A hipocrisia dos que mandam sem o fazer, como temos visto a tanto tempo em nosso mundo, precisa terminar um dia. Mas o término exige um começo e, tal qual esse 100, que chegou porque existiu o 1, comecemos o quanto antes nossa própria mudança, indivíduos estimulando o coletivo, para que um dia possamos colher o céu que nos pregam como ilusão figurativa, mas que nada mais é do que o reflexo de nós mesmos, após termos cumprido o nosso dever.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tempo

Estamos mal acostumados, muito mesmo! Limitamos o tempo de forma tão drástica que ele cabe em um relógio: doze horas, termináveis ou intermináveis, dependendo das coisas que acontecem durante o dia; melhor, das situações que criamos. Nossa deficiência de percepção é tão grande que não conseguimos ver o antes, nem o durante ou o depois.

Não é o fim do mundo, mas um auto-alerta que se expande, na tentativa de retirar a cegueira coletiva, que nos torna insensíveis quanto a tudo. Gosto de pensar que tudo tem seu tempo e, mais importante ainda, que cada um tem o seu, administrando-o da forma que acha melhor. Pensando assim, apesar do incômodo inicial pela forma como alguns conduzem o passar dos segundos, não me sinto restringido por eles.

Pense, tente perceber que as coisas não acontecem atoa e que os dias, os meses e outras marcações simples não são apenas sucessões de movimentos dos ponteiros do relógio. Procure entender que o que chamamos de hora é apenas uma delimitação precária para que nos orientemos, pois o verdadeiro tempo ficaria inerte, se medido com esta ferramenta. Ele passa, sempre passa, mas o mais importante é o modo como nos utilizamos desta passagem, principalmente para o nosso amadurecimento.

Alguns simplesmente ficam, esperando as horas, os dias, a barba, os cabelos brancos, as ruvas que aparecem inevitavelmente com o perecer da matéria. Outros preferem o dinamismo, mas o fazem de forma tão intensamente mecânica, que pouco diferem dos primeiros. Uns poucos decidem entender que a inteligência não existe atoa, e que tempo casa perfeitamente com a velocidade, mas existe um meio termo adequado para a junção dos dois.

Se neste grupo, começamos a entender que é preciso acelerar às vezes, outras frear, mas que o excesso dos dois pode significar solidão em algum momento de nossa longa existência. Aprende-se que tudo está interligado e que o falar sobre o ser humano ser animal social não é mera referência de estudos sociológicos. Somos e dependemos uns dos outros, de forma que precisamos nos evoluir juntos, de forma conjunta, sob pena de nos tornarmos pontos isolados, desprezados em meio ao senso comum.

O tempo, ao contrário da ferramenta que o marca, não pode ser adiantado. A rapidez ou não com que o conduzimos apenas direciona seu aproveitamento, mas isto já é muito importante, fundamental, e depende de cada um. Então, como exercício de auto-controle, quando alguém não fizer o que você acha certo, entenda que cada um tem um estágio, cada um cresce no seu tempo e que, se realmente o que você pensa é o correto, cedo ou tarde, essa pessoa entenderá. Dê-lhe então a chance de chegar lá, sem julgamentos ou condenações, porque, um dia, você também precisou dessa liberdade.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Atenção

Ontem assisti a uma palestra cujo orador discorreu sobre a atenção. De acordo com sua argumentação, todos os nossos sentidos podem ser substituídos pela atenção e intenção, resumidamente falando, de forma que poderíamos aceitar a existência de um sentido apenas, de forma ampla, dependendo apenas do nosso refinamento para que conseguíssemos aproveitá-lo da forma adequada.

Analisando esta "teoria" livre dos ensinamentos que a sociedade nos dá de herança, o que com certeza não é fácil, me parece ter lógica e racionalidade. Pense nas várias vezes em que o ambiente está lá e não o vemos; existem todos os sentidos, mas falta atenção. Ao contrário, quando nos propomos a perceber algo, que seria a intenção, e aliamos a isto nossa atenção, parece que conseguimos captar todos os detalhes.

Fiquei pensando sobre essas coisas, tentando entender sua importância e extensão, e o resultado foi nos enxergar como verdadeiros captadores de emoções, com uma regulagem melhor ou pior, mas como se o nosso todo fosse responsável por nos dar a medida completa do que nos cerca. Falando assim pode até parecer meio viagem, mas confesso que pensei isto também.

