sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Pedras

Hoje utilizamos um termo que nos remete ao início da civilização: Idade das Pedras. Significa dizer que estamos vivendo no passado, meio atrasados, arcaicos ou algo do gênero. Mas na época foi uma evolução e tanto! Armas, utensílios domésticos e tantas outras coisas já foram feitas de pedras. Mas podem ser pedras no sapato apenas; coisas inúteis.

Como tudo nessa vida, as pedras assumem diversos significados, positivos e negativos. Além disto, participam de vários ditados, como aquele sobre a água, que acaba furando a pedra pela persistência. Pode implicar dureza, mas também uma resistência aparente, porque são feitas de diversos materiais. Interessante notar que em tudo dito até agora, somos semelhantes a elas.

Alguns de nós insistem em não evoluir, em seres frios, duros; resistentes desnecessariamente. Outros se permitem mudar e transformam sua dureza em sustentáculo para si e para os outros, transformando-se em pedras de fundação, formando uma base sólida, tal qual uma rocha sobre a qual se constrói uma casa resistente.

As pedras não são nada sozinhas, tal qual o ser humano. Precisam ser empregadas em algo, conjuntamente com outras pedras e, também, outros materiais. Um diamante sem alguém para avaliá-lo não passa de uma pedrinha; alias, precisa ser alguém que entenda sobre ele. Quantos de nós somos sub-avaliados, porque faltam olhares críticos com conhecimento para nos entender a essência?

Pedras, seres humanos, construções, inatividade. Somos bem parecidos, desconsiderando a parte em que as pedrinhas não pensam na vida enquanto estão paradas. Bom, se analisarmos bem, acho que nós também não. Vemos a água passando, a vida passando, e ficamos lá, parados, esperando que o tempo nos mude em algo útil, ou que alguém nos ache e consiga nos moldar. Ingênuo engano.

As pedras têm esta vantagem, pois não precisam se preocupar com transformações, sendo apenas transformadas. Nós não! Precisamos aprender com o tempo e aprender coisas boas, úteis, que nos façam melhores e mais duros, mas uma dureza de segurança, de confiança e outras coisas que nos dêem base para transformar, para criar, para desenvolver verdadeiras maravilhas com uma simples pedra, como uma casa, um prédio, uma ponte e por aí vai.

A pedra será sempre pedra mas, e nós? Sim, é verdade! Seremos sempre seres humanos em transformação, rumo à perfeição. Isto é fato e não há como fugir disto! Seres dinâmicos que não param à beira da estrada como uma pedrinha que ali observa a paisagem. Seres transformadores que, por isto, precisam exercer seu papel, porque senão algo deixa de ser feito.

Sejamos pedras sim, mas como as dos degraus de uma escada, por exemplo, já transformada e que sustentam a subida de alguém. Sejamos pedras, mas como as de uma barragem, que evitam catástrofes. Sejamos pedras, mas o façamos de tal forma que, quando lembrarem de nós, o farão delimitando o tempo, como uma Idade das Pedras, porque assim, mesmo que nosso tempo passe, teremos deixado nossa contribuição para que o futuro seja possível, porque as coisas acontecem, mas sempre é preciso o primeiro passo antes do segundo, e isto também não muda e não mudará.

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