segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Nós

Olho à minha volta e vejo tudo; vejo nada! Tudo parece mudar o tempo todo, sem que eu consiga acompanhar. As coisas acontecem, continuam se alternando; coisas boas, coisas estranhas que não consigo entender. Parece que estou só, busco ajuda aqui, ali, todos se foram. Penso assim, penso diferente, penso do meu jeito, e não parece o bastante, parece que ninguém me acompanha.

Sensação estranha esta! Parece que somos todos diferentes, e somos! Olho as coisas, as pessoas e não me identifico nelas, como se eu não fosse daqui, como se não fossemos do mesmo lugar. Mas e aí? O que fazer se sou tão diferente ou se ninguém se assemelha a mim? É como se eu estivesse solitário na multidão, sem apoio ao redor das pessoas que mais me importam e que mais deveriam se importar comigo.

Orgulho que me consome, me coloca no topo, no centro das atenções como eu acho que deveriam ser. Orgulho inexplicável que não consigo controlar e me consome, que me faz ver que só eu tenho meus problemas e o resto, bom, o resto é resto e não pareço me importar tanto. Assim eu continuo, e vejo todos estranhos, todos pensando diferente, não agindo como eu acharia o certo.

Mas espere; olho à volta. Estranho também, mas parece que começo a ver nas pessoas falhas minhas, ou espelho minhas falhas nelas. Não sou tão forte, não sou tão fraco, começo a me ver mais igual. Problemas? Tenho muitos, mas eles têm também, mas posso me manter distante, achando que são só meus, ou ajudá-los como alguém quer me ajudar. Não estou mais tão só, porque percebo que somos iguais nos obstáculos; barreiras semalhantes mas completamente diferentes.

O orgulho já foi dominado, aparecem amigos, surgem pedidos de ajuda. A solidão se esvai junto com o trabalho, não aquele financeiro, mas o da alma, que ajuda os que precisam sem pedir nada em troca, mas que tras consigo um sorriso às vezes. Sorriso, sorrisos, e meu peito infla, mas não sei explicar. É uma sensação boa que toma conta de mim e me faz esquecer que um dia me achei esquecido e me faz integrar, me tornar parte do todo que sempre fiz parte, mas que não me dei conta.

Somos todos, somos um, cada um cada um, do jeito que consegue ser. Ninguém sozinho, apenas nos fazemos assim, como forma de auto-punição e de auto-orgulho, em uma atitude semelhante à de uma criança que quer atenção. Caminhamos sempre, exercendo nosso papel, sempre à espera, espera às vezes inconsciente, de alguém para ajudar. E podemos, temos como, temos as ferramentas que sempre nos ajudam.

A força? A força está conosco, e somos mais fortes do que imaginamos, mas não podemos nos mostrar fortes, não muito. Somos frágeis também, somos pouco também, porém muito, e assim nos mostramos, ajudando àqueles que precisam como meros ajudantes, sem nos colocarmos no topo. O topo? Aquele altar que o nosso orgulho criou? Abandonamo-lo e crescemos, e nos tornamos grandes e a solidão se foi.

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