O fato é que a nossa herança, a que a sociedade nos dá como certa, contém muitas coisas definidas pelos outros, pelos que pensaram e pelos que não queriam que nós pensássemos por nós mesmos. Mesmo esta conclusão exige atenção, porque ao logo dos séculos, o que pode ser pesquisado nos livros de História, o ser humano vem repetindo quase sempre os mesmos erros, na doce ilusão de que o passado já passou, mas muitos simplesmente não percebem.

O futuro pode ser previsto, mas não por miraculosos seres de inspiração divina, que inclusive cobram por suas previsões. Pode sim, porque insistimos em tomar por certo as percepções dos outros, ao invés de nos colocarmos na exata medida que nos permita entender o que está à nossa volta, e continuamos repetindo o que já foi. A simples existência de várias teorias relativamente certas para a mesma coisa, durante períodos distintos da caminhada humana, prova que ninguém possui a completa e indiscutível razão.

Entendemos à medida da nossa maturidade, da nossa capacidade intelectual e moral, mas nos é preciso atenção. Atenção, no seu sentido mais amplo, significa nos colocarmos à disposição de qualquer estímulo, interno ou externo, enxergando-nos como algo sem começo e nem fim, que consegue se misturar ao todo, somente por isto tendo acesso a tudo àquilo que ele representa e é.

Ainda nos parece meio conto de fadas, estórias vindas de um momento de lucidez alcoólica ou algo do gênero, pois falta-nos a maturidade e a inteligência, para que consigamos acima de tudo nos entender. Chegará o dia, entretanto, que não precisaremos nos preocupar com o que vem a ser atenção, a não ser quando nos tornarmos oradores, mestres-alunos repassando o doce conhecimento adquirido pelas várias etapas de nosso crescimento e desenvolvimento.

sábado, 24 de novembro de 2007

Escrita

Na era da informática, com informações indo e vindo com uma velocidade impressionante, ainda nos vemos dependentes de uma invenção ainda elitizada, cuja expansão garantiria uma evolução em massa, com benefícios a toda a sociedade: a escrita. Claro que aqui eu já incluo a leitura, pois uma acaba sendo base para a outra.

Desde cedo ouço aquela famosa frase de que "a prática leva à perfeição". Há uns dias li alguns textos que mencionavam sobre a cópia excessiva de informações pela Internet, sobretudo sem a menção da fonte; e não vi esta reclamação em apenas um lugar. As pessoas hoje aprendem a ler, mas apenas o suficiente para discernir se o que foi lido pode ser utilizado, não para edificação de novos conhecimentos, mas para a sua reprodução pura e simples.

Quem já tentou escrever, um texto simples que seja, deve ter se deparado, pelo menos no início, com a dificuldade de como começar. O que dirá escrever vários livros, textos, resenhas, editoriais em jornais e revistas, e tantos outros. Sinceramente tenho verdadeira admiração pelos escritores, notadamente depois que resolvi começar este blog; este, por assim dizer, projeto de exposição de idéias e estímulo de reflexões.

Escrever não é simples, pois implica o raciocínio, algo que temos cada vez mais deixado de lado. A vida moderna nos exige apenas a assinatura do nome muito raramente, a decoração de senhas do banco e disposição para a rotina diária. Mas e depois de seguir esses passos básicos por um determinado tempo, qual o nosso objetivo? Estou sendo por demais simplista no nosso cotidiano, mas isto nos mostra de forma mais enfática o quão vazios estamos nos tornando.

Diz-se que a preguiça é um dos pecados capitais, inclusive presente na abertura de uma das novelas globais. O que deveria deixar a sociedade preocupada, é que a preguiça se alojou no pensamento, extensivo à sua forma de expressão mais conhecida e mais simples: a palavra escrita. Escrever não é apenas cunhar símbolos, digitar caracteres ou algo que imprima desenhos na tela; vai muito além.

Através dos livros foram transmitidas estórias, a História do homem, pensamentos, reflexões, ideais, ensinamentos e toda uma gama de conhecimento que nos trouxe até onde estamos. Imagine como seríamos hoje se ainda precisássemos sentar em praça pública para ouvir poucos sábios de conhecimento questionável discorrendo sobre suas impressões individuais sobre o que os circunda! Até que conseguíssemos reunir informações suficientes para gerar nossos próprios conceitos, estaríamos velhos demais para aplicá-los.

A palavra, o discurso, as letras, a escrita. Enfim, essas coisas simples que o homem inventou e ensinou ao longo do tempo e que muitas pessoas não valorizam, mas são a sutil diferença entre os que sorriem e os que reclamam, em um mundo materialista, cada vez mais dominado por aqueles que sabem se expor, mostrar suas idéias na medida adequada.

Materialismo é algo prejudicial, que eu mesmo procuro colocar desta forma em alguns textos. Mas como entender isto se as letras parecem apenas letras? Escreva, porque isto lhe dará a medida certa do que é criar e ser visto, mas leia depois de um tempo, para que possa se admirar ou apenas comparar com o que então escreve. Somos seres evolutivos, cujos registros podem se perder com o tempo, ou não; só depende de nós mesmos.

Deixei pela Internet meus escritos, seja aqui ou em textos técnicos, e confesso-me surpreso ao lê-los, ou ver meu nome em sites de outros países. Ainda hoje recebo emails advindos deles, com dúvidas de pessoas que os tornaram proveitosos, e com isto sinto que cumpri parte do meu papel não guardando o que sabia apenas para mim. Compartilhemo-nos, pois foi isto o que um filósofo nos ensinou há mais ou menos 2007 anos.

Novas tecnologias virão, novos avanços, novas invenções, mas nada como aprender a base para progredir rumo ao topo. Num país em que ainda se insiste em valorar conhecimento de 0 a 10, como algo que se compra na feira, não seja mais um, mas um, mudando-se para melhor, porque a escrita não foi algo inventado para morrer nos mosteiros, bancos de escola e bibliotecas, mas para ser compartilhado e, graças à nossa evolução, distribuído como outra invenção importante, cuja utilização não se restringiu às elites, aquecendo, provendo calor, iluminando a vida dos seres humanos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Energia "futebolística"

Eu não nasci para o futebol; meu pai posteriormente completaria com "e o futebol não nasceu para você". Coisas de menino sem coordenação com as pernas, em um país em que se venera mais este esporte do que a própria educação. Tenho aqui que deixar meu registro, de que somos um país de um esporte só entre vários, sem desprezarmos as conquistas e os esforços individuais dos nossos guerreiros poliesportivos.

Apesar do ser humano ter sido tão criativo no desenvolvimento de alternativas para o uso da bola, do corpo humano e outros tantos artefatos para exercitar os músculos e a mente, o brasileiro, apoiado por um governo que adora uma política de pão e circo, esquece da maioria dos esportes, a não ser quando aparecem medalhas, para se dedicar integralmente ao futebol. Pena para mim, que não tinha jeito para a coisa.

Mas a energia vai além do jogo, contaminando as arquibancadas, e nelas mora a emoção dos muitos que não podem entrar no gramado. Com uma intensidade inexplicável, afloram-se emoções, causando consequências previstas, mas imprevisíveis, num misto de alegria, medo, expectativa e, às vezes, frustração. Como pode haver apenas um campeão, ao resto as lágrimas; será?

Somos tão desorientados quando o assunto é este, que não nos importa tanto o resultado, pois serve-nos mais como motivação para o dia-a-dia, como remédio salutar para esquecer das nossas próprias derrotas. No caso do brasileiro, a "energia futebolística" é algo que nos dá uma ilusão temporária de que podemos ser os melhores, sem nos preocuparmos se nós mesmos fazemos parte disto, porque nos colocamos dentro do jogo, sentindo cada esforço e cada alegria dos que estão construindo a história dentro de uma partida.

Essa energia que nos contamina aflora reações impensadas, fazendo-nos crianças choronas, de tristeza ou alegria, em um salutar exercício de imaginação, quando o mundo se apaga e resta-nos o momento, quando por alguns instantes entendemos o que significa aproveitá-lo em sua integralidade.

Salvos os excessos, a preferência desmedida por um esporte apenas, a manipulação pelos que estão lá em cima e tantas outras coisas que ofuscam o brilho dos espetáculos, tornamo-nos parte do espetáculo, entramos em campo, vibrando a cada momento, dividindo com nossos semelhantes a nossa energia, tornando-nos mais próximos, e isto é bom! Sejamos campeões dentro e fora do campo, utilizando esta mesma energia para edificar. Sejamos, pois, torcedores, mas, tal qual comentado nos jogos, sejamos mais um jogador, em todas as partidas do cotidiano!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Drogas

Sem falso moralismo, pois o mundo não precisa dele. Sou adepto da liberdade de escolha, do famoso lívre arbítrio, mas tanto de escolha quanto de arcar com as conseqüências. Não sou santo e muito longe disto todos estamos, visto que cada um tem seu ponto de melhoria.

Atendo-me ao tema, drogas não são apenas substâncias químicas, aceitas socialmente ou não. Podemos dar uma amplitude maior ao tema, incluindo nele tudo o que nos incomoda, nos faz mal, causando indiretamente mais malefícios do que as que são oficialmente rotuladas.

"Minha vida é uma droga!". Já ouvi muitas vezes esta frase, que trás consigo um significado muito grande, através do qual poderíamos melhorar sobremaneira tudo o que nos rodeia. Se considerarmos as drogas como algo prejudicial, porque até os remédios têm seus efeitos colaterais, evitá-las implicaria em melhorar a qualidade do nosso dia a dia.

Cigarro, bebida, maconha, cocaína, mas também ódio, raiva, comodismo, materialismo. Não nos damos conta de que evitamos nossa felicidade por conta de detalhes pequenos, mas que tornamos muito grandes. O materialismo, por exemplo, faz com que não nos vejamos felizes simplesmente por não acompanhar esta ou aquela moda, ter este ou aquele lançamento. Torna-nos escravos de aparência e de coisas perecíveis, que não nos acompanharão após o dia derradeiro.

Pare, sinta, reflita, e perceba o que lhe causa seus problemas. Fazer coisas que lhe agradam, mais do que algo bom para o ego e estima, é um remédio sem efeitos colaterais que lhe garante saúde. Mas e o vício? O que fazer com ele quando não se consegue deixar algo que nos parece vital? Simples! Tente compará-lo à boa sensação de se sentir livre, de se sentir dono de seus atos e diretor da sua vida.

Não é utopia, mas também não é fácil. Então, quando for acender o próximo cigarro, ou quando for se enraivecer por não ter algo, alguém ou porque não consegue acertar sempre, lembre-se de que não somos perfeitos e às vezes erramos, mas que deixar de errar é também uma escolha, cujos benefícios aparecem e não se vão, pois nos tornamos fortes, não totalmente imunes aos erros, mas capazes de enfrentá-los e vencê-los.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Silêncio

O silêncio é uma resposta que, acima de tudo, pede interpretação. Em suas várias facetas pode assumir significado de sapiência, de ignorância, medo, coragem, ironia e tantos outros. Independente da forma, o fato é que nos acostumamos com ele, assim como, em situações extremas, nos acostumamos à dor. Trata-se de uma reação do ser humano para as situações onde a razão parece não oferecer as respostas certas, pelo menos no primeiro instante, mas que às vezes perdura, muito pela falta de maturidade que nos mostraria a hora certa de eliminá-lo, ou talvez amenizá-lo.

Talvez um dia tenhamos a sapiência e a maturidade das crianças, oriunda da pureza que elas demonstram ter por não segmentar os sentimentos, que são unos em sua essência, mudando apenas o alcance da nossa compreensão sobre eles. Dentro desta nossa turva visão das coisas, para o que não encontramos resposta, aplicamos o silêncio, à espera de algo que nos mostre que há melhor opção.

É válido analisar-se constantemente, verificando os pontos fortes e fracos e onde melhoramos com o tempo. Seguidas vezes cometemos enganos repetidos, como crianças teimosas que não conseguem entender que fazendo certo chega-se mais rápido ao destino proposto. Precisamos de tempo, experiências, novas situações e novos sentimentos, para que consigamos então entender que as coisas boas e ruins que precisamos guardar em nosso passado são apenas degraus evolutivos, que nos garantem não apenas o topo, mas a permanência nele.

Mas e o silêncio? Esta ferramenta da sapiência incompleta, quando faltam palavras e atitudes, acaba nos servindo de salutar processo de preparação. Em muitas situações simplesmente não aguentaríamos o fardo das conseqüências de nossos próprios atos, e nos calamos. Na hora certa, quando nos julgarmos preparados, mais fortes, mais maduros sob vários aspectos, seremos convidados a libertar-nos da inércia auto-imposta, sob forma de comprovação de aprendizado, tal qual um estudante que realiza uma prova.

Ao longo do tempo aprenderemos que o silêncio não mais será utilizado como ferramenta de auto-proteção, mas como proteção do outro, porque nós estaremos preparados para tudo, mas teremos que entender, como hoje já compreendemos um pouco, que caminhamos juntos, mas nem sempre no mesmo passo. Neste momento faremos como nossos pais, que se calam aguardando a maturidade dos filhos, para então lhes revelar as verdades, quando estiverem preparados, pois quando se permanece muito tempo no escuro, é preciso receber a luz aos poucos, para evitar que a falta de preparo cause a cegueira.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Comércio versus ética

Antigamente dizia-se que a palavra de um homem era o necessário para selar um bom negócio. Além disto, que quando o sujeito não presta, não há contrato que o conserte. Desvios de comportamento aconteceram em todas as épocas, com correções que empregaram maior ou menor violência, mas, devido ao aumento populacional e à grande concorrência hoje existente, tornaram-se mais visíveis e ficou mais fácil de se encontrar exemplos.

Análise de crédito, contratos, propostas comerciais com prazos limitados e tantos outros instrumentos são hoje utilizados para que se garanta o que é dito em uma visita ou reunião, pois a verdade é instrumento de poucos. A exemplo do que foi ilustrado no livro "O caçador de pipas" pelo seu personagem principal, em uma comparação de seu país com os Estados Unidos, não há mais confiança na palavra. Cada vez mais são criados meios para se corrigir as conseqüências de desvios gerados pela deficiência em um setor básico da sociedade: educação.

Não há referência aqui simplesmente à educação formal pois, principalmente em nosso país, esta limita-se a ensinar a cunha do próprio nome. De forma mais abrangente, quando se remete à idéia de educação, é preciso entender que o ser humano é educado desde seu nascimento, por estímulos diversos que não se limitam ao aprendizado desta ou daquela linguagem. Educar, no sentido amplo, implica em tornar o ser humano apto para viver em sociedade de forma completa, harmoniosa e, dentro disto, se incluem as letras como uma de suas características, que nunca pode ser tomada como a única.

O processo educacional, enquanto desenvolvedor de seres sociais, passa, ou deveria passar, por um ensinamento sobre ética e moral, tão em falta atualmente. Com isto, conseguir-se-ía ensinar que empregar determinados meios para se convencer alguém, como vender algo diferente do que se tem, ou mascarar problemas existentes em algo que se passa à frente, dista de um comportamento que garanta o bem coletivo. Há alternativas simples, como conhecer o próprio produto e o da concorrência.

Agregado à falta de noções éticas, o pensamento extremamente individualista do ser humano contemporâneo causa-lhe atitudes que o levam à venda pura e simples, sem a preocupação com os outros envolvidos no processo. Sem a educação satisfatória, passa a entender erroneamente que o sistema capitalista significa apenas o eu ter capital, levando-o a empreender quaisquer esforços na busca do retorno monetário.

O que vemos de forma mais clara no comércio, portanto, e que também abrange desde as relações humanas mais simples até os mais altos escalões do poder público, nada mais é do que uma conseqüência direta de um processo educacional ineficiente, cuja responsabilidade envolve não apenas os responsáveis pela educação formal, como também e, principalmente, pais, amigos e quaisquer pessoas que venham a ter contato com o ser humano durante a formação e desenvolvimento do seu caráter.

Para que consigamos, pois, garantir uma sociedade em que "a palavra de um homem seja o suficiente", como ouvimos de nossos pais sobre épocas anteriores, é preciso que tenhamos em mente nossa responsabilidade solidária por todos. A ética e a moral não devem ser praticadas de forma isolada, sob pena de perecerem ou de se limitarem seus bons efeitos. Se ainda hoje vemos sociedades em que não há a necessidade de garantias, em função do comportamento de seus integrantes, senão por mera imposição burocrática, tenha a certeza de que, nesses bons lugares, impera um sistema educacional de amplitude global, em que os alunos, mais do que simples receptores de conhecimentos, são chamados a praticar e ensinar o tempo todo, deixando de serem alfabetizados de escrita de nome, para se tornarem verdadeiros seres humanos, cientes de seus poderes e de suas responsabilidades.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Condicionamento

O correto a dizer é "estar" condicionado e não "ser". Trata-se de um estágio temporário de assimilação de opiniões e pressupostos alheios que tende a ser deixado de lado com a maturidade. O condicionamento é algo a que se impõe por vontade própria, mas que quase sempre é feito de forma mecânica e sem reflexão.

Pense nas suas variações: condicionamento físico, político, religioso, comportamental, e por aí vai. Alguns nos parecem, inclusive, bem positivos, como cuidar da aparência, da saúde, mas o importante, muito mais do que os resultados, são os motivos. O que nos leva a fazer algo, não porque os outros querem que façamos, mas o que nos garante uma satisfação plena e interior, algo individual cujo compartilhamento de sentidos é, no mínimo, complicado.

Ter um corpo perfeito, por exemplo, apenas porque a moda dita esta norma, não é o mesmo que o ter por se sentir realmente bem com um físico mais preparado. Aliás, quase tudo é relativo, sendo que o preparo para uns não o é para outros. A parte física é mais simples de ser analisada, porque estimula os sentidos visuais, mas os reais problemas no condicionamento cego residem no comportamental, quase sempre conseqüência direta de como resolvemos assimilar o que nos é transmitido.

Baixa estima, medo de se expor, preconceitos e a errônea idéia de que tudo é muito mais complicado do que realmente é. Nossa educação, sobretudo a formal, é recheada de um negativismo extremamente prejudicial, que nos causa a necessidade de muita reflexão, até que entendamos que somos aquilo que escolhemos ser, por mais que os outros tentem nos direcionar. Neste ponto nosso livre arbítrio é fundamental, assim como o entendimento de que as conseqüências de nossos atos são responsabilidade nossa; isto nos garante a possibilidade de evitar jogar a culpa no mundo, o que muitas vezes fazemos, como as crianças.

Como toda mudança, para sair da estagnação de pensamento em que somos incluídos pelos moldes sociais, cabe a atitude. É preciso tomar a frente dos nossos passos e direcioná-los, mudando os conceitos não porque estão todos errados, mas porque chegamos à conclusão de que uns são verdadeiros e outros nem tanto, ou que simplesmente não nos atendem por completo. Cabe a nós mesmos entender que profissionais ajudam, mas nunca poderão fazer o nosso trabalho, sendo necessário que nós mesmos ultrapassemos as barreiras necessárias para a nossa evolução.

Condicionamento é algo temporário, mas que a muitos torna-se um quadro crônico de inatividade humana, em que seres com inúmeras possibilidades de criação se colocam, por própria opção, em prisões indeterminadas que lhes impedem o desenvolvimento. Saibamos entender e compreender que a nós tudo é possível e, conforme tantas crônicas que discorrem sobre o assunto, somente nós mesmos temos o poder de impedir que sejamos grandes.

Letras

Vez ou outra se discute a importância de se saber bem o idioma português, principalmente nos cargos de maior destaque, ou em posições que, por si só, já garantem uma exposição maior e, consequentemente, um lugar de preferência nas críticas de todas as formas. Nestas incluem-se cargos políticos, níveis de direção e posições de liderança e chefia.

Primeiramente, o conhecimento puro e simples do idioma, mesmo que alcance sua perfeição, não garante ao escritor ou orador uma perfeita utilização do mesmo. Entretanto, é fato aceitar que, como se dizia em um artigo jornalístico publicado há uns dias, para que se tenha um produto perfeito, é base que se saiba utilizar de forma excepcional as ferramentas que lhe garantem a construção. Assim também, para que se garanta um discurso irretocável, torna-se imprescindível o conhecimento da língua portuguesa, desde que este seja escrito nela.

Note, entretanto, que para se chegar a um pleno conhecimento da língua, notadamente no que toca à diversidade de vocabulário, é imperativo que se tenha uma dedicação não apenas ao exercício da escrita mas, mais ainda, ao da leitura. Tal qual o sábio que aprende a falar bem escutando mais do que falando, ao bom escritor é necessária a dedicação à leitura, análise e reflexão de escritos de outrém. Mais do que ler, é preciso exercer a chamada leitura crítica.

Veja que ao pronunciarmos o termo "discurso", vem à idéia os oradores de palanque, com seus ditados verbais de idéias e proposições, promessas e articulações. Perde-se, neste caso, parte da complexidade existente nas letras impressas, escritas, cujos erros se propagam no tempo após divulgados, pois que uma vez lançados ao público, mesmo que se busque a sua correção, ficará na memória de muitos o deslize inicial, perpetuado nos escritos que os divulgaram.

Erros são cometidos por todos, mas, como a língua é ferramenta de expressão, sua incorreta utilização causa erros de compreensão, transmitindo idéias distintas das que se deseja, causando problemas que vão da simples confusão de termos, à inviabilização de idéias e da exposição da sua fragilidade e superficialidade. Tendo isto, correm o risco, os líderes de todos os níveis, de se tornarem obtusos, comprometendo os projetos a que tanto se dedicam.

Não se deve tomar a forma pelo conteúdo, mas neste caso específico, o conteúdo precede a forma, sendo-lhe a base. Em casos específicos em que se consegue a forma perfeita da língua sem elementos que lhe garantam a essência, não se consegue manter os ideais defendidos, pela simples inexistência de conhecimentos que os sustentem.

Dominar as letras, pois, significa, de modo amplo e irrestrito, dominar, direcionar e liderar, pois que a comunicação não garante apenas a transmissão de dados, mas o convencimento dos outros sobre a informação que se transmite. E ao contrário de uma opinião colocada no texto a que me referi, publicado há uns dias, em cargos de direção, notadamente os públicos, a forma não pode ser deixada de lado, pois, como exposto, para garantí-la seus detentores precisam de conhecimento, e este lhes faz falta, quando inexiste ou é insuficiente.

domingo, 4 de novembro de 2007

Manual

Que falta nos faz um manual! Seria bom ter um livro detalhado de como agir nas várias situações que nos perseguem todos os dias, dia após dia. Seria interessante ter às mãos um escrito que nos explicasse primeiro como somos, depois para que servimos e depois nos desse todas as coordenadas para que pudéssemos acertar, sempre, sem a contínua necessidade de encarar problemas insolúveis, não por não terem solução, mas porque são inéditos, mesmo sendo iguais.

Tudo tem seu lado positivo; é o que dizem! Nisto também há o seu. Afinal de contas, quão mecânicos seríamos com uma pré determinação dessa magnitude! Realmente temos à mãos as benesses do nosso poder de escolha. Podemos então errar, acertar, levar nossa vida como jovens desbravadores, para os quais o medo não passa de um estímulo de defesa, que fortalece mas não impede de dar os próximos passos. Mas qual será o próximo?

Um após o outro, e é preciso ter o primeiro. Passos são como letras que formam uma palavra, pois quando falta um ou mais, a caminhada fica incompleta, e perdemos partes importantes, tal qual uma palavra que muda completamente de sentido sem uma única vogal. Somos o todo, senão somos por partes, e é isto que nos deixa a vontade de um manual, com tudo pronto, porque não é fácil sermos nós mesmos o tempo inteiro, porque no teatro da vida precisamos encenar várias peças, virando às vezes personagens escritos por outros autores.

Mas nesse teatro de peças imprevistas e nunca ensaiadas, precisamos ser também diretores; é preciso opinar, decidir, aceitar ou não esta ou aquela fala, porque quem encenará os papéis que nos cabem seremos nós. Então daremos risos, lágrimas, sentiremos o papel tal qual o melhor dos atores, sempre conscientes de que, ao final, virão os aplausos, ou talvez não, porque nem todos se agradarão com a nossa atuação, ou mesmo porque alguns serão apenas atores, temerosos por dirigirem suas próprias vidas.

E o manual? Este com certeza existirá um dia. Deve ser construído no dia a dia, pelos nossos atos racionais, letra a letra, página a página, nos decifrando como enigmas, deixando às claras o que somos de verdade. É preciso editarmos, reeditarmos, primarmos pela sua qualidade e perfeição, para que possamos, um dia, entregá-lo a alguém, ou a muitos alguéns. E então presentearemos os outros com a facilidade em entender a beleza em que nos tornamos, sem que eles precisem nos estudar ao longo do tempo, tal qual fizemos, e também nos entregarão os seus, para que possamos fazer o mesmo. Aí não mais seremos mecânicos, frutos fatalistas de algo já pronto, mas expositores de obras, que demoraram para serem erguidas, mas que o foram com o máximo de esmero, qualidade e sentimento.

sábado, 3 de novembro de 2007

Oi

Às vezes me admira a complexidade das coisas simples. Um termo de duas letras, por exemplo, pode significar tanta coisa, como um simples "oi". Quer dizer um cumprimento, um início de conversa ou um pedido de atenção. E isto desconsiderando situações e contato visual, pois, nestes casos, o contexto acresce muitos detalhes que não podem nunca serem deixados de lado.

Para uma análise meio vazia, mas não é, principalmente porque hoje em dia finalmente chegou-se à compreensão de que relacionamento abre portas. É certo que não se chegou pelo motivo ideal, mas sim pela necessidade de ser indicado para um emprego ou para manter um, mas, de qualquer forma, o importante é que se passa a ter um cuidado com determinadas coisas que garantem nossa boa convivência.

Imagine a cena em que você chega ao seu trabalho pela manhã. Independente do ambiente que você encontre, se você der um oi por obrigação ou de cara amarrada, estará contribuindo para que algo de negativo chegue com você. Ainda mais, associará esta negatividade à sua chegada, seja pela sua instalação, seja pelo seu incremento.

Agora, na mesma situação, dê um oi alegre, carregado de sorriso e energia positiva, e não apenas observe, mas sinta a diferença. É uma situação bem simples, cotidiana, que pode ser expandida para dentro do ambiente familiar, amigos, profissão e tantos outros lugares. Atitude é o que muda os relacionamentos, não as intenções. Intenções sem execução não passam de intenções.

Distribua ois por aí, mas faça-o com vontade, com emoção e com a certeza de que realmente está fazendo isto para melhorar alguma coisa, mesmo que seja você mesmo; já será uma grande boa mudança. Do contrário, fique quieto, pois assim você minimiza os impactos do negativismo que já anda grande. Extremismo? Não mesmo, muito pelo contrário.

A questão é que sempre nos preocupamos em fazer as coisas, mas poucas vezes em como fazê-las. Pequenos termos, como oi e tchau, quando utilizados abrem e fecham portas mas, muito mais que isto, abrem e fecham caras, sorrisos, alegrias, chagas. Nunca duvide do poder que tem nas mãos, por mais que lhe pareça que a você não foi dado nada. Milagres são apenas ações boas na hora certa, e a hora certa não tem hora, quando a ação é boa.

Faça, cumprimente, relacione-se, e seja diferença em todo lugar que você entrar. Com o tempo, sua luz irá aumentar exponencialmente, ofuscando as manchas por onde passar. Tornar-se-á um foco tão brilhante de coisas boas, que, naturalmente, sem planejamento friamente calculado, será convidado a fazer parte de grupos, não somente profissionais, mas de seres humanos transformadores de toda a humanidade. Quando isto ocorrer, provavelmente não dirá apenas um oi, mas quem sabe um "como é bom revê-lo, meu irmão".

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Diferenças

Salvem as diferenças, porque é maravilhoso ser único, mesmo se você tiver um irmão gêmeo! Vivemos no mundo dos diferentes, dos estranhos, dos indivíduos que pensam, mas que não o fazem igual e isto precisa ser respeitado. Somos distintos na cor, na aparência, no credo e nas raças que nos deram origem e é justamente isto que garante esta linda miscigenação que nos acompanha desde sempre.

Louvemos os que entendem isto, porque deles será a glória de se encantar permanentemente, com toda a beleza distribuída em todos os cantos, cada belo com o seu jeito, cada lindo e linda à sua maneira. Somos o que somos e isto precisa nos bastar, porque acima de tudo, para sermos aceitos, precisamos nos aceitar, sob pena de requerermos um direito que não nos cabe.

Tenhamos pena, insatisfação, mas, acima de tudo, esperança de que todos mudemos nosso comportamento um dia, porque ainda espelhamos nossa incompreensão sobre a forma como as coisas são e sempre serão. Notadamente em nosso país, que tem em sua carta maior as letras de uma igualdade distinta, garantindo que todos sejam iguais perante a lei maior que nos governa nesta nação, mesmo com a distinção que nos cabe por herança.

Precisamos amadurecer e entender que não é possível combater preconceito com preconceito, discriminação com mais segmentação. Vagas para negros, deficientes, indígenas e qual mais segmento? Será que precisaremos reservar vagas para cada um de nós, por sermos todos diferentes? Qual a justificativa de um governo incapaz de corrigir as mazelas seculares de nossa construção como nação independente, para continuar de forma totalmente ineficaz criando mecanismos para garantir nossa desigualdade perante a mesma lei que nos diz que somos iguais?

Somos diferentes, muito mesmo, e isto precisa ser mantido; mas somos iguais, porque a todos deve caber as condições de exercer sua individualidade. Não se corrige o ser humano na velhice, pelo simples motivo de que nesta resplandecente fase ele já está a caminho da despedida. É preciso, pois, buscar a origem dos problemas, criando meios para extinguí-los na base, sem subterfúgios que garantam apenas mais uma eleição de votos pré marcados.

Somos distintos pela natureza, mas desiguais pela criação. Mudemos pois nossa criação, para que entendamos de uma vez por todas o quão linda é uma pele negra e que sua mistura com a branca, que já não é branca somente, pode ser feita sem receios, criando mais e mais seres que representem a perpetuação do belo.

Eu sou branco, eu sou negro, sou índio, árabe e tantas outras raças que me precederam e que me fazem o que sou. Sou rico, sou pobre e sou o que me circunda, sob pena de não ser nada, por ser apenas eu, fora do resto. Preciso ser em conjunto, porque só assim serei indivíduo, único, porque não se admite o feio sem o bonito, e a concepção disto é algo relativo, mas apenas porque mais de um ser pensa.

Diferenças, porque é isto que garante o equilíbrio das vontades, das belezas e do ser humano. Sejamos, portanto, iguais, mas somente na forma como devemos nos tratar, com algo que escutamos pelos séculos, mas que ainda não aprendemos a usar: o amor. De resto, continuemos diferentes, porque, do contrário, seremos apenas uma massa indistinta, tal qual uma estrada infinita de asfalto, sem nada em volta, que nos aparece como algo completamente sem vida